sexta-feira, março 19

Seja lá o que for isso.

Vamos diminuir um pouco,
essa marmota toda.

quinta-feira, março 4

A Frieza

Já não levo a frieza como maldade,
Já não lembro do frio como distância.
A frieza nos lembra do calor de outrora,
e nos mantêm aquecidos por dentro.

Já nem sequer frieza longínqua,
não lembro do frio como estático,
A frieza nos torna próximos de nossos sentimentos,
nos realiza um volver de entendimentos.

Já não sei ser sem a frieza,
arma contra meu desconhecer.

sábado, fevereiro 20

Carta brava do mundo novo

Eis a carta brava do mundo novo,
onde conto minhas aventuras.
E me despeço de alianças,
pois as guardo em meu eterno.

E de novo, eis que belo
o púrpura de se renovar..

e achar..
que sonhar.

segunda-feira, fevereiro 1

Apatia

Já não sei se ponho as minhas fichas nessa mesa, sentei como quem nem poderia ficar para beber um copo d'agua. Mas acabei me rendendo a essa tamanha distração, ou seria apenas, uma das mil maravilhas que desaguam as beiras dos rios... e correm ao longe. E é tão estranho permanecer sentada em apatia, tão estranho quanto essa pessoa que já não compreende mais seus versos.

No one

..e existe uma verdade
inexata e insensível nisso tudo, eu sei.

Mas não é nada, nada além..

desse medo ofuscante,
que me fez fechar os olhos,
e respirar em paz, agora.

quarta-feira, janeiro 27

Esquisito

As vezes enxergo o mundo em esquisito,
o que é esse nome estranho e preguiçoso
que se arrasta em sílabas e mais conjunções?

O que é significar sem significado e lembrar
o esquecido por perder de visão?

E por ser tão querido, amado e envolvido
não estar de, de por inteiro... mas na solidão?

E me pego a desenhar, captar e pensar..
esse mundo é esquisito ou sou eu que vi errado...
Sou quem não viu certo, não?

Aos montes

Faz jus a minha vida
eis que tragas sede,
eis que tenhas fome.


E recolha aos montes,
toda essa carga antiga,
terço de rosas despetaladas.


Pois atinge a promessa,
quando segues próximo,
e retêm ao todo, tudo meu.


Já não sei te remoer,
nem dizer, volte logo.
É a crença do desgosto.


Pois talvez tenha esquecido,
da dor do mais querido,
que é trazer um novo alô.

quinta-feira, janeiro 21

Satisfação

Estou viva, respirando e satisfeita.
Satisfeita? Jamais estou satisfeita..
sou feita, de toda essa massa inconclusiva.
Dessa praga que é escolher, e prever?
De promover e ficar feliz. Feliz de bem consigo.
Infeliz, talvez por poucas chances.
Poucos tiros no escuro... mas bem dados, explosivos.
minha satisfação, insatisfeito modo de meus desejos.
todos eles, corrosivos...
todos eles por respirar de menos.

Em dois

Já não sei mais, e se soubesse
não adiantaria falar...

as palavras são feridas,
aferidas por quem não tem.

e se pudesse escolher,
ah se pudesse contar...

te contaria as minhas sílabas,
te mostraria o meu falar....

além

não é mais nada,
do que mais uma,
decepção.

não é mais nada, além..
de toda essa divergência.
congruência do azar.

nada, não é mais..
do que mais uma,
tola e desconcertante,
desilusão.

sábado, janeiro 16

Plena

Desenho flores,
como se procurasse
minha cintilante fuga.

E se elas são doces,
em cores de verniz,
é porque assim, posso..
assim posso tudo.

Se desenho flores,
e nas flores me desenho,
eu as faço de finas maneiras,
mas não de traços certos.

E se elas são bonitas,
em mais do que bonitas,
é porque assim posso..
assim posso tudo.

Estamos conversando, por fim.

Estamos aqui, novamente. Eu e você conversaremos mais uma vez, mais uma última vez para ter certeza. Ah sim, tudo bem que você disse o que não queria ouvir, e lhe ouvi algo que não quisesse que dissera. E disse tão cheio de curiosidade, tão cheio de verdades. Somos tão assertivos para concluirmos certos, somos duros... Aponta-me o coração e fecha-me a boca, nenhum dos dois fala o que a cabeça transmite, pois pulsa a refinada maneira de perdoa-lhe as fuças. E novamente eu e você, você e eu conversamos por uma última vez. Uma última vez procurando a última palavra, aquela que daria o fim do fim, de toda essa falta de finalidade.

Zeloso crescente.

Adoro teu zelo,
teu zelo, amado.
Sumido, inesperado.
Desfigurado, coitado.
No tempo entranhado.
Por mais que calado,
é mais que amado,
muito mais que esperado,
e muito bem cogitado.
Teu zelo, parado..
mais que amado,
mais que amado...
mais que amado....
mais que amado.....

sexta-feira, janeiro 1

Frente e verso

E em seu caderno, escreveu-me:
".... E assim sussurrei teu nome em letras formais, únicas que me valiam alguma coisa. E apossei-me de outros ventos, outras sílabas.
Poderia ir ao alto de minha consciência, e dizer-te que jamais cobrarei estas palavras. Mas seria como tripudiar de meus sentimentos. E no envolto da escolha de meu título, fui mais fundo. Pedi ao meu perceber que me dissesse, sem malhas, o que seria-me convencional. Pois de convenções nos socializamos. "

Primeirando

ela se acomoda a beira de minhas costas
e meus sonhos são mais tranquilos.
se desdobra para acomodar-se no pouco espaço,
e virtuosa se estende em minhas propriedades.

irei compreender?

terça-feira, dezembro 8

Metalinguística minha

Passam-se dias, tristezas e origames. Já não posso mais dizer-me as mesmas palavras, elas caíram como frutas maduras e se incorporaram ao chão de meu passado. Tudo que tenho está onde nasci, e nasci de minhas palavras. Para ser mais compreensível, o sopro que sussurra meu nome descreve a minha pessoa, mas o nome que contempla a minha alma se descreve a cada minuto. Renasci em meus escritos, como se pudesse ser o que quer que fosse, para ser-me novamente. E através de tempestades pude abrandar o pobre coração que me acompanha. Gosto dos terríveis mistérios do mundo, da podridão e ressurgimento da alma, caridade e doação, adoção a vida. Não me perturbo diante de obstruções de sentimentos, os exalo como se fosse minha própria essência viva.
Caída sim está, a minha memória . Aos vinte e um anos esqueço de muito, por muito que pudesse querer. Lembrar-me as vezes é tão difícil quanto amar, estou submersa e ao mesmo tempo sou parte insuficiente da trama. Meus cavalos todos perdidos, cada um em uma rota esperançosa. Perdi parte de minha vida por esse descuido, trato de pensar se esqueço por falha aguda ou se esqueço por não querer lembrar-me de fato. Judiando da minha eterna capacidade de desvendar meus mundos.
Já disse que rasguei meus hábitos? As vezes de nocivos eles me invadem, não sou do tipo calculista e progressiva, por muitas desabo em meus ócios. Verdadeiramente os rasgo, num grito não tão esquecido que emerge, ou numa dancinha inesperada no meio da sala vazia. Não há qualquer sombra de desrespeito com essas atitudes, só são cabiveis a quem cabe nesse mundo. E transito pelos dois, sem a menor dúvida. O palpável e seguro também me agrada, não posso ser sem minhas preces, não posso ser sem minhas posses.

sábado, dezembro 5

Alberto Rosas III

Desde que suas mãos ao meu rosto áspero,
do que não se fala nem entretêm,
sou dureza em desalento.
Uma espécie de velho mendigo,
apego aos velhos trapos dissolvidos.
Grudando os dentes em podres escolhas,
olhando pro mundo como um qualquer.
Sou da voz que assobia meus sonhos,
não do tempo em que escutar era miséria.
E em meus laços de infortúnios prazeres,
és a maciez de um olhar esquecido.
No que tange minhas expectativas,
és a verdade de meu submundo.
E largado em ti como a mim jamais pudera,
vivo das cordas que tuas mãos dedilhavam,
esperando que toques para mim novamente,
e que nada reduzisse sua alegria a uma projeção.
Se conto o tempo em dedos minúsculos,
é porque fostes das horas a minha precisão.
Onde assertivo escolhia os pequenos,
em minutos dos quais procediam seus sonhos.
Travo meus pesadelos em contos finais,
e morro de pena da minha calmaria.
Por mais absurdo e desconexo sentir,
não me obstino de nada que não te proponhas.
E durmo o sonho dos rejeitados.
Presumo jamais cobiçar-te novamente,
até que esqueça o que presumi.
E lembre da força da tua lembrança, dormindo.
Caindo no mais tardar de suas lágrimas,
onde sozinha recobres a vida.

A Pedra e a Rima.

que tanto fica,
morta em desalento
reside
no chão duradouro.
e exibe, estática
sua lonjura,
opaco sentimento
de insolução.
travando, perplexa
uma luta diária
contra a conclusão.
Ser conexa ou distante,
do viver primores alheios,
cheios de condução.

Reserva

Semeio meus dias,
em um despejar de sonhos.
Coberto e cintilante,
do púrpura que é o amor.

onde conto meus sorrisos,
preservo minhas cores.
a vivência de meus pensamentos,
nos vales de tuas palavras.

e emudeço minhas mãos
a sombra de tua possibilidade..
enfraqueço minhas reservas,
e permito a condução...

do talvez.

Desidério.

assim que puderes,
de-me notícias..
de longe não posso,
nem persisto,
nessa indulgência de meu coração.
a aspereza de lembrar,
é quando a prece abandona.
dela me envaideço,
e me perco.
Desidério...

O criador de criação alguma.

Saiu as pressas num cavalgar, supriu as dores e travou o peito. Desceu a escadaria, abriu a porta e logo sentou-se. Bebeu um trago e olhou em volta, mas nenhum de todos cobriu seus olhos. Homens, mulheres e bichos dos quais a mistura era produto da falta de embriaguez - ou de sorte. Mordido dos quatro cantos, para ver melhor que o mundo inteiro tomou-se do outro a um outro embebecido, embebedado. Cantarolou o nome da meretriz, sucumbiu aos sortilégios de ser humano. Caiu em si como que no outro jamais houvera, entristeceu-se. Chorou cravos e pregos, viu o faro alheio lhe interrogar, estremeceu a cadeira. Aquilo lá de quase sacrifício, um repugno da vida prescrita, ceia de condes ricos e esquizofrenicos. A copula dos transviados, dos inaceitos, dos recolhidos de seus sois. A maestral condução do minguar do mundo, no nascer do crime havia alma. E essa esfarelava ao chão carcumido.
Presente de corpo, esdrúxulo. Sentiu medo de quando se hoje era agora, e o depois tão longe de existir. Ao pacto de suas esperanças não restava nem prece, perdeu-se no embebecer de uma droga maior, o vício. Tomado pelas pernas, pelas esquecidas tramas de sua juventude e pela emergente palidez de suas frestas onde jamais esperava residir. Pediu clemência a um estranho que lhe questionara de seus bolsos, levando-os. Estava perdoado.
Sorridente de sua conquista, andou pelo salão com um sapato e pouca visão. Mulheres desnudas de roupas e manchadas de pecado. O batom que exprimia o sexo deixara lugar para a mancha dos preservativos, não usados. O gozo de suas vistas embaçadas jamais soletraram um contentamento externo. Era melhor permanecer turvo e misterioso.
Caiu no chão de plumas vermelhas, de drogas e bebidas estranhas. Caiu no chão dos justos, o sono dos esperados. Lá permanecia como chegara, ninguém. E até que seu corpo velho incomodasse a passagem das meretrizes, nenhum o indagaria. No rodar das mesas as tropas de ricos inflamados, o jogo e a esperteza do sexo. Dinheiro e sexo erguiam as vestes daquele mundo, e por mais que de minúcias simples vivessem, do infortúnio e pesado trocavam rumores de inferno. Bebiam os desejos escondidos de suas noites, na maldade de seus olhos e no escárnio de suas mãos fétidas.
Largado e perdido de sua imagem, até que acordara com frestas do caminho da manhã. Levantou devagar segurando a cabeça, caso a houvesse perdido, talvez. Saiu como quem nem vivera nada, e de fato viver e contribuir não fosse sua melhor dose. Mas olhou para os pés com ar de enaltecido,
alguma coisa ocorrera.

sexta-feira, dezembro 4

transpor bartira

Ali parado,
descrito.
Em sinonimo,
mesmo distante.

Me abster,
de saber,
é resistir.

Mas no resistir,
persisto no sentir.
E reconheço,
despenteio..

e repito comigo;

estava lá,
e agora, aqui.

segunda-feira, novembro 30

Desse tanto

Assim, quem dera.


Te cubras de paz,
te lances ao mundo,
sem dizer adeus.



Um adeus desse,
de quem nem sabe,
o que existe aqui.


Desse tanto.
E de maldade
não te cubras.
Te oriente no longínquo,
te desesperes quando fora...
Pois certeza é vilã.

quarta-feira, novembro 25

Compulsividade

Andei por uma hora atrás de meus afazeres, resolvi incumbir meu dia de todas as aparições do mês. Paguei as contas, paguei meus pecados e minhas dívidas. Sobrou-me tempo, para mais gastarias. Olhei a vitrine num corpo colorido, pensei-me - sou daquela cor? - e ilustrei minha silhueta informal. Disse-me de forma bajuladora - é o ponto de sua cintura, alargador de sua vistosidade - e cobri-me de vanglorios inúteis. Posso dizer que massivos? Talvez, mas meu ego me traduz formatos as vezes incompreensiveis, as vezes corruptiveis. Mas na maioria, suspiros de olhares espelhosos. Cantei aquela roupa como se fizesse serenata, cortei as dúvidas de meus cartões em benefícios parciais, eis a burrice. Duas, três, quatro? Há mais de mim nos próximos meses e pouco do meu capital. Venceu-me o vício e criou-se assim alguns afazeres para o conseguinte, pagar minhas contas, minhas dívidas e sucumbir novamente aos pecados.

Querido

querido,
dos pedaços
e brotos
de minha verdade,
és aparição.

e castigo
as palavras
todas elas
incessantes..

procrastinando
meu desejo
na minha fala..

querido,
no mais
do meu porém,
vos digo;

acalma-te.

quarta-feira, novembro 18

Serei melhor anfitriã

Ela vem e me sorri,
se sorrio de volta? Sim.
Mas que venha em silêncio,
não posso da fofoca,
fazer-me conversa.

Estou em meus pensamentos,
ocupada em minha fala,
preocupada dos meus,
congruindo em meu amargor.

E se por enquanto, de leve..
me deixes.

Serei melhor anfitriã.

domingo, novembro 15

?

Tenho as minhas flores pra alegrar,
na janela do meu sentimento intenso,
debrucei meus olhos naquela varanda,
senti que jamais poderia fazer igual,
ou que não deveria, não mesmo.

Tenho manias estranhas.

Mirando

Parei ali, sozinha
sentei-me.

Olhei as pessoas,
andando..

Fui me inventar,
nos outros.

Eu pensei por um;
será que seria feliz?

E me respondi,
não é bem assim...

domingo, novembro 8

Dançando

Dançamos nas terras de nós mesmos,
quem disse que do outro fizemos moradia?
Moramos nos passos de nossas próprias pernas,
valsando no tempo que a música produz.
E a cada centímetro que passou de uma a outra,
circulamos sobre nosso epicentro,
galgando mais um passo, mais uma única e verdadeira dança...

domingo, novembro 1

Wind Up

(baseado em Wind Up - Jethro Tull)
Meu Deus,
porque em minhas preces
enxergo vossa amada presença,
no tudo que.. me necessito.

Não sou do tipo boreal,
se me sigo de amores a vida,
e não me cubro de provações alheias.

Sou do meu amor pleno, meu Deus.
Sou da água que me respeita as manhãs,
e da luz que me permeia e me avisa.

Não sou a criatura que fizestes,
sou algo que não respeita a imagem.
As vezes não acredito nesse existir.

E se, Meu Deus..
tiver de dizer ao mundo o meu,
o que será de mim então?
O que será da minha solidão..

Do tanto que preciso,
ao que agradeço, de fato.
E assim, dos santos regrados..

não sou a melhor das criaturas.

Ele furta minhas forças

Me furta as forças,
como abres minha casa aos domingos,
e rouba todos os meus tesouros.

Furtando cada encher dos pulmões,
minha antiga caixinha de música,
meus dez anos de tanto quanto.

Meus escritos mais queridos,
dos mais longos e restritos,
dos mais singelos e amados.

Me leva tudo que produzo,
reduzo a face de minha normalidade estática.
Sou só descanso do cansado que é viver.

E se por acaso se despede,
é com o acabar de todos meus pertences,
destruídos ao chão de minha varanda.

Dando adeus a tudo que me embala,
dando até logo a próxima investida.

sexta-feira, outubro 30

Pratinhos descartáveis

Pratinhos descartáveis?

A comida cai,
a faca rasga,
o garfo fura
e tudo vai embora de qualquer jeito.

Realmente

...nada disso, saliento.
Me deixe em paz,
na paz de me deixar,
é que me encontro realmente.

sábado, outubro 24

23:43

Parece estar tudo errado,
tão deslocado.
A dissonância dos passos,
a frigidez de outros fatos.

Requer a tudo um ajuste,
incompreensivo, de fato.
Recluso e conciso, longínquo.

Uma pedra

Uma pedra como esta
preciosa e cintilante
aos olhos tão cheios de vontades.
Infelizmente,
está perdendo seu brilhar,
está perdendo seu mirar,
está se tornando opaca.
Uma pedra, apenas.

Sono

Está chovendo, mas aqui dentro está tão abafado. Posso sentir a carga pesada no ar, o peso de respirar essa massa quente. Depois das onze não abro mais a janela, das frestas é tudo que se refresca. Tenho medo. Já não tenho nove anos e pulo de pontes sem sentido, meus deslizes são mais perigosos e minhas pontes traiçoeiras. Penso em beber água, vou pra cama. Deito e reflito sobre a vida como se fosse minha última chance, impune. Como é difícil pensar nessa densidade. Rejeito os primeiros, decoro os segundos e no terceiro, finalmente durmo. Daí pra frente tudo se acalma. Tudo faz sentido...

sexta-feira, outubro 23

Carta do Limiar

Você,
De minha maldade a impunidade; é você meu limiar. Me transpõe em algo que suponho não ser, nem saberia se só. Ainda que possa, se desejo é cada pedaço de meu pensamento e se fracos os vestígios são amontoados... subvertem minha bondade. Será que é verdade? Não há mistério nos meus dizeres, há controversa nos meus fazeres. A tua fala que abrandava meu coração agora se despede, se o costume regenera minhas forças, eis que troco o não pelo que seja. As vezes, você, do gosto mais profundo das minhas recordações, da fala trancosa de meus dias solitários... as vezes você é a parte de mim que rejeito. Essa rejeição com gosto de prazer imediatista, eis que provo formoso e descontente, com a boca cheia de tuas formas. E me engulo de tanta rejeição, sentido a cada destilar o calar desse teu significado ausente.

quarta-feira, outubro 21

Ele eu

Ele tem,
o que eu,
o que nós,
nós teremos,
sou sorrir,
dividir..

sorriremos.

Não gosta

Jamile não gosta de quiabo,
não suporta quiabada,
não entende o quê da baba,
traz prazer ao paladar.

Eis cruel.

Eu desminto

Eu a amo como um desejo secreto,
que desminto aos poucos....
porque nascerás de minha conjunção,
e serei plena quando vieres.

Eu desminto o meu amor de mulher,
porque quero poder abraça-lo,
distante sonho de pernas grandes,
me abre os poros e vais embora.

Eu a amo porque é a margem de minha vida,
será o deleite de minha criação maior,
nos braços de quem te ama, pequena...
Serás o mundo de minha feição.

Eu desminto o meu amor de mãe,
não sou mãe nem de mim,
não construi meu castelo conexo,
que pasta nas veredas do meu querer.

Eu a amo porque me escolheu,
e se sou da pequena a escolha, serei.
O grande afago da sua vida inteira.

Eu desminto tudo ao passo das minhas expressões,
onde fala a boca e desmente o olhar,
nada posso, mas penso em verso sim,
em poder realizar.

terça-feira, outubro 20

Sem sequer

Se te olho e não te vejo, que maldade desses dias.
Na docilidade de meu olhar as peças que preguei no teu nome.
Cada vez que proponho um avesso, não enxergo sequer solução..
é mais fácil e prazeroso ver-te em nome agudo, do que não.
E congruentes segues em nome que soletro devagar,
que nos dias corrompidos são alento, e esperar.
Talvez porque nem saiba, nem tente sequer...
não me encho de prazeres, sem sequer estar lá.

Pão de açucar ao chão

Temei com o pão de açúcar na boca, espalhei tudo no chão. Cada cristal de minha saliva, a gravidade da sujeira. Sou descuidada mesmo, não reclamo não. Meu transtorno é o linear, me figuro no não. E se caiu no chão de formigas, deixem elas e seu banquete. É tão pouco do que me tenho, do que me tem? Nada me tem. Além do meu coração.

Escrito numa nota fiscal

A quem me referia,
quando falei,
se é que existe
pintura de ser algum.

A quem me conduzia,
dizia não.
Da longa doçura do talvez,
do desprazer do em vão.

A quem reclamei,
se criei, descuidei...
agora de minha solidão?

Maria Eduarda

SAIU DOS LARGOS BRAÇOS
EIS A PLENITUDE!
VOOU NO CHÃO DE GIZ,
ENCHEU OS OLHOS E O CORAÇÃO DE SEUS PAIS
TRÊS PASSOS E O MARCAR DE UMA VIDA INTEIRA...


VOCÊ ANDOU PELA PRIMEIRA VEZ!

sábado, outubro 17

O porre

Tomei um pouco, que porre.
Se bebo mais, eu compreendo,
entendo.

Aturar,
se o porre é o durante,
mas prefiro no depois,
me embriagar.

No vagão

não sei não
se esse vagão.
me segura.

desastroso como ele,
populoso assim,
e eu aqui?

minha fuga é assim,
ou eu pulo do vagão
ou ele me joga, nos trilhos....

O amor dos brutos




Tomou as mãos o frango e o arroz e enfiou tudo na boca sem qualquer parcimonia. De lá emergiam restos e grunhidos, gritos dos pobres engolidos e sacrificados. Mastigava pouco e engolia tudo tão rápido que as bocadas desvencilhavam mesas de jantar inteirinhas. As unhas cheias de carne, nos dedos a gordura do assado a criar uma película de um bordô dourado. Seus braços gordos e peludos se esticavam de forçoso para o rebobinar da situação, entretidamente consumida em si por algumas longas passagens. Nada cercara seus olhos, além do manjar de seu prazer. Nada lhe despertava o mesmo, comer era sua sina. Mas a língua não sentia nada, os dentes tão pouco... a garganta é só passagem para o que o estômago destrói. Quem sentia o que de prazer? Além da vontade de se consumir o quanto antes possível....

terça-feira, outubro 13

Distâncias

Essas distâncias
mãos unidas
de colos separados,
esses meios,
esses dias, separados.
esses ãos de todos,
essas saudades.
Essas distâncias,
corroídas pelos dias,
distâncias leves,
escondidas em bases..
esses nossos olhares,
esses olhares perdidos,
essas distâncias arraigadas..
esses finais de nós mesmos.

terça-feira, outubro 6

A desconstrução do oportunismo

Muitos podem dizer que a trajetória de quem observa o mundo de forma analítica é sinal de egoísmo e pedantismo circense. Até onde se compreende, o pejorativo impera no comum conhecimento dos adjetivos, dilacerando o âmago de seu entendimento. Oportunista eu? Assim que escrevo a outros que sim, concebo a mim a capa escura do desconfiar.

Se posso pensar um pouco mais e lembrar onde parte a palavra oportunismo, posso seguir tranquilamente em sua raiz esclarecedora; oportunidade. E o que é oportunidade, se não a esfera da vida que buscamos todo o tempo? Aquilo que separa os sonhadores dos realizadores, ou que unta esses dois artistas do pensamento humano. Pois o sonhador cria possibilidades em seu querer mais íntimo, e o realizador nada mais que abraça as suas possibilidades. Mas que sonhador por si só concebe qualquer oportunidade? Também nenhum realizador que consagre o que não cultiva. Existe uma interdependência em conceber e produzir, que faz da oportunidade o ideal.

Ser oportunista então é presumir que existe uma possibilidade valorosa e ater-se em utilizar de meