domingo, junho 15

O rumo.

Se fossemos menos egoístas, se houvesse mais confiança ou se a tal amizade pudesse fortificar o passo daqueles que caminham juntos, será que o rumo da vida seria diferente?
Os laços seriam mais fortes e a vida seria de plena comunhão. Porém, infelizmente as pessoas são de uma complexa e adorável forma, loucas. Todas elas.
Sempre existe alguém que sofre mais, sempre existe um outro alguém que não se importa. A fila do desapego é imensa e a dor no peito do que sofre, é descomunal. As vezes é interessante observar o quanto todos nós conseguimos enxergar a vida dos outros como um problema, - corrigindo, como um pequeno tropeço que pode ser resolvido com duas palavrinhas e uma garrafa da pior vodka que se possa imaginar - e em perplexo, assumimos o papel de uma jurisdição maior, que aponta todos os erros postos em mesa, para que, seja dado o veredicto.
As piores histórias do mundo são vistas, contadas e relatadas. E sempre, sempre... há de se ter uma resposta na ponta da língua. Mas enfim, quando estamos passando pelo little problem, a história muda um pouco de jurisdição, se é que vocês me entendem. Daí entra a falha humana,
colocar sempre seus sentimentos a frente de seu dom natural que o faz diferente dos animais.
A crença da vida em laços perfeitos é impossível, ninguém conseguirá - em santa e impreterível forma - sobreviver a um relacionamento, seja ele qual for, sem ao menos ter uma pequena desavença de pensamento, ação ou seja lá o que for que se faça hoje para viver a dois. Pois é, somos nós, cheios de defeitos,qualidades e vontades inconscientes. Incrível é que alguns conseguem controlar suas "necessidades, desejos e demandas", e digamos de passagem, a demanda está totalmente pesada, incisiva e imperdoável. Os tempos são outros.
E como fazer para sobreviver a tudo isso? Bem, vamos lá com a receita mágica, apontem seus lápis - ou coloquem a ponta na grafite - ou uma caneta, se preferir. A solução para todos os seus problemas está num lugar onde, creio eu, nunca procuramos. E onde será? Fala logo porra! Bem bem, vamos lá, a resposta está ai dentro. E vocês se perguntam, aqui dentro? O que essa maluca tá falando? Sim, a resposta está nesses miolos que a gente chama de cérebro, que por muitas vezes é inutilizado, jogado as traças. A resposta está como você lida com uma situação, e como isso responde ao rumo que a sua vida irá levar. Vejamos, um casal de namorados marca para sair, mas, derrepente o garoto precisa resolver um problema e não avisa a sua namorada. Algumas pessoas já estão espumando de raiva só de ler tal possibilidade, porém, ao invés de escândalos e múltiplos telefonemas, ou quem sabe, até mesmo mandar esmurrar o garoto. Ou pelo lado do nosso amigo esquecido, porque pelamordeDeus não mandou uma mensagem - mulher precisa de notícias, mulher precisa de tantas coisas que nesse espaço aqui faria uma dissertação com umas 500 páginas - enfim, somente um "Preciso resolver um problema, explico depois. Beijo"
E porque diabos não ligamos somente uma vez, para saber o que aconteceu? Bem, é sempre falho esse sistema de dar conselhos - Sou uma droga para me auto-medicar sentimentalmente - porém as vezes conseguimos desfrutar da situação do próximo para enriquecer nosso vasto e inconsolável curriculum de grandes amores e desastres da vida, que não são poucos, garanto.
Penso que através dos tempos, os relacionamentos duram cada vez menos. As pessoas não tem mais paciência para aguentar meios e manias do outro, não tem tempo para descobrir aquele mundo tão diferente e para quem sabe observar, tão encantador. Talvez por pura preguiça, ou por manter a velha e depreciável, vista cansada.
O rumo das situações mudam, de acordo como nos relacionamos com os nossos problemas. Desesperos e atitudes imediatas devem ser sempre repensadas, digo e reafirmo pois já fiz muita merda nessa vida, e tenho certeza que ainda irei fazer, em proporções menores óbvio.
E um pouco mais de compreensão, talvez amizade, pois amizade parte de respeito e consideração, duas coisas realmente necessárias para um casal ser feliz.
E que sejamos todos, errantes e decadentes algumas vezes, só para aprendermos a ser felizes do pior jeito, mas do jeito que tem de ser.

