sábado, agosto 22

Jamé

Nunca amei ninguém nesta vida. Nunca fui amada.
Nunca senti que fui amada, nem sequer, amada fui.

Nunca vi meus poros reluzentes, nem minha alma vibrar.
Não senti o calafrio de manhã, perdida em um mirar.
Um sorriso displicente, dorminhoco. Anestesiado de outro dia.
Não soube observar, nem sequer amar,
um escovar de dentes, um lavar do corpo,
um café na tarde vazia. Nada disso.
Não acordei com um nome na boca,
falando alto no estremecer do pensamento.

Nem contei as horas de ansiedade, não.
Não me cobri de esperanças esquisitas.
Não pude, em sincero. Jamais fui, nem serei.
Não cobrirei a casa de flores, não farei amor, nem amarei.

Não desejarei os dias, não farei das noites, lindas.
Não amarei, nem ficarei. Do lado sem dizer nada,
encostada, de sobreaviso. Olhando a nuca alheia.
Segurando um dedo, parecendo criança.
Não viverei de amor, amor não me alimenta.

Não fui nem serei mulher, mulher de alguém.
Não vou preparar, nem me vestir. Não vou.
Não beijarei as orelhas, nem os olhos.
Pedirei ao amor que se afaste, perigoso.

Sequer trouxe flores, em meus sorrisos.
Não acordei com um olho só, nem abracei.
Não rezei pelos planos, nem acolhi.
Não chorei de felicidade, nem dei carinho.

Nunca fiz nada disso, nem farei... jamé.

Sentidos

Meus sentidos,
todos eles, reprimidos.

Minha boca não gosta,
meus ouvidos não captam,
meus olhos não se abrem,
minha pele não almeja...
meu nariz, coitado.

Nada sinto.

Feche a porta

Quem disse,
quem falou,
quem esbravejou;

"Feche a porta"

Não me ensinou
a girar a maçaneta.

Quanto te magoei

Quando te magoei,
deixei.
Parti dos rumores amigos,
me despi.

Quando te magoei,
me retirei.
Descumpri.
Nem sequer alardei.

Quando te magoei,
permiti, fugi.
Precisei.

Quanto te magoei,
me magoei também,
de tudo que lhe deixei.

Uma criança.

Quem me sorri melhor que uma criança?
Que sorri com a vida que Deus lhe entregou.
Não há sopro de tristeza, não há uivo de solidão.
Pois uma criança, acolhe tua vida com seu sorrir.

Que mistério contagioso, que permeio perfeito..
da alegria do maior bem, o mais valoroso...
do sorriso lindo que uma criança tem.

Não sei do bem até que ele invade,
transpõe qualquer significado,
na vida do rosto de um pequenino
um sorrir do peito amigo, coração amado.

sexta-feira, agosto 21

Meu dia favorito

Particularmente diria que meu dia favorito é o dia de encerar. Aqui do aquário vejo a alegria transbordando das calças azuis à toquinhas brancas. Os baldes se jutam e os fios atravessam quase todo o corredor. Os sapatos de segurança num reluzir mais bonito, as conversas são mais do que agradáveis de se ver. Tudo se ilumina e o ar pulsa frescor.
De certo que não há cera alguma, nem há chão de madeira. É água e sabão num girar de cerdas vermelhas e numa limpeza profunda. E enquanto se empurra o carrinho amarelo para dar início, ele estica a extensão para dar vida ao limpador. A máquina escova o chão, joga água e sabão e depois com um rodo traz a água de forma que espalhe, secando mais rápido.
De tão rápido que é, o condutor lhe diz que já está acostumado. E quando se pega a manha, tudo fica mais fácil!.
E lhes pergunto, quem sou eu pra não amar as sextas-feiras? Limpas, agradáveis e tão cheias de um sonhoso descanso.

segunda-feira, agosto 17

"Fraca"

Ando preocupada, calada.
Silenciando meus propósitos,
aquecendo minhas pátrias.
Você me deixa assim,
das luas de suas visitas.
Do sol que tendes a esquecer...

