sábado, agosto 22
Jamé
Sentidos
todos eles, reprimidos.
Minha boca não gosta,
meus ouvidos não captam,
meus olhos não se abrem,
minha pele não almeja...
meu nariz, coitado.
Nada sinto.
Feche a porta
quem falou,
quem esbravejou;
"Feche a porta"
Não me ensinou
a girar a maçaneta.
Quanto te magoei
deixei.
Parti dos rumores amigos,
me despi.
Quando te magoei,
me retirei.
Descumpri.
Nem sequer alardei.
Quando te magoei,
permiti, fugi.
Precisei.
Quanto te magoei,
me magoei também,
de tudo que lhe deixei.
Uma criança.
Que sorri com a vida que Deus lhe entregou.
Não há sopro de tristeza, não há uivo de solidão.
Pois uma criança, acolhe tua vida com seu sorrir.
Que mistério contagioso, que permeio perfeito..
da alegria do maior bem, o mais valoroso...
do sorriso lindo que uma criança tem.
Não sei do bem até que ele invade,
transpõe qualquer significado,
na vida do rosto de um pequenino
um sorrir do peito amigo, coração amado.
sexta-feira, agosto 21
Meu dia favorito
segunda-feira, agosto 17
"Fraca"
Nota de dois tempos amadores
sábado, agosto 15
Será?
Talvez possa, enumere em vinte dígitos minhas
qualidades e defeitos. Diga meu nome e sobrenome,
o mistério das premissas de meu signo.
E talvez trace minha idade, fale de meus sonhos,
meus trajes e minhas vontades. Minhas perdas e
meus triunfos, minha família e meus amigos. Se sou
o amor que fui ou no que permaneço, se falo alto,
durmo cedo ou se festejo meus aniversários...
Se acordo de bom humor, se ando descalça em casa
ou se bebo socialmente. Se gosto de azul ou verde?
Pratico esportes? E se já pratiquei a arte de mentir, a
leveza de sorrir ou o findar do choro.
Se abraço apertado pra não perder ou dou dois beijinhos?
Se sou o meu time, minha cidade, meus versos e minhas
alegrias. Se sou as músicas que ouço, as palavra que digo
ou até mesmo quando digo não.
Se acredito no mundo, na vida e em Deus? Se tenho fé,
respeito ou gratidão? Se sinto cosquinha no pé ou na mão?
Se sou o meu amor, a minha amizade e minha emoção.
Se sou a minha mãe, a minha avó e meu irmão.
Talvez eu diga tudo isso,
e você aceite.
Talvez não.
Mas quem sou eu aqui,
além de minha verdade?
sexta-feira, agosto 14
Esta
Silêncio
que no eco de sua magnitude fui vítima.
Ressoava o cântico dos esquecidos...
e perdiam-se as falas por lá.
quarta-feira, agosto 12
Assim que tombei
dessa fúria que atormenta.
A tremedeira que desorienta
um espasmo nas nossas vidas.
Tenho um pouco de paciência
um restinho de consciência,
uma pitada de carência,
mas não condescendência.
Já não tenho dúvida,
o tirar do sério é verter em mágoa,
o lavrar do ódio é subir em água,
e a resposta está na partida.
Tenho um pouco de aspereza
um restinho de clareza,
uma pitada de tristeza
mas não tenho mais sutileza.
terça-feira, agosto 4
Santa Luzia
Partir
ou você vai...
e parto também?
Talvez partir de você,
quando você partir daqui.
Pois o partir de mim..
é o que parece acontecer.
Fatiadas as vontades
todas elas
partiram ao prato dos sabores.
um a um,
devorando aos poucos,
incumbindo de sentir.
E descendo ao saciar,
dos prazeres, todos eles.
Terminar.
Ontem no sexo
me passei
mas reparei
no teu sexo.
ontem mesmo,
reparei, olhei
transei
em perplexo.
ontem mesmo,
eu cobicei,
cada vez mais
teu nexo.
ontem mesmo,
quem diria
eixo plano,
tão complexo.
quarta-feira, julho 29
Desconhecida
terça-feira, julho 28
Volta e meia
onde foi mesmo que me interessei por suas diferenças?
Até onde minha indiferença se fez desmoronar.
Numa suplica de sugar um pouco de ti,
engolir suas palavras e seus cânticos,
me suprir da carência de suas loucuras.
Jamais compreendo seus passos,
e me entrego a eles, volta e meia.
Mas dou meia volta sempre que posso.
E de volta?
Minhas diferenças são diferentes demais.
segunda-feira, julho 27
Manual
nem seus laços,
só uso tropeços,
me uso pelo avesso...
não uso o desuso,
de dizer adeus....
eu não digo adeus,
ao adeus recluso.
não uso porque...
não sei usar!
onde está o manual,
que botão apertar?
domingo, julho 26
Por mim, de um outro olhar.
