quinta-feira, abril 14

Todas, todas elas.

dentre todas minhas dúvidas,
custosas e caras aos olhos,
caras demais para minhas respostas.

dentre elas, elas todas
sempre me dizendo o que não fazer,
o que não dizer, não ser.

dentre muitas,
dessas que perdi nos dias,
e recupero nos sonhos,
minhas dúvidas.

Seriam-me duras,
ríspidas....
dentre todas elas,
certamente me seria inválido
não duvidar.

quinta-feira, março 31

Pactos internos


pactos internos.
onde pulsamos,
pensamos ser reconhecidos,
amados, esperados e assuntos superados.
esses,
que nos dizem tanto
do tanto que inexiste.

quarta-feira, março 9

Fotos

participo do particípio de nossas horas,
em que nas fotos recordo de tanto,
do tanto que a vida me deu.

não sei se uma foto poderia,
e se é que desperto pode sim,
dizer que ainda insiste aqui.

aqui insistem todos os dias,
persistem todas as vezes que mereci,
e se desmereci, me arqueio também.

reproduzi nesses dias tanto de mim,
que me acho nas imagens fragmentadas..
um todo que talvez tenha esquecido.

segunda-feira, fevereiro 28

Ser tia

saber que parte de você é vida,
que a vida se move e se transforma,
saber que um pedaço de vida se forma,
se contorna e se desenvolve.

ser tia é estranho, e cuidadosamente cultivado.

Alguém me perguntou

Quem foi que disse que sei amar?

nem eu me disse que poderia.

o que é amor senão dizer que sua vida pretendida não lhe pertence.
que é, do suposto das horas o desprender dos íntimos.
que nas falhas regozijam puro perdão.
que amor sei amar se não aquele que desconheço,
que as mãos me desrespeitam,
que amor presumo que sinto?


Sobre escrever

já não escrevo com a mesma vontade,
a vontade de escrever já não descreve.
se pego as palavras da boca, da mente,
é porque estou tão triste que nem falo.

já não sinto muito por muita coisa,
e se disser que algo poderia,
o que seria muito por sentir^?


o que seria dizer sem sentir...
o que seria sentir sem dizer...


acho que é morrer.

Já que digo tanto que conheço de muito. Vamos começar a dizer o que desconheço;

não sei se esses rostos são-me conhecidos, a face e a silhueta, as sombras dos olhos, os ombros, as cores e as bocas. quem são todas essas pessoas que me falam nas horas, que me modificam sem saber? todas essas vidas, tantas, que na minha fragilidade, no meu desgosto, no meu carinho, tocam e destocam sem sequer a força do conhecimento me responder...

domingo, fevereiro 13

sublimando

eu apareci, nos teus braços
e fui como sempre fora,
cheguei como quem nada,
e fui como quem nem sabia.



os meus olhos sempre ternos,
dos meus desejos ávidos,
eu fui a mão sincera do teu corpo,
eu sou a falta que alastra meus dias.


se me perdi e se é que perdida,
solta nas clavas dos dias,
nada mais é interessante,
que ir embora de você.

quarta-feira, janeiro 19

Percebendo

percebi tua falta,
quando...
tua mão deslizante,
em meus cabelos,
a move-los dos olhos,
ou da boca próxima,
me faltara.


teu cheiro,
que só de ti exala,
que na pele não causara...
mais cheiro algum.


e sorrir pra nem saber,
se doem as bochechas,
ou se lembrar das piadas,
e não te-las,
é o que me fez sofrer.

O corredor

se meu passo contrario
ao teu guiasse,
ahh se meus pés me traíssem...
da pele, o suor, o corpo erguido
munido do teus olhares, se inflama.
as voltas que impactamos,
trombamos, fitamos, e desviamos..
ao andar alheio.

Se há

Se há algo a nascer,
é ver, nos deslizes
na porção dos insultos,
no não, e no amargo
a saída esperada,
a paciência requerida
e a calma buscada.

Pelos olhos teus

quando vi por teus olhos
que pareciam verdes a mim
quando por teus olhos,
mirei minha face
não me vi, nem de longe
a sombra de quem,
sequer existência.

quarta-feira, dezembro 29

Notas de um dia solitario IV

Vivo do silêncio
onde digo-me injurias
e conto piadas infames.


Choro minhas dores
e fortaleço meu coração.


Vivo do silêncio,
pois o preencho de mim,
a quem tão necessito.

Notas de um dia solitario III

Poderia eu fazer parte de qualquer que seja?
Velar-me o sono, beijar-me a face adormecida...

Como em um brinquedo, montar suas peças
cada finalidade de encaixar um final conexo.

Poderia eu fazer parte?
Sendo que falta-me um pedaço,
onde desencaixo o arranjo.....