Vontades.

Queria romper valores,
experimentar outros sabores,
viver a vida que sempre quis.

Seguir o vento aonde quer que seja,
soltar o cabelo e dormir sobre a mesa,
tentar do futuro não falar.

Saber que tudo tem sua medida,
mas não há sequer uma ferida,
que os dias não possam curar.

Conhecer montes e mares
cálice da minha juventude, bares.
Aqueles em que fui feliz.

Desvendar o mistério do mundo,
esse caminho árduo e profundo,
que todo mundo tem de caminhar..

Traçar o meu destino na rua,
morar na casa onde possa ficar nua,
e ter sempre o que conversar.

Esquecer que chove lá fora,
ouvir música a qualquer hora,
deixar de sentir-me menor...

Viver a vida de forma pura,
não deixar essa tal clausura,
chegar a sequer me maltratar.

E que possa gozar dessa vida,
da forma que me seja mais bonita,
sem saber se os sete ventos vão gostar.

Não ter medo dessa condição,
pois o que vale está em meu coração,
que simplesmente, não pode se calar.

Jardim

Pisei no jardim da saudade,
onde as folhas cortavam meus pés,
alérgica a toda e qualquer vontade,
sem saber ao menos o que será de mim..

.. andei pouco e ensanguentada,
nesse espaço que tanto me maltrata,
seria eu saudosa daquela vida,
ou a vida, de mim... ficaria em falta.

Intro

Queria estar na tua mente,
só para saber como é pensar,
como eu a tanto pensava antigamente.

Queria por um segundo,
sentir aquilo tudo de novo..
só para ter certeza,
de que não preciso de nada disso.

Nada disso.

Não gosto.

Sei, do que não gosto.
Mas não sei, quando gosto.

É pior dizer que sim,
quando o não corta a mente.

A cabeça sabe o que procede,
e o coração continua teimoso.

Sabe? Eu sei que não gosto...
mas do que gosto,
é um pedaço do que tenho medo.

Pois sei que do que não gosto,
me mantenho arredia..
não chego perto, nem me mostro.

Mas se gosto, me exponho em completo,
deixo um rastro do que sou.
E se sou, esqueço.. do que posso...
e se posso.. assim eu vou.

Coisas que mudam

Não me importo mais como antes,
não atravesso o mundo para te ver,
não me concedo a falta de orgulho,
nem o destino a busca de um prazer.

Quando quero disco teu número,
te vejo por pura falta do que fazer,
se estou lá, está tudo realmente bem,
mas se não estou... não faz mal, tudo bem.

Não fico noites a assobiar teu nome,
nem escrevo mais versos que combinam
com a tua voz, nem descrevo a tua beleza,
de minha própria palavra, não sou mais algoz.

Não vejo sua foto como um pedaço meu,
nem ao menos consigo lembrar-me do teu rosto,
sua voz as vezes fala comigo para recordar-te
mas sequer as tuas palavras presto atenção, não ouço.

Não discuto mais a sua falta de atenção,
ou sua disfunção quanto a tal consideração,
não me importo com a sua carência
o teu plano ou sequer a tua mão.

Me mantenho na única paz que existe,
aquela que jamais se acha no outro,
a paz que o peito precisa, pede e agoniza,
quando se espera buscar a paz dentro do outro.

Coisas da vida

Quando te disse,
que era pra sempre,
o meu sempre,
foi há dois dias atrás.

Quando te disse,
que era infinito,
o meu finito
era minha paz.

Quanto te disse,
que ia embora,
você queria,
queria voltar atrás.

E eu não quis,
te dar uma chance,
novamente..
meu rapaz.

Dureza

Que dureza,
não há certeza
não há certeza..

Essa falta de clareza,
dureza, que dureza.

sexta-feira, junho 13

Miss...

E belisca,
aquela dorzinha
aquela fininha..
de palavras que doem.

São lindas e doces,
como açúcar nos lábios,
como mel na boca..
mas logo seu sabor se perde,
logo sua calmaria acaba.

E a dorzinha reside,
e a palavra bonita vira tristeza,
e o cerco se fecha..
e o jogo termina, sobre a mesa.

Luiza.

Hoje quis ser Luiza,
ouvir uma canção feita
para esquecer-me...
apesar de saber do amor residente.