Parte.
Amor de amores doídos e amados.
como ontem foi também,
ontem doeu de tanto artifício..
de tanta esperança que coloquei.
Hoje dói a dor do mesmo,
a mesma dor doída lá atrás,
ferida mestiça de outra face,
cantiga do peito de outro rapaz.
Hoje sei que é sempre a mesma,
a dor que incita meu coração fraco,
abalo amigo do peito amado,
meus dias perdidos, sem afago.
Hoje premissa de um começo imune,
não há de convencer esta vida,
está dor no peito, amasso constante,
essa coragem já esquecida.
Hoje e talvez um dia,
existirá aquela ilusão,
aquele começo de púrpura fronte,
aquele desejo... sem consumição.
Hoje contradigo o que dissera,
nada mais me é verdade em mãos,
amor de amores doídos e amados,
feridas do peito, consolo do não...
Entristeço
é arremesso de mim,
é volta do desmoderado
é conserto do infinito.
desmereço esse meu corpo,
minha alma me reclama,
onde estou as vezes, minto.
Não estou, não...
terça-feira, julho 21
Farrulha
Caro amigo
Preciso lhe falar de conduta,
a única que me trouxera a ti.
te sorrir me desperta algo bom,
ser bom me confidencia a eternidade.
Ternos dias de minha habilidade,
as vezes mal conduzida amiga.
Descrente de palmas cálidas,
assobios próximos de fraternidade.
Em que ilha nos perdemos?
As partes de tuas partes se foram,
só o azul a me dizer do teu esquecimento.
Na variedade calejante de meus dias.
Não esbravejando nos meus dentes.
Perto de minha rapidez,
fui sempre com olhos abertos,
e eles caíram novamente,
despertos demais para o amor.
Ressurgiria em mil anos,
as vozes da criança que falara,
do murmurinho de meus indutores,
das notícias dos dias que me cercam.
Me diga de imprecisão,
onde foi que nos perdemos
além de em nossos corações?
tempos de ser ninguém.
sou a fortaleza de minha mentira,
ruptura de minhas verdades,
a intolerância de minhas palavras,
sou o verter da falta aguda,
o fim de meu conhecimento.
sou o reluzir de uma jóia antiga,
a escassez de minhas felicitações,
o embromar de minhas atitudes,
a esfera de minha solidão.
Em meus tempos de ser ninguém,
um alguém desperto de ambiguidade,
da vera que é residir em Saturno,
dos cortes que são protegidos por belezas frágeis.
Nada aplica a juventude,
a sabedoria de palpear um doce,
não engole nem transcorre ao sumo,
dedicando, pontilhando, esperando...
em tempos de ser ninguém,
só ouço minha permanente brevidade.
Eu, me esqueci.
domingo, julho 12
De todos os vales que cruzei... muitos suspiros agudos, certezas categóricas
e tragédias eminentes. Assim fulo. Tolo transeunte de minha alma, querida parte de meu mundo, olho a lente que observa.
Onde vai se desdobrar a fúria? Em que parte de meu mundo as tendências se esvaiam,
em que percurso a vida fará a tranquilidade das formas.
Onde trairei meus medos? Seguindo indulgências de meu coração, afirmando a parte de cinza premissa em acordo de montanhas e depressões.
Farei de mim o rei de meu mundo? As guias da fala do peito erguido, a dúvida que transforma meus dias e a fé incumbida de reluzir meus olhos.
Espero pelo tear de minha prece, até que me canse de redigir, uma, duas; por mais escritas as palavras certas, ou acertados planos queridos,
Onde estarei além de aqui,
somente em mim.
terça-feira, julho 7
Cura
no circunscrito das palavras,
na perdida proclamação das estrofes.
Algo que não sei decifrar.
Há algo perdido em inúmeras falas,
nos dias em que a falta me disse mais alto,
em meio aos termos que minha boca pronuncia,
Algo que não sei traduzir.
Há algum porque das minhas vias,
dos dias em que algo não me basta,
nada me cura se não sei o bastante.
segunda-feira, junho 22
por um fio
arranho o ventre de meu mundo,
descarrego a primeira fita,
da segunda eu desaconselho.
Vem a mim,
para padecer de dias leves,
calibrar o azul dos olhos,
e ver o mundo anil de imprecisão.
Não, não....
chega dessa maldade em soul,
se não sou por puro querer,
esse ser que acompanha a raiva.
Plantio dos inúteis,
cartel das pedras atiradas,
moinho de vento hostil.
Acalma-te.
Nem nunca.
dessa água não vou beber,
para não mentir.
Mas se for pensar,
se for dizer,
não quero nem saber,
não estou nem aí.