Nota de dois tempos amadores

Ontem comecei a travar uma bela luta, e enchi-me de esperança contra meus diabos. Passei duas horas tentando compreender meu inimigo, duas horas poucas, duas horas bobas. Duas horas não me foram nada, além do perceber de pura imprudência. Não se analisa nada de imediato, não se tira conclusão alguma de rapidez. A não ser, a velocidade em si.
E então, como progredir do poço de minhas intromissões? Se lá, no fundo do significado que é ser e estar, estão também um mundo de interpretações. Se sou porque meus acertos e minhas falhas me produziram. Reproduzem-se as dúvidas. A água reclusa apodrece em si ou resvai no extrair dos baldes? Respingos só contam histórias de morte precoce. De morrer já me canso em pensamento, não dá morte morrida, mas da morte do pensamento. Por quantas vezes morreu uma ideia, faleceu um conduzir brilhoso, um suntuoso sentir. E quanto as próximas, que sejam sedentas de viver, por favor. E como caminhar no desviar de minhas intromissões? Como meus diabos retratam seu espaço maduro e conciso, pode também realizar-se o recriar. Ponderar, talvez.

sábado, agosto 15

Será?

Será que posso dizer quem sou eu?

Talvez possa, enumere em vinte dígitos minhas
qualidades e defeitos. Diga meu nome e sobrenome,
o mistério das premissas de meu signo.

E talvez trace minha idade, fale de meus sonhos,
meus trajes e minhas vontades. Minhas perdas e
meus triunfos, minha família e meus amigos. Se sou
o amor que fui ou no que permaneço, se falo alto,
durmo cedo ou se festejo meus aniversários...

Se acordo de bom humor, se ando descalça em casa
ou se bebo socialmente. Se gosto de azul ou verde?
Pratico esportes? E se já pratiquei a arte de mentir, a
leveza de sorrir ou o findar do choro.

Se abraço apertado pra não perder ou dou dois beijinhos?
Se sou o meu time, minha cidade, meus versos e minhas
alegrias. Se sou as músicas que ouço, as palavra que digo
ou até mesmo quando digo não.

Se acredito no mundo, na vida e em Deus? Se tenho fé,
respeito ou gratidão? Se sinto cosquinha no pé ou na mão?
Se sou o meu amor, a minha amizade e minha emoção.
Se sou a minha mãe, a minha avó e meu irmão.


Talvez eu diga tudo isso,
e você aceite.
Talvez não.


Mas quem sou eu aqui,
além de minha verdade?

sexta-feira, agosto 14

Esta

Essa pressa, essa angustia e essa tremedeira.
Nesse impulso, essa dúvida e essa tristeza...
Esse muro, essa crosta.. esta distância.
Esse mundo, esse medo... esse silêncio.
Nesses dias, essas águas e essa desembocadura..
esses passos, essas tramas e essas indulgências,
esses planos, essas falhas e essa espera.
Esse calar, esse maldar...... esse findar.
E tudo, esse e aquele..... não consigo mais falar.

Silêncio

Hoje minha tristeza falou tão alto
que no eco de sua magnitude fui vítima.

Ressoava o cântico dos esquecidos...
e perdiam-se as falas por lá.

quarta-feira, agosto 12

Assim que tombei

Já não tenho mais dúvidas,
dessa fúria que atormenta.
A tremedeira que desorienta
um espasmo nas nossas vidas.

Tenho um pouco de paciência
um restinho de consciência,
uma pitada de carência,
mas não condescendência.

Já não tenho dúvida,
o tirar do sério é verter em mágoa,
o lavrar do ódio é subir em água,
e a resposta está na partida.

Tenho um pouco de aspereza
um restinho de clareza,
uma pitada de tristeza
mas não tenho mais sutileza.

terça-feira, agosto 4

Santa Luzia

Santa Luzia, curai-vos!
extirpa nossas dores,
incinera nosso sofrimento,
cuida do âmago de nossa alma,
cicatriza nossas desilusões.
Santa Luzia, atende!
Essa saudade dos dias,
onde curando o peito,
respirava o alento dos inocentes.
Galgando uma criança feliz.
Santa Luzia, agradeço!
Por imunizar meus desterros,
minhas lamentações.
Pois fui onde os meus foram,
e que saudades...

Partir

Você vai e fico aqui,
ou você vai...
e parto também?

Talvez partir de você,
quando você partir daqui.
Pois o partir de mim..
é o que parece acontecer.

Fatiadas as vontades

Fatiadas as vontades,
todas elas
partiram ao prato dos sabores.

um a um,
devorando aos poucos,
incumbindo de sentir.

E descendo ao saciar,
dos prazeres, todos eles.

Terminar.

Ontem no sexo

ontem mesmo
me passei
mas reparei
no teu sexo.

ontem mesmo,
reparei, olhei
transei
em perplexo.

ontem mesmo,
eu cobicei,
cada vez mais
teu nexo.

ontem mesmo,
quem diria
eixo plano,
tão complexo.

quarta-feira, julho 29

Desconhecida

"É tudo tão estranho, tão imerso. E vivendo dos pedaços que fomos, sou o formato do que temperei em nossos dias. Pois sim, existe alguém melhor aqui, alguém que não conhecia. "

terça-feira, julho 28

Volta e meia

Volta e meia me pego bebendo de suas tramas,
onde foi mesmo que me interessei por suas diferenças?
Até onde minha indiferença se fez desmoronar.

Numa suplica de sugar um pouco de ti,
engolir suas palavras e seus cânticos,
me suprir da carência de suas loucuras.

Jamais compreendo seus passos,
e me entrego a eles, volta e meia.
Mas dou meia volta sempre que posso.

E de volta?
Minhas diferenças são diferentes demais.

segunda-feira, julho 27

Manual

Não uso teus sapatos
nem seus laços,
só uso tropeços,
me uso pelo avesso...

não uso o desuso,
de dizer adeus....
eu não digo adeus,
ao adeus recluso.

não uso porque...
não sei usar!
onde está o manual,
que botão apertar?

domingo, julho 26

Por mim, de um outro olhar.