Quis ser Luiza,
ir até onde meus olhos pudessem,
dar as mãos a face da paixão,
saber que o meu desejo é sempre
o teu desejo, e cobrir-me de certeza.

Ser Luiza,
saber do trovador, apaixonado.
um ameno mensageiro da tua paz,
e ver a lua só por Luiza... só para ela.

Luiza,
de amor que nunca cessa,
de mãos, as tuas mãos... porto seguro.
e saber da canção, essa canção
feita somente para te dar, Luiza.

quinta-feira, junho 12

Um pouco menos.

Diminuindo o ritmo, para deter-me.
menos as vezes é melhor,
talvez pela falta se sente feliz,
pois a falta é o recordar do completo,
e se em infinito nada é recordado..
em pedaços, tudo é completo.

Passarinho.

Pássaro menino,
leve-me contigo..
me ponha em tuas asas,
pra voar pelos desatinos.
Seguiria tuas vias amarelas,
sentiria o sabor de viver.
Gostaria de viver contigo..
e descobrir todo esse teu ser.
Mistério que me envolve,
palavras que me deixam algoz,
e sou e serei se quiseres que seja..
sejamos então, eu e tu.. você e eu.

Nó

Eu queria mesmo, de verdade.
Queria te falar, te dizer.
Se eu pudesse, sentir o que se quer.
Se houvesse.. houvesse esse querer.
Eu saberia ser feliz, saberia como é..
Saberia aproveitar, cada pedaço desse teu eu.
E se aqui se faz terreno inóspito,
nos grãos que a vida tentou plantar,
não há semente que brote desse peito,
se a semente é você quem vai plantar.

Sonhos desfeitos.

as vezes durmo sem querer,
me vejo em ruas estranhas,
mistérios de esquinas geladas..
pessoas que conheço, mas nunca vi.

e toco um corpo desconhecido,
mas não toco todo seu ser,
abraço o vento do corpo amigo,
e me vejo novamente, sozinha.

o grito não sai com qualquer força,
a voz se cala nas tentativas irreais,
a curva do som esqueceu minhas cordas...
eu não consigo falar, não consigo dizer.

roubo um amor de quem era,
de quem foi amigo do peito meu,
e arranco as entranhas daquele sentimento,
ponho na mesa, corto em pedaços... mas não engulo.

tento dizer àqueles que amo,
mas só em um abraço minha voz se faz,
e digo adeus com os dedos inquietos..
e fujo novamente, vou embora sem mais.

eu corro tão lentamente que nem tento,
ando descalça nas ruas, nua nos pés
nua em pensar... liberdade nos olhos.
tudo que preciso tenho as mãos.

em meus sonhos sou aquilo que quero,
neles meus mundos criam certas possibilidades.
Sou a única protagonista de meus medos,
os temo, os supero.. quando me é vontade.

Cruel

do plano que sobe o vento,
da crueldade que desce a serra...
era a infame vitória da maldade,
era o exclame grito de glória na guerra.

quem saberá quantos dilacerados,
quem permitirá que não existam mais,
e de mãos cortadas, corpos extensos..
é a vida, é a morte... é a praga.

é melhor quem não perdoa,
e não teme a dor do outro,
e mata, finge e domina,
corta o céu azul em vermelho.

Incinera a vida em dois cumes,
um para a fumaça dos que foram,
outra para os corpos doentes,
das mãos que pediam em desespero a liberdade...

e foi, ,mas acabou?
Talvez a crueldade ainda resista,
a única que verá o mundo nascer e decair..
sobre tantas esperanças daqueles que tentaram,
sobre todas as vidas do que se foram...
.. não puderam ver o dia nascer novamente, claro.

Hoje

E quem liga?
Eu não ligo..
Não eu ligo...
Ligo eu não..



...eu ligo... eu ligo.

Próximos.

Vi no espaço que me faltara
Sentir o apreço da vida, enfim.
Era você o que encontrei.. e Vi
na paz da tua voz, sentir.
E se fosse, e Vi... em ti..
a falta que o sentir me traria.
Vi sentir na alma a calmaria..
se fosse a única que me restara.
Enfim, sou eu e era você..
tão próximos.

terça-feira, junho 10

Sotenos em Saudades.

Quem me dirá que a saudade,
é a única verdade
do peito que pede perdão?

essa palavra maldosa,
que deixa a vida teimosa,
por aquele peito em questão?

essa causa com motivo,
esse punho exato e amigo,
direito sem dever,
que o outro tem por você.

e te calas quando não se espera,
e aparece sem ao menos razão
saudade que bate a porta da vida,
saudade que não sai do dito coração.