Tudo que tenho cabe
nos meus braços,
tudo que sou abraça meu dia.
E só disso sobrevivo.
Meu jeito
me mata
um dia.
meu jeito,
me afoga
um dia.
meu jeito,
sem jeito
me arruína.
meu jeito,
irracional
me domina.
Que sina...
quarta-feira, junho 17
Bom dia
por mais noite escura,
nas frestas do mundo
os raios de sol,
florindo nas margens,
do sul um bom dia,
regando de luz,
mais uma vez...
mais um dia.
terça-feira, junho 16
Assim.
Assim que ouviu a primeira cantoria
Pedaço da fonte de meu dizer, acredite.
Mendigo de meu recriar de amor profundo,
de pedra que reside ao chão de minha vida,
não apaga a cantoria de meus riachos.
Desvio meu coração as suas fontes,
suas fontes tão belas de segredos persistentes,
me amais como amas um alguém esquecido,
ficou a quinta parte da parte que me amou.
Fiquei com tão pouco do pouco que me sobrou.
Um quase nada de um amor que não me amou.
Assim que recebeu a primeira carta
Falais,
Se já me apego no desapego de te amar.
Se sou destroço, um troço vivido de se queixar.
Sempre acontece, declinam rumores de meu amar.
Não amo, apego, pois esse mesmo.. me faz declinar.
segunda-feira, junho 15
Estrago
de polpa macia
e suco apetitoso.
me buscou os
sentidos,
e saboreou-me
olhar feliz.
caiu-me da mão,
rolou meu pedido,
meu sentido..
e minha razão?
Fazer sentido
que parasse o bendito,
na porta do tempo.
ele já rolou as escadas,
por um pouco, desceu degraus.
o sentido é único
quando em declive.
o sentido muda
se mudar o único....
Ser amor ou ser alheio.
onde estou me aconselho,
sempre digo ao ouvido,
pois ao coração não permeio.
Onde dói a dor do outro,
a não ser em si mesmo,
na dor, flagelo mundo,
esquecido dos anseios.
Um passeio conturbado,
onde dói a dor do outro?
A não ser em si mesmo,
ser amor ou ser alheio,
quando o passo se estremece,
e saber, desaconselho.
quarta-feira, junho 10
Sempre
matutino de minhas irmãs.
A rima precisa de nossas
piadas infames.
Mas sempre espero a
voz aguda de minha irmã maior,
a doce criança de seus olhos,
o abraço do resto de nossas vidas.
Sempre aguardo pelo enraizar,
da árvore nascente em meu coração,
do cuidado e cuidando dos dias,
até o florescer da felicidade.
Aguardo pela reunião da espiritualidade,
da luz que clareia minha alma amiga,
do sorrir de sua hombridade,
da serena distribuição de seu ser.
Esperanças
Findar
Seria eu?
acertei uma dívida incalculável, persistente e fibrosa.
Seria eu , pedaço de meu sentir?
Seria, superfície de meu pensamento?
Seria, transversal no mundo?
Sou toda parte de mim que insiste,
sou até toda parte de mim que não é minha.
Sou no verso de meu verter agudo
a sinceridade de minha dúvida, o respeito
a minhas convicções a amplitude de meu querer.
Paguei com amor a dívida de minha alma,
e recebi o troco da satisfação pessoal.
Bendita seja a vontade resplandecente.
terça-feira, junho 9
Sinfonia de quadros brancos
Façanhas de uma voz amiga.
Discurso poetico de poeta que nunca fui.
Em meu discurso poético travaria ilusões, diria mil mundos e fundos de eiras e beiras translúcidas. Faria correntes de humores esbravejantes e sentinelas em molho rose. Sentimentos flutuariam e os puxaria de modo complacente a conformidade, todo minuto seria de sagrado sacramento a beldade avistação do poeta que nunca fui. Ah! esse discurso poético de poeta que nunca fui, jamais poderia. Se minhas mãos não afagam aos minutos as minúcias dos amores que perdi, nem mais declamo em pedaços de papéis misturados ao chão sujo o meu clamor matutino, o meu entristecer entardístico e minha semeadura noturna. Nunca fui poeta de conduzir as palavras para os sete ventos, nem a dois passos daqui. Poeta não sou se as sílabas me fogem, se não escrevo de imediato. E se não o faço, os sentidos escorrem sobre os olhos e evaporam na solidão. Isso sim sei fazer de melhor, quando só, conduzo o pensar mais exausto que existe. Aquele pensar que se concebe e se traduz no mesmo ser, o velho pensamento da existência de um poeta que nunca existiu em meu coração... ou persistiu no mundo.
O que fica, onde fica todo o resto.
Sou ruim do quanto que me permito.