Notas de um dia solitario II

foi-se sem glória, sem contar da minha hora
não lestes meu recado, tola forma de adorar-te.


presumo que fostes, por invencíveis modos
sem amor ou piedade, caístes em tua palavra.


não há sabor mais ácido, talvez em toda sua amargura
sentir o gosto permanente da desilusão.

Notas de um dia solitario

no perpétuo de meu amor,
quem fui, se não fosses,
e de que me eras,
dura realidade.



no desapego de teus dias,
fui a perdida falta,
resposta e indulgente,
mas não és religioso...


para coibir meus dias,
contei-me mentiras,
e fui ao cercado alheio
pisei na grama vizinha.. pedi-me.



do mais que me espera,
estar sozinha é necessário
e para mim precioso,
onde reinvento meu amor.

terça-feira, dezembro 14

Mais uma vez.

Nada mais que absurdo,
espero o que virá.
Não me poupo de dizeres,
mas me poupo de falar.

segunda-feira, novembro 22

Ao que se nunca imagina.

de longe a espreita,
cada parte tua,
esmagada.

a luta invencida,
daqueles que perderam.

circulam pestes,
afrontam vidas,
e partem todas elas.

Quase nada, pra tanto.

Quando pensei que fosse o bastante, jamais seria. Todo dia recuo nessa vida tentando me dizer a maneira correta, e deslizo nas coisas que a vida traz. Me desespero com toda essa hostil maneira de viver, não há nada que se hesite de toda essa exatidão. Ser humano, difícil e insensato. Por vezes pedi que me dissessem as respostas, clamei pela altitude das palavras, e briguei com todas aquelas que me apedrejavam. Qual a certeza que tenho disso, se existe alguma certeza para se dizer na vida, morrer é breve demais para acertar. Já tentei entender porque caminho nessa maldade toda, porque dos outros as tristezas me partem em pedaços, porque dizer adeus a tudo em que se acredita, se reinventar é um trabalho para poucos.
Já temi falecer de minhas duvidas, tenho medo de perguntar de menos, tenho medo desse amor que acho que sinto, amor pra mim não tem sido muita coisa. Não vejo amor nas pessoas, nem sequer a sombra do que isso significa. Só sinto a doença se espalhar, a mentira conduzir e o mistério do futuro produzir repudio e veneração.
Eu não sei mais dizer se sou infeliz, feliz ou sou humana. Sou uma espécie de pessoa que no lapso dos dias esquece a vida e tudo que ela diz respeito. Já não canto as canções de antes, não falo as belezas de amanhã, não digo a mim tanta delicadeza, quando digo sou tão incapaz que minto. Prefiro me recostar no imaginável, e quando penso que estou longe me sinto mais segura. Não ouço que estão morrendo aqueles, aqueles que necessito. Necessito de todos, cada pedaço que reproduz essa figura descrente que dilacera aos poucos.

Toda vez

Onde foi que esqueci, quando me perdi nesses planos, dissonando.
Toda vez, a minha bondade. A minha maldade cresce, deturpa e ignora.
Toda vez, a minha maldade. A minha bondade verde, indecisa, latente.


Onde foi que esqueci, se perdi, falhei.
Deixei minhas palavras, guardei meus sentimentos,
menti com a boca, desviei o olhar.

quarta-feira, novembro 3

Reclamações

Eu paro na minha vida perfeita,
as quatorze, murcho o passo.
Reclamo um pouco da vida,
só para não perder o gosto,
de reclamar.

quinta-feira, outubro 7

Velha mania

eu disse a velha mania,
que abastada era,
a mais miserável
de todas as cruzes.


pois carrego arredia,
e sincera demais.
E toma todas as formas,
todas as vidas possíveis,
no impossível dos amores.


ela resiste...

-

Você jamais vai entender. Porque minto com a cara de quem nem sabe de nada. Eu minto porque despejo tudo que sei mentir, talvez eu minta quando digo que pareci.
Minta quando digo que perdi, ou sei achei, menti por te encontrar. Menti nas vezes em que pelo mundo a fora me domestiquei, me criei inútil e ignorada pelo resto do mundo. Eu menti a cada segundo que chorei pelas dores de outros dias, jamais sobrevivi a tanto. Menti no ato de meus prazeres, do sorriso que empreguei em toda solidão alheia. Menti de norte a sul por contar os segundos, no místico que é esperança. Mentira maior da vida.

Coisas que esqueci de dizer

Já tenho escrito tanto que continuar parecia irreal. Eu só escrevo pra me alimentar, para não surtar de tanta falta de mim ali fora. Sabe-se lá Deus quando a vida dirá seu curso, e eu não sei de que planos falo quando estou dizendo que preciso deles.

terça-feira, setembro 28

Para ser - II

Há em tudo que me rodeia,
um pouco do que já sou,
e se tudo que existe me permeia,
sou o que deveria ser,
estou onde deveria estar.

Para ser

Eu pensaria a cada vez que fosse dizer,
e diria a cada vez que fosse fazer,
faria cada vez que fosse falar,
para pensar..... para dizer..
para ser.

quinta-feira, setembro 23

Recuar



Eu falo com medo de dizer o mais,

se digo com a cantiga é quando me dói mais,
porque escondido aqui dentro tudo fica desperto,
e eu espero um dia recuar.

terça-feira, setembro 21

Tolice

Já passam uns dias,
e a tolice continua,
persistindo no acaso,
da preguiça amiga.....

domingo, setembro 12

música para mim

O inesperado,
esperado
está perdido.


Nessas manhãs,
que me afronto diariamente.
Olhando para as partes,
para vir-me toda.



O inesperado,
esperado..
está morto.


Perdido nas manhãs.

Minha maldade III

Preciso dizer-te,
como jamais diria,
e se pudesse,
que menti em arbustos,
me escondi por lá,
travei minhas batalhas,
no escuro das folhas,
que me permitiam pensar.


Eu preciso lhe contar,
que falei alto e em bom som,
que teu peito morresse falho,
e que fosse a minha espada viva,
cortando a tua alma.


Mas era tudo mentira,
que dizer era o bastante,
mentir para si mesmo,
mentir em vão.

Minha maldade II

Contei nos minutos,
o que faria,
se preveria,
o fato maldoso.

escalei as montanhas,
de pedras afiadas,
e joguei tudo a baixo

acabando com a vila.

Minha maldade

A minha maldade as vezes me diz,
que não posso ser boa como preciso,
que penso, inexistente espaço,
onde mato, onde morro, pouco a pouco.

Setembro

Já é Setembro em meu coração,
e a minha vida se permite a falar,
que os dias passam, as coisas mudam
as vezes, pra variar.
de nada vale toda essa euforia,
no despertar das horas,
desprendemos nossas falas.
esquecemos das palavras,
que dizíamos com frequência,
tão ditas pra falar,
tão fracas de dizer.

Outros planos

não gosto mais do gosto,
do que me atraía.
é de certo que não,
minha língua rejeita.
minha fala não diz,
pois estou ocupada,
traçando outros planos.
não gosto mais do gosto,
sincero e impermissivo,
de dizer de mim.

domingo, setembro 5

como a vida

primeiro não se sente,
no que existe.
o falecido comando,
extinto.
depois a dor, com prazer,
e dor, novamente.
pense em não se mover,
e estremece, antes de recobrar.
recobrar os movimentos,
sentir circular,
de volta ao controle.

Ademais

Penso que usamos de todos os artifícios para produzir algo maior.
e que dessas fases, dessas ferramentas a vida partirá e existirá futuramente.
o fragmento será reabilitado, retornando a perfeição.
se é que perdidos, achando soluções aos poucos.

todas as palavras serão parecidas, e a voz substituída.
você poderá tocar a si mesmo, e da pele amarga nada lhe dirá.
sua vida será agora a extensão de tudo, e externa migrará para fontes.

as habilidades juntas, tanto conhecimento convergido.
e serão maiores aqueles que puderem prever,
todas as dimensões do inexistente, inapto agora.

poderemos recobrar nossas lembranças, viver nos diminutos,
saber do irreal a atroz, como se soubéssemos de toda fragilidade.

recursos, maleaveis e persistentes. encontre seu destino em mundos,
afunde nas suas convicções, permita subir as margens se preciso,
contudo, resista a sua alma viva. contemple seu santuário, respeite seus limites.


se existirem.

segunda-feira, agosto 30

como escrevi no papel, página 2.

Perdi minha doçura,
apesar dos meus olhos,
pensarem de tão ternos.

Esqueci de como ser,
e ver quem é visto
com mais compaixão.

Queria, e quero de pedido..
ser-me só e esquecida,
esquecendo o que pedi.

Quando foi que me embalei,
quando jurei?
Partir sem despedidas,
fui covarde e indecente.

As coisas, que chamo.
Se assim são tratadas,
desmerecidas, tolas.

Da briga sonora,
meus pedidos, roxos.
Sublimam meu coração.