Ele que não pude saber...e eu, louca.

E indo pra casa, de todas as horas dos dias que tenho de voltar pro ninho. Me vejo sozinha e gente ao meu redor, gente com a mesma vontade, de não ter gente ao redor.
Eles passam apressados, gritos telefones e buzinas mochilas, sapatos e filas. Todos querem ir logo para casa. E sem mais nem menos eu olho, pro lado com algo a me chamar. Vejo um sujeito, maltrapilho e pus-me a o observar. Seus dreads na cabeça, sua camisa amarela escrito "meus heróis" e a foto de um homem e uma mulher em encardido dourado. Heróis do esquecimento, do maltrapilho amigo, calado.. que dava passos pequenos, contando alguns números ou assobiando uma canção..
Mal pude saber o que era, cantava uma reza que não compreendia, juntava os pés como se o fortificasse e falava com os lábios a língua dos sábios. Ficava minutos naquele estágio latente, onde seus olhos não olhavam a lugar algum, sua boca movia em pedido a uma força maior e seus pés juntos o energizavam a tal reza.Como não pude sequer saber de sua vida, de suas pernas cheias de vasos abruptos que saltavam das pernas finas e magras. Das quais não se separavam.
Queria saber qual reza fazia do mundo seus passos, se de lá pedia algo que lhe fizesse.. quem sabe dizer o que se queira ouvir, ou falar o que se deve calar.
Calamos aquilo que nos parece distinto, enquanto ele está lá a cantarolar uma reza que jamais vou saber do que se trata, de uma pessoa de modos esguios. Ele cruzou meia hora de uma intensa observação, que não lhe pude desgrudar os olhos. As pessoas passavam como se não o percebessem, imaginei que estivesse louca. E aqueles que o viram, o ignoravam por puro prazer de a "sanidade" os agraciar com um beijo de verão.
E ele mudava de lado com seus pés estranhos... os juntava como se sua certeza fosse a única que existisse. E eu sem mais nem menos, sem entender... sem saber. E jamais saberei, pois descrente do mundo que os cercam.. todos eles que largados ao léu estão. Ao meu observado amigo e seus heróis da amarela camisa. Quem sou eu pra dizer que compreendo... quem sou eu pra cruzar palavras de ostentação. Se sei ou se não sei o que se passa naquela vida.. não sei o que passa em sua mente, tampouco em seu coração.

segunda-feira, junho 9

Como é bom te amar.

Como é bom te amar.
Sei que vais embora,
no mais tardar...

Porém fico a tua espera,
de noite meu peito,
só pode se calar..

Mas no raiar da sua vinda,
minha vida se contorce,
ama o seu chegar.

E te amo como jamais pude,
e te amo como jamais irei amar..
Me acorde com um pedaço teu,
me acorde para poder te abraçar...

Sentir teu calor e tua luz a me invadir,
e o meu peito, a bater sem cessar.
Jamais pude negar... jamais.

Como é bom te amar!

Sempre.

E ela pega o ônibus,
aquele mesmo, de antigamente.
Senta do lado esquerdo do mesmo,
na janela tem o mundo nas mãos.

Quando se despede da estação,
abre seu livro de viagens mundiais,
de amores intensos, versos e carnavais..
de frio e medo, de luta pela paz.

Esquece a Paralela vida tão rotineira,
esquece os prédios e as construções,
conhece o caminho sem sequer olhar para os lados,
conhece o caminho na palma da mão.

Sobe o viaduto, luz e o virar da atenção
desvia para o retorno rotineiro,
sobe a via onde Piatã se faz.
Na ruazinha estreita, conta os minutos.

Logo chega no paraíso, logo ali.
Logo ali onde o vento lhe sopra a paz,
onde larga o livro de mão, como sempre faz.
Fica ao debruçar na janela, em êxtase repentino.

Como é delicado o vento,
lhe beija a testa em afeição,
lhe chama para lembrar da vida,
lhe ama como nenhum poderá.

E o paraíso dura por alguns minutos,
e volta, volta pra vida rotineira de lá.

Majestade

As vezes o crepúsculo me rouba a paz,
me rouba o melhor de mim, a certeza.
Talvez se eu a tivesse, diria ver o mais
lindo calar da natureza a minha frente.