As vezes deponho sobre seus dias, digo a todos sobre suas sombras amarelas e seus belos ombros, a perder de vista. Digo sobre teus cabelos castanhos, seus olhos de mesmice e amor perdido, suas mãos tão sadias de movimento. Contando sobre teus lamentos, a bondade de suas induções, a claridade de seus sentimentos e a confusão de suas ações. Menina dos dias de saturno, jamais sabes o que fazer, verdade? Te digo que és a mais verdadeira e a mais mentirosa de suas proporções, a linda concepção de uma vida melhor e a plena desilusão dos mesmos olhos amadores.
Amas um dia que concebes, pequena. Retribui ao mundo quem tem a oferecer, e seus sorrisos planejam alimentar vidas. Tuas alegrias, permeiam dias melhores.. e tuas dores, choram sozinhas em azulejos. Não desmereça a flor que permanece em tua alma, cultive o mundo que o mundo lhe oferece. Persista na idade que tua face condena, aceite o ventre que teu corpo lhe condiz. Não use de boa fé para boa fé, repita o amor dos corações em outros corações. Não desista, pois a mão de Deus busca a sua em movimento. Permaneça onde seu coração convida, mas pondere onde ele lhe diz de ir embora. Não permita a condução de tragédias óbvias, sejas firme, sejas forte. Até que as vontades de más conduções se acalmem, respire e trace suas vontades em um papel. Conduza uma linha de teu pensamento, reserve espaço para a vida alheia. Pereça onde tuas verdades não são justas, a verdade permanece onde os corações exprimem concepção. Mas os corações são errantes querida, eles são cegos de tanto querer.
Não reprima tua alma, ela transparece onde as horas não dizem qualidades. Permita que exista tua vida, deixe que ela floresça no jardim do tempo, conserve os bons sentimentos e conserve a aprendizagem. A dor doída não voltará, mas a lembrança permanece. E o único prazer de se fazer mal é a certeza de destruição. Destruindo a si mesmo.
Alento onde alento existe, na paz onde seu coração conversa com as raízes do mundo. Onde teus palpites conservam a tranquilidade e a perseverança cresce da paciência e parcimônia. Não condenes tuas erronias insatisfações, teu momento é o momento predestinado. Os cânticos da vida permanecem onde as vozes podem alcançar, e a voz é um instrumento que necessita de preparo, como a tua mente. Jamais ascenda um candelabro sem fogo amigo, não queira um jardim se não há água em tuas vias. Prece a cada dádiva do mundo, resignação a cada momento de inquietude. Desespero conserva apenas um corrompido lamento de alguém que esqueceu de si mesmo, e não lembrar a própria voz é não poder falar com todos outros.
Raízes são feitas para serem cuidadas, não esquecidas. Por mais passadas que estejam, seu alicerce e base da vida se sustentam nessa contorcida forma. E se flores nascerem da sua alma, e se frutos brotarem de seus olhos, agradeça ao que lhe dá alento e vida cheia. Por onde andar e quando permanecer? Só a condição de quem vive diz a alma onde ir, a liberdade que buscas permanece implícita em seus olhos, e a fúria de sua juventude lhe desperta a distância vã. Onde ir, se não andar por entre os vales de seus pensamentos? Conduzir as partes de suas lamentações, rever prognósticos, assuntar condições, refazer sentimentos, construir prazeres, arquear um bem maior, sofrer a dor dos que merecem. Os caminhos que precisas estão apenas em suas veias, apenas em teu sangue.
O conhecimento não lhe buscará se não o buscares, a obra pronta é a desculpa dos preguiçosos. E a insuficiência daqueles que perecem é a falta de buscar a dúvida. A duvida conduz o semblante do que quer descobrir. Descobrir é reinventar a si mesmo, é prestar condolências a ignorância comum, é despertar um amante de tantos abrigos da alma. Não duvide de forças que despertam tuas letras, as forças que procedem de seu coração são as mesmas que acompanham teus dias. Alimente as forças de seu coração, então saberás que os dias vão passar com mais amabilidade e paz. Busque estar de acordo com o acordo de si mesmo, onde temeis as condições de seres subjugado. Respeite condições alheias, corações longínquos de rotações próprias e momentos únicos. Tenha perdão a admitir suas decadências, ,mas saiba que a decadência de si mesmo é a face amarga da esfera da vida.
Coma como reza a vela, deixe escorrer o que tiver de escorrer para conceber a luz. Não queime a mão em vontades momentâneas, a cera ficará em tuas partes. Aceite o amor num rejunte de almas, afixadas nos permeios dos céus. O amor se esconde em permanências estranhas. Reside onde o coração é apenas um circulador de vidas, pois o amor é todo o ser que concebe o amor. Não sustente dúvidas, não tente ser amor se amor só existe por si mesmo. Único de conservas atemporais. Distribua o amor que reside em você, a permanência dele em outras vidas mudará o próprio amor que conduzes em plenitude. Sejas amor nas palavras, nos preceitos e nas condições humanas. Ame a vida como a vida lhe ama, e o amor do sagrado unirá os tempos a eternidade.

Parte.

Existe uma parte de mim,
que se perde aos poucos,
há um minuto na vida,
minha bondade,
meus confiados,
meus discos.
Há uma parte que se esvai,
talvez perdida,
inclinada em si,
despedida.
Há uma parte que,
mesmo sabendo que parte fosse,
mesmo que dissesse,
não seria nada, além de palavras....
de alguém que esqueci.

Amor de amores doídos e amados.

Hoje o dia foi difícil,
como ontem foi também,
ontem doeu de tanto artifício..
de tanta esperança que coloquei.

Hoje dói a dor do mesmo,
a mesma dor doída lá atrás,
ferida mestiça de outra face,
cantiga do peito de outro rapaz.

Hoje sei que é sempre a mesma,
a dor que incita meu coração fraco,
abalo amigo do peito amado,
meus dias perdidos, sem afago.

Hoje premissa de um começo imune,
não há de convencer esta vida,
está dor no peito, amasso constante,
essa coragem já esquecida.

Hoje e talvez um dia,
existirá aquela ilusão,
aquele começo de púrpura fronte,
aquele desejo... sem consumição.

Hoje contradigo o que dissera,
nada mais me é verdade em mãos,
amor de amores doídos e amados,
feridas do peito, consolo do não...

Entristeço

toda vez que me entristeço,
é arremesso de mim,
é volta do desmoderado
é conserto do infinito.

desmereço esse meu corpo,
minha alma me reclama,
onde estou as vezes, minto.

Não estou, não...

terça-feira, julho 21

Zombaria

Queria dizer,
bem feito!

Teu peito,
sofredor.

bem dito,
o causador.

bem feito...
bem feito.

Gastando

De gasto
já me basto.
desgaste
do meu basto
meu bolso
abastado?
coitado,
sumido..

sofrido.

Farrulha

Farrulha em meu peito!
ò dia de mais ou menos,
ò santo de causas morridas,
diga-me logo meu desterro..
para morrer em paz.

Caro amigo

Caro amigo meu,

Preciso lhe falar de conduta,
a única que me trouxera a ti.
te sorrir me desperta algo bom,
ser bom me confidencia a eternidade.

Ternos dias de minha habilidade,
as vezes mal conduzida amiga.
Descrente de palmas cálidas,
assobios próximos de fraternidade.

Em que ilha nos perdemos?
As partes de tuas partes se foram,
só o azul a me dizer do teu esquecimento.
Na variedade calejante de meus dias.
Não esbravejando nos meus dentes.

Perto de minha rapidez,
fui sempre com olhos abertos,
e eles caíram novamente,
despertos demais para o amor.

Ressurgiria em mil anos,
as vozes da criança que falara,
do murmurinho de meus indutores,
das notícias dos dias que me cercam.

Me diga de imprecisão,
onde foi que nos perdemos
além de em nossos corações?

tempos de ser ninguém.

Em meus tempos de ser ninguém,
sou a fortaleza de minha mentira,
ruptura de minhas verdades,
a intolerância de minhas palavras,
sou o verter da falta aguda,
o fim de meu conhecimento.

sou o reluzir de uma jóia antiga,
a escassez de minhas felicitações,
o embromar de minhas atitudes,
a esfera de minha solidão.

Em meus tempos de ser ninguém,
um alguém desperto de ambiguidade,
da vera que é residir em Saturno,
dos cortes que são protegidos por belezas frágeis.

Nada aplica a juventude,
a sabedoria de palpear um doce,
não engole nem transcorre ao sumo,
dedicando, pontilhando, esperando...

em tempos de ser ninguém,
só ouço minha permanente brevidade.

Eu, me esqueci.

Eu, me esqueci.


Ontem estava andando no mundo novamente, olhando pra tudo que o mundo me dera. Dois passos a frente e outra perspectiva, novas cores e tantas diferenças. Tantas igualdades desconhecidas, e por um segundo me esqueci. Perdi a fala e a identidade, perdi o rumo e as chaves da compreensão. Onde minha casa habitara, onde minha vida me conhecia. Em poucos segundos a incompreensão e o pânico me abraçavam, e que abraço apertado. Já me basto se não sei quem sou? Já me basto se desperto agora e esqueço do que nem sei se sou.

domingo, julho 12

De todos os vales.

De todos os vales que cruzei... muitos suspiros agudos, certezas categóricas
e tragédias eminentes.
Assim fulo. Tolo transeunte de minha alma, querida parte de meu mundo, olho a lente que observa.

Onde vai se desdobrar a fúria? Em que parte de meu mundo as tendências se esvaiam,
em que percurso a vida fará a tranquilidade das formas.


Onde trairei meus medos? Seguindo indulgências de meu coração, afirmando a parte de cinza premissa em acordo de montanhas e depressões.

Farei de mim o rei de meu mundo? As guias da fala do peito erguido, a dúvida que transforma meus dias e a fé incumbida de reluzir meus olhos.

Espero pelo tear de minha prece, até que me canse de redigir, uma, duas; por mais escritas as palavras certas, ou acertados planos queridos,

Onde estarei além de aqui,
somente em mim.

terça-feira, julho 7

Cura

Há algo no submundo das frases
no circunscrito das palavras,
na perdida proclamação das estrofes.
Algo que não sei decifrar.

Há algo perdido em inúmeras falas,
nos dias em que a falta me disse mais alto,
em meio aos termos que minha boca pronuncia,
Algo que não sei traduzir.

Há algum porque das minhas vias,
dos dias em que algo não me basta,
nada me cura se não sei o bastante.

segunda-feira, junho 22

por um fio

Escrevo essa nota nociva
arranho o ventre de meu mundo,
descarrego a primeira fita,
da segunda eu desaconselho.

Vem a mim,
para padecer de dias leves,
calibrar o azul dos olhos,
e ver o mundo anil de imprecisão.

Não, não....
chega dessa maldade em soul,
se não sou por puro querer,
esse ser que acompanha a raiva.

Plantio dos inúteis,
cartel das pedras atiradas,
moinho de vento hostil.

Acalma-te.

Nem nunca.

Jamais vou dizer
dessa água não vou beber,
para não mentir.

Mas se for pensar,
se for dizer,
não quero nem saber,
não estou nem aí.

Tudo que tenho cabe
nos meus braços,
tudo que sou abraça meu dia.

E só disso sobrevivo.

Meu jeito

Meu jeito,
me mata
um dia.

meu jeito,
me afoga
um dia.

meu jeito,
sem jeito
me arruína.

meu jeito,
irracional
me domina.

Que sina...

quarta-feira, junho 17

Bom dia

O dia nasceu,
por mais noite escura,
nas frestas do mundo
os raios de sol,
florindo nas margens,
do sul um bom dia,
regando de luz,
mais uma vez...
mais um dia.

terça-feira, junho 16

Assim.

peguei teu leito
formei meu passe,
passei onde quis,
vibrei, cantei canções.
dancei sobre teu mundo,
recriei meu espaço.
deixei que me adorne,
em mim, teu espaço.
falei milhares,
ouvi de muitas delícias,
mas parei onde me permitia.

Assim que ouviu a primeira cantoria

Ouvis,

Pedaço da fonte de meu dizer, acredite.
Mendigo de meu recriar de amor profundo,
de pedra que reside ao chão de minha vida,
não apaga a cantoria de meus riachos.
Desvio meu coração as suas fontes,
suas fontes tão belas de segredos persistentes,
me amais como amas um alguém esquecido,
ficou a quinta parte da parte que me amou.
Fiquei com tão pouco do pouco que me sobrou.
Um quase nada de um amor que não me amou.

Assim que recebeu a primeira carta


Falais,

Se já me apego no desapego de te amar.
Se sou destroço, um troço vivido de se queixar.
Sempre acontece, declinam rumores de meu amar.
Não amo, apego, pois esse mesmo.. me faz declinar.



segunda-feira, junho 15

Imediatamente

"vou embora,
vou partir... "


vá logo,
suma daqui.

Estrago

mordi uma fruta
de polpa macia
e suco apetitoso.

me buscou os
sentidos,
e saboreou-me
olhar feliz.

caiu-me da mão,
rolou meu pedido,
meu sentido..

e minha razão?

Fazer sentido

como se pedisse
que parasse o bendito,
na porta do tempo.

ele já rolou as escadas,
por um pouco, desceu degraus.

o sentido é único
quando em declive.

o sentido muda
se mudar o único....

Ser amor ou ser alheio.

Já me busco onde estou,
onde estou me aconselho,
sempre digo ao ouvido,
pois ao coração não permeio.

Onde dói a dor do outro,
a não ser em si mesmo,
na dor, flagelo mundo,
esquecido dos anseios.

Um passeio conturbado,
onde dói a dor do outro?
A não ser em si mesmo,
ser amor ou ser alheio,

quando o passo se estremece,
e saber, desaconselho.

quarta-feira, junho 10

Sempre

Já não espero o esperar
matutino de minhas irmãs.
A rima precisa de nossas
piadas infames.



Mas sempre espero a
voz aguda de minha irmã maior,
a doce criança de seus olhos,
o abraço do resto de nossas vidas.



Sempre aguardo pelo enraizar,
da árvore nascente em meu coração,
do cuidado e cuidando dos dias,
até o florescer da felicidade.



Aguardo pela reunião da espiritualidade,
da luz que clareia minha alma amiga,
do sorrir de sua hombridade,
da serena distribuição de seu ser.

Esperanças

Viro as horas,
num doce almejar,
desprendo meus sentidos.
Pensando, pensante
na forma e conteúdo postumos.

Viro as horas,
e me convenço,
sinto a calma de respirar.
Nos caminhos despertos
de meu coração,
nas válvulas de meu progredir,
na suntuosa vibração.
Viro as horas,
e me adorno de esperanças,
me despejo de lamentos,
pressuponho, dimensão.
Viro as horas,
e espero pelo maior,
que me sugue até a alma,
e que me sobre a falta de ar..

Findar

Já é Junho novamente e meu amor
pelo findar do ano me traz serenidade.
Quantos dias de meus dias reparei,
os centímetros de minha felicidade,
as raízes de meu sorrir, no caminho incerto.
Tão certo de si mesmo que não me contas.
Nem me conto mais como antes, conto comigo.
Comigo conto de verdade.

Seria eu?

Hoje entre pergaminhos e minha inclusão digital
acertei uma dívida incalculável, persistente e fibrosa.

Seria eu , pedaço de meu sentir?
Seria, superfície de meu pensamento?
Seria, transversal no mundo?

Sou toda parte de mim que insiste,
sou até toda parte de mim que não é minha.
Sou no verso de meu verter agudo
a sinceridade de minha dúvida, o respeito
a minhas convicções a amplitude de meu querer.

Paguei com amor a dívida de minha alma,
e recebi o troco da satisfação pessoal.
Bendita seja a vontade resplandecente.

terça-feira, junho 9

Sinfonia de quadros brancos

Suspiras um desespero contínuo,
graduando cada linha da voz.
Uma sinfonia de quadros brancos
e tinta adormecida.
Clemência de fé amargurada,
nada compõe o transeunte
de seus pensamentos.

Façanhas de uma voz amiga.

Antes de dormir,
Conduza o pensamento até o norte, lá arremesse suas palavras em silêncio, peça esclarecimento e luz amiga. Do sul peça o permeio do perdão, clemente e esperando por diferença. Ao oeste, digas bem baixinho... acalma-te e tudo realizará, pedindo a mão que lhe conduz um alento. Ao leste, preencha as lacunas. Um golpe justo do racional ao que virá.
E durma.

Discurso poetico de poeta que nunca fui.


Em meu discurso poético travaria ilusões, diria mil mundos e fundos de eiras e beiras translúcidas. Faria correntes de humores esbravejantes e sentinelas em molho rose. Sentimentos flutuariam e os puxaria de modo complacente a conformidade, todo minuto seria de sagrado sacramento a beldade avistação do poeta que nunca fui. Ah! esse discurso poético de poeta que nunca fui, jamais poderia. Se minhas mãos não afagam aos minutos as minúcias dos amores que perdi, nem mais declamo em pedaços de papéis misturados ao chão sujo o meu clamor matutino, o meu entristecer entardístico e minha semeadura noturna. Nunca fui poeta de conduzir as palavras para os sete ventos, nem a dois passos daqui. Poeta não sou se as sílabas me fogem, se não escrevo de imediato. E se não o faço, os sentidos escorrem sobre os olhos e evaporam na solidão. Isso sim sei fazer de melhor, quando só, conduzo o pensar mais exausto que existe. Aquele pensar que se concebe e se traduz no mesmo ser, o velho pensamento da existência de um poeta que nunca existiu em meu coração... ou persistiu no mundo.

O que fica, onde fica todo o resto.

Alcançando a rramigência me despi de lucidez e qualquer pálpebra de minha delicadeza. Acarinhei o descaso de minhas falas e arranhei outros com meu olhar. Uma a uma, despindo a saliva como deserto no mundo, secando as margens de elucidações e opinatividades. Rasgando com cada sílaba minha a extremidade de seu possível ensejo. Viradas e lembradas de cada palavreado, contidas em suas expectativas corrompidas, dilaceradas... perdidas.


Sou ruim do quanto que me permito.