Se o tenho perdido,
peço encarecidamente,
recobra-te.

como escrevi no papel

preciso desesperadamente que me ame, como se pudesse amar o bastante.
para que me fizesse amada.
preciso, de tão orgulhosa desse amor, deixar nas palavras a semelhança de teus carinhos.
preciso dizer-me sincera e precisa, de meu amor contundente e insóbrio.
deseducado de seu querer.
preciso como dizer palavras ao dia e abrir a boca para soar o meu apelo,
onde as palavras são comi insígnias
preciso do teu amor, tão erroneamente sob meus olhos. e advertidos pelo meu coração
eles seguem.
preciso ceder a quem fui, retornar a mim para padecer de amor.
como a ingênua esperança.
preciso compor minhas palavras de amor puro, inexistente.
mas insiste de tornar-se perfeito.
preciso da sincera e desnecessária verdade. admirada pela vida alheia,
para conduzir-me vida.
preciso, tão desesperadamente dizer-me. todas essas palavras, para sentir...
para sentir e prosseguir, vida.

domingo, agosto 29

Tudo

certas coisas não surpreendem,
quando chegam sem aviso.
quando se sabe aos poucos,
que você se transformou.

e nada além,
de saber.

quinta-feira, agosto 12

Burrice

Burrice é um pedaço
de madeira enfiado
na sua mão esquerda.

Pra não dizer os periódicos
ditos por aí.

Ontem a noite - II

Estou esquecendo os momentos.


Não me lembro ao certo de minha infância,
certas coisas se foram com o deixar da velha
estatura. E agora?
Parei de crescer.
Parece que tudo passou rápido, esquecido.
Que doer a memória se faz necessário, sim.
Puxar na fina lembrança, coisas que ficaram por lá...


E eu ainda não lembrei o bastante para fingir contentamento.

Ontem a noite

Esta noite tão gostosa, que o ar se torna
precioso em sua temperatura.
Não o ríspido frio da manhã para batalhar,
nem o calor de Dezembro em P. do Flamengo.
Eu encosto a cabeça no travesseiro, sossegada,
e me prometo não calar estas palavras,
para não perder o que sinto.
Nessa curva que os dias fazem, eu me pego pensando...
quando me sinto assim estou viva, e disponho um pouco
de mim nas palavras.
A única maneira de prezar pelo mundo,
é quando o percebo em mim.

segunda-feira, agosto 9

Gentil

Eu não escrevi em Agosto,
o que deveria dizer em Abril.

Eu não segui as minhas palavras,
como se pudesse segura-las em meu coração.

Eu não abdiquei de dizer que te amo,
só porque não disse.

E não parti todos os meus dias em horas,
para ser-me gentil...

Acordando e lutando II

pedi-me,
Deus de toda luz,
impeça-me do pior,
fala-me nos ouvidos,
as rotas de meus caminhos,
as longas horas de andar,
para ser-me chegada.


além de seguir,
Deus,
contenha-me,
de perder toda a prece.


de pedir em vão,
agradeço baixinho,
as mesmas frases,
que cunho na mente.


peço-me imensamente,
mais que inconstante,
permita-me de toda força,
para permitir de ir,
para prezar de ficar.

Acordando e lutando

acordei no meio da noite
com medo dos olhos abertos,
pensando no escuro,
no escuro das horas....

valeu-me em aceso,
que nada pudesse,
perder-me de vista,

e perdi as horas,
tentando me encontrar.

quarta-feira, julho 28

De certo que sim - III

diga-me de perto,
com toda tua vida,
que amar é contundo,
mas portanto é o fim.


fale-me de longe,
que tudo é inverdade,
que é falta de amor,
que todo mundo tem.


e aceite essas palavras,
que tão poucas,
quase nulas.


e aceite essas palavras,
que tão minhas,
minhas suas.


e aceite essas palavras,
como tuas vestes,
vista...

De certo que sim - II

A noite em meu travesseiro, quando se fazem todas as incertezas,
digo a Deus que o acompanho, que sua luz me faça mais forte,
que me faça mais digna. Talvez menos humana...
mas Deus não permite minha dor em seus braços, nem fazer-me perfeições.
Então afaga meus pensamentos em respiros de coragem.

Meus dias permitem todo sentir,
e se oscilo nos cabelos
da certeza,
é porque não estou tão longe de chegar.

De certo que sim.

Quando sequer soprasse minhas dúvidas, um lampejo me reergueu. Talvez nem soubesse de que parte aquela luz se faria, mas era ela enfim. Tomei nos braços como uma criança, cuidei como se fosse a última parte de minha vida. Não precisei, nem recomendei ao meu coração que fizesse o que quer que fosse, o deixei livre para ser reconhecido. E nada mais me fez perder o curso dos meus sonhos, nada mais....

segunda-feira, julho 26

Bom dia

Bom dia,

de olhos,
queria.
Bom dia!
ao nascer,
mais vezes.
Bom dia...
dizer já com saudade.

Um bom dia para você,
te vejo mais tarde.


sexta-feira, julho 23

A sorte

a sorte é muda,
e só lhe fala
ao não esperar.

e em maneiras,
todas elas esquecidas,
pelos nossos sentidos,

a sorte diz,
quando somos capazes,
de talvez ouvir.