Meus olhos que se inflamam de deslumbre,
que beleza é o rubro atrás dos coqueiros..
que beleza é ve-los negros em demasia.

E dos pés felizes e enraizados,
vejo entrelaçar das duas formas,
aonde sou parte da vida que me cerca,
aonde sou, aquilo que a mim é dado sem receio...

Do mar e seu azul resplandecer,
dos tapetes de areia formados no céu,
do rosado céu, amarelo e azul...
Onde as nuvens são de todas as cores,
é só você escolher...

E ao longe a estrela de brilho intenso,
se despede de mais um dia ávido,
e me despeço em cumprimentos e saudades,
e me despeço... até logo, até logo majestade.

Orla

Quem pode de lá chegar?
Sem o cantarolar de uma canção,
sem o vento amigo,
sem o arder da pele.

Nos mares não tão revoltos,
dos cabelos de quem corre,
a orla que sempre lhe abusa,
e usa por puro prazer.

O mar de três cores,
de beira é areia e àgua
de meio verde oliva,
e onde o horizonte se perde,
o azul mais lindo que se pode ver.

Quem pode me dizer?
Se na Barra o sol é majestoso,
se no Rio vermelho tudo se mistura,
e em Jardim de Alah as pessoas encontram a paz.
Se em Patamares o vento é mais forte,
e em Piatã o mar lhe beija a fronte.

Se em Itapuã a vida é amena,
e em Stella o fim de tarde é mais bonito,
porque no Flamengo as cores são tão lindas?

Talvez na Orla tudo fique mais bonito..
...talvez a Orla só aspire vida.

domingo, junho 8

Indiferença.

Essa sua indiferença,
que me mata.. dilacera.
Essa sua, falta minha
essa minha... falta tua.
Esse teu jeito, estranho.
Essa minha vida, clausura.

CCR

Ouvir-te é passar por cima de tudo,
sem saber se os pés estão descalços
e o chão coberto de vidro.

Mas senti-lo é cobrar-me a precisão,
daquilo que só se sente na alma,
só se vive sem os pés no chão.

E como o corpo move por palavras,
e as palavras entram na mente, é tudo
como se fosse ontem, é tudo como se fosse da gente.

Quem pode ouvir sem sequer gostar,
é imune e toda e qualquer perfeição,
pois a batida que de lá me chama, esquece dimensão.

E eu me perco nessa batida imensa,
me perco nesse envolver da alma,
pois só me sobra aproveitar o que há da vida,
só me resta... aproveitar o que há de melhor dela.

sábado, junho 7

Morrer

Se morre pelo fim do laço,
o laço com a harmonia em vida.
Se morre pela falta de esperança,
se morre pelo faltar da vida.

Se morre pelo pensar no morrer,
e se vive, sem ao menos tentar.
Porque se morre a cada segundo..
Quando morrer só é conseguir parar.

Crescer

Andas pelo mundo,
sem saber da verdade.
Se o que falam é o que pensam,
mas não é matriz, só possibilidade.

Vive através dos tempos,
que dizem como se deve viver,
mulheres não ficam sozinhas,
sem amor elas não sabem viver.

Em parte a vida é viver,
de outra é só observar..
que a vida se vai dentre os dedos,
e o teu eu, não se cansa de calar.

Nascer.

Quem nasceu Eva,
permaneça Maria.
Das dores, das lástimas..
da culpa e da nostalgia.

Quem nasceu Adão,
permanece Judas...
Onde perdeu as botas,
onde perdeu o valor..
da vida, do amor.

E quem nascera sem sexo,
por favor levante a mão.
Pois nascera do vento em popa,
sem saber dessa imensa desilusão.

In the Garden.

Talvez, a sorte de sentir a falta
daquela flor que jamais se abrira,
pois era a mais esperada, em beleza.

E por obra do destino ao amor inexistente,
a curiosa certeza que existe, e o platônico
sentir que reside em flor.

E se a grama pudesse pisar, pisaria.
Para dela estar próximo, desabrochar
em tuas pétalas, morrer em tuas raízes.

E sentiria a falta que a sua presença lhe faz,
e sentiria a vontade de ve-la apenas uma,
que pudesse transcender todo o resto.

Passeia pelos espaços abertos, onde não há..
não há quem possa dizer que nunca foi.
Mas a flor que nunca lhe abre as certezas, escondida está.

Do jardim que nada fala por puro prazer,
só lhe diz em vontade de manter-se taciturno
e o sopro da vida ao redor lhe ameniza... sim.

Mas talvez ir embora é preciso, se o platônico
lhe serve as mãos, amor teu de flor mais bela
e serena flor que nunca lhe teve as mãos.

Se nem os olhos a pôde tocar, será motivo
para ir embora novamente? Se a flor não se
abre por petulância... ou por tempo, só tempo.

sexta-feira, junho 6

Hello my dear - Contos alheios I

Hello my dear, ele disse.
E nem pude sequer conter-me,
ao derreter pelo telefone.
Sua rouca voz em festim,
que pude ver estourar
as lágrimas, e ve-lo,
produzir novamente a
vontade de ter aquela vida
nas minhas mãos.
Quando o disse,
já pude sentir o sabor da boca,
na boca, minha boca sedenta.
E pude, tocar-lhe sem presença,
amar-te sem descrença..
ter o prazer do pensar em ti.
Do pensar em ti, me dizendo ao
pé, a unha do dedinho... do ouvido.
Aquela frase, que tanto amo que
a tua boca produza, novamente.

Contei.

Contei a ele que o amo,
e o fiz sem pestanejar,
contei a ele o quanto o amo..
..e assim pude meu coração acalmar.

Temo

Temo pelo gosto acabar,
temo pelo mundo não resistir.
Temo pelas vidas que se vão,
temo pelos dias que esperam por mim.

Temo pelo esquecer das pessoas,
temo pelas dores que vão vir,
temo pelo envelhecer da pele,
temo por algumas coisas ter que deixar partir.

Temo pelo lembrar do passado,
temo pela obra mal feita,
temo pelo ar que me falte,
temo pela comida, sobre a mesa.

Temo pelos laços desfeitos,
temo pelos mundos que esqueci,
temo pelo esquecer de mim mesma,
temo pelo amor que deixei partir.

Temo pela vida a dois,
temo pela vida em grupo,
temo pelo futuro que escorre,
temo pela vida, pelo mundo.

Temo pela ordem que tudo segue,
temo pelo nascer, crescer e reproduzir,
temo pelo morrer daqueles que amo,
mas não temo, se um dia tiver de ir.

Horas - Bares IV

Quem inventou as horas,
conhecia a dor de esperar.
Pelas horas que não passam,
pelas horas que teimam não passar.
Quem inventou as horas,
sabia do minuto de dor,
sabia dos segundos de um recorde,
sabia do milésimo que te faz calar.
E num estalo de um número e outro,
se pode com os dedos contar,
que o tempo teima, mas passa..
ele sempre vai passar.

No fundo da barraca - Bares III

Acendo um cigarro,no fundo da barraca.
É a solidão, batendo à porta.
Ela clama pelo meu zelo,
implora pela minha paixão.
Não me esquece, nem me larga,
me confunde, mundo vão.
E o cigarro que nada me fala,
não me pede atenção.
Ao contrário, eu que vou..
aos poucos buscar teu gosto,
para esquecer...esquecer a solidão.

Amor amor, adeus adeus. - Bares II

Amor amor adeus adeus,
no bar não te vejo mais.
Pouco me enxergo.
Amor amor adeus adeus,
comecei com petiscos
terminei no prato principal.
Amor amor adeus adeus,
te digo que vou embora,
mas sei que fico, sempre fico.
Amor amor adeus adeus,
saia de dentro de mim
quando a bebida entrar.

Vergonha, nessa minha cara - Bares I

Quando é que eu vou tomar?
Mais um gole de vergonha na cara
mais uma ou duas, dessa pinga maldita.

E será que vai prestar?
Mais uma ou duas garrafas,
assim eu vou me embriagar.

Com certeza irá calar,
aquela dúvida que resta,
essa maldita, de vergonha na cara
de pinga que me cerca.

terça-feira, junho 3

The rain song.

O que cresce na alma quando o solo toca, é a dúvida da alegria quando o vento surge. Talvez o amor que jamais pudera sentir, nas flores em broto, possa tocar. E se no ventre na luz que o teu corpo emana, puder sentir a vontade de parte de ti, gostaria de ver toda paz que me traria, a qualquer tempo que o destino me desse.
Nas estações as vidas se formam, as vezes se quebram, mas nunca se deixam. E o sopro de vida que ainda me resta é a vontade de tecer meus planos, a cerca da verdade. Falar com os olhos é a fonte de toda delicadeza, daquela que só se entende aos olhos de quem ama, e a vontade de dizer o que se espera, é imensa. Mas não se diz o bastante com as palavras.
Assim como na vida os passos são decisivos, o inconsciente busca a vontade primitiva, aquela que não esquece o inevitável, mas remete o conhecimento daquilo que se deseja. E a minha vida não conhece mais o inverno, quando se faz verão em todo meu ser, se perdurasse toda essa energia positiva, seria a única paz que desejaria para sempre.
Mas para adentrar na casa da felicidade, é preciso bater na madeira em suave, a espessa porta do conhecimento, traz tudo que está fora para o centro de ti. E a dúvida da janela que ficou aberta, é a certeza de esquecer os perigos de outrora. Se a verdade de ser feliz é única e invencível, não existem janelas o bastante para amedrontar-te.
Talvez dissesse o que queria dizer, e a forma que o meu corpo se move, tudo diz. Mas a saudade daquilo que nem mais se espera, é o que deixam as estações ainda maiores. E elas esquecem que o tempo é curto, e elas não consideram os anos que se vão, elas voltam para aquecer e amenizar, a dor e a alegria que reside nessas almas. Mas não cansa o sol de nascer, nem as flores, nas manhãs. Não esquece o vento de sussurrar a noite, nem as folhas ao cair do secar. Tudo se conecta ao passo que o tempo fala, e ele diz o bastante para se aprender aos poucos.
E ele passa, te toma os planos das mãos e os dias nascem e a vida floresce, desabrocham as vontades e morrem alguns argumentos. Apenas alguns. Do que te resta, é o aproveitar de todo o fim. Do fim, que surge sem ao menos mandar uma carta. O fim, para um novo recomeço. Onde a vida pede para nascer novamente, e nasce radiante. E os ciclos se fecham novamente, para outros nascerem.
Talvez não exista o amor em pleno ajuste, porque a alma não cabe no corpo que deseja,
e não aceita a vontade que não lhe condiz. Ou talvez o amor nem precise de certezas, como as estações. Como surge e vai embora, para outro lhe tomar posto. Modifica suas características, esfria em Junho, aquece em Dezembro. Mas jamais deixa de existir. Desata sobre a vida daqueles que estão a mercê. Bate na porta dos perdidos, vai embora da casa dos que pensavam o achar. Derrubam uma chuva de fina forma, mas chove dias sem se poder ver a lua. Onde a lua se fazia cúmplice das vidas que se entrelaçam.
Quando a mente pensa na vida, ela deseja algo tangível. Mas o pensar é intangível e esmaece a verdade do coração, aflito. Busca o que lhe pode acolher, não o que o acolherá. E a vida quando pensa na mente, a diz para retornar a sua vontade inconsciente. Que busque entender o sentido do sentir, a vontade de viver. Se pensar é a única saída para ser livre... Pois na vida nada termina, pois nada se perde. São meses que têm data para chegar, para partir... são como a chuva que chega sem pedir permissão, e vão de lá da janela quando se dorme.

Teus e meus.

os teus olhos,
esses olhos meus,
nos teus olhos vejo os meus.
na tua pele,
pele tão minha,
sinto os lábios teus.
na tua boca,
boca tão tua,
colo os versos meus.
na tua voz,
voz tão tua,
inquilino é o nome meu.
na tua lembrança,
lembrança minha,
juntamos o meu e o teu.

Mas..

se eu disser que não,
é mentira das palavras.

se eu disser que sim,
é confusão da mente.

se disser talvez,
quem sabe acerte.

se disser jamais,
nunca saberei de verdade.

segunda-feira, junho 2

A tristeza.

quem pode dizer da tristeza,
a mais pura beleza,
do palhaço infeliz?

quem pode falar da tristeza,
essa malha fria e delicada,
sem ter sido feliz?

quem pode desdenhar a tristeza,
aquele que chora escondido
só por não sorrir igual.

quem pode fingir tristeza,
se no peito só cabe amor,
mais um dia houve dor.

quem dirá da tristeza,
esse estado de espírito,
que nos deixa sem calor?

quem fará da tristeza,
instrumento a alheia,
sem saber da outra dor?

Se na tristeza há beleza,
é da lágrima que escorre,
que o palhaço faz valor.

Mas a vida sem tristeza,
não há sequer uma beleza,
se não houve aquele amor...

Lembrança.

Fui a noite te visitar,
quando você dorme calmo.
E eu sussurro no teu ouvido,
até você acordar na madrugada.

Sou eu que sempre te acordo,
quando está sozinho, calado.
Sou eu que te afogo, que te jogo
naquele mesmo murmúrio.

Jogo o véu da saudade,
e lhe cubro com a tensão,
as vezes não lhe deixo dormir de maldade,
lhe tenho na palma da mão.

Dois chapéus.

Meu compromisso em amarelo,
eu era a menina dos olhos dele.
E me pedira um dos chapéus,
para ser meu par na quadrilha.

Aceitei seu pedido,
fui a frente e o cumprimentei,
passei debaixo das mãos atadas,
e até o meu braço no seu colei.

Você queria um beijo meu,
e eu sequer beijo te dei,
fui teu par de chapéu junino,
fui tua mulher do começo ao fim do túnel.

E quando a quadrilha acabou,
minha mão você não quis soltar,
perguntou meu nome e sobrenome,
anotou no que tinha na mão.

E te dei adeus, sem querer.
Por querer não te atendi,
sou assim... sou assim.

Falta

Que falta é a falta, que tanto me falta?
Se falta, me falta a tua falta...
A tua, a única falta,
que me faz, tanta, mas tanta... falta.

Aos, para os pelos.

aos dias pequenos,
dou graças aos céus.

aos dias longos,
eu rezo pro meu leito em véu.

para os dias amargos,
um doce beijo de amora.

para os dias felizes,
que caibam todos os sorrisos, de outrora.

pelos dias passados,
aprendo, saúdo ou apago.

pelos dias que virão,
ansiedade, suspiro e vontade.

domingo, junho 1

Ciú

Não me diga,
não quero saber.
Esconda de mim,
parte de você.

Ele e você,
como é que pode?
Se você nem o conhece,
e se conhece, nada pode.

Eu sei que nada foi,
e pra você nada será...
mas esqueça, esqueça de me contar.

Dança

E a cintura foi protagonista,
do vai e vem dos passos...
ele lhe ensinava o que podia,
e ela, acompanhava o entrelaço.

Meu interesse desinteressado.

As vezes é um absurdo,
que prezo muito, muito
mas não abro mão do
do... do desinteresse.

Eu não sei que diabos,
eu encontro na mente,
e digo não sem saber,
e digo sim pro maldizer.

E é incrível a falta que me faz,
o sentido que procuro nos olhos,
e a permanência do não na boca,
o não do meu interesse, louco.

Que interesse é esse?
Assim tão oblíquo...
se digo sim com o corpo,
e vejo o não acenar lá de dentro.

E ele me procura,
eu só procuro me esconder,
se gosto, não sei mais...
só tenho a infame crença de me arrepender.

E se meu interesse morrer?
Já que de desinteresse sobrevive,
esse meu intenso e estranho querer...

Junho

Que Junho chegue!
E traga boas novas,
e lave toda tristeza.

Que traga o frio da sabedoria,
e a chuva de total redenção.
Que molhe o ventre da terra,
sedenta e esperançosa.

Que Junho consiga,
através dos dias ser sereno,
e traga consigo, parte de toda alegria
aquela esquecida a um tempo.

Que se possa dizer adeus,
sem dor nem ressentimento,
aproveitar o restinho de calor,
para abrasar o coração, coitado.

E que Junho seja bem vindo,
bem vindo e amado.

Não, Não, Chão, Chão.

Não gosto de frases prontas,
das quais repudio elogios.
Não gosto de beijos necessários,
dos quais são sempre estranhos.
Não gosto de abraços sem sentir o calor,
dos quais tenho maior repulsa.
Não gosto de dançar com rédeas,
gosto de ser livre, flutuar... sem sair do chão.

Querido, dizer.

Ao mais querido dizer,
se digo baixinho e delicado
te digo na orelha em sussurro
até você ficar embriagado.

Adoro quando me diz assim,
se você não consegue se conter,
eu consigo e como consigo.
Mas minhas palavras não vão deter.

Você me liga e eu estou cansada,
a noite do outro dia já virou.
e eu estarei cansada sempre,
pois o teu dia, já a muito se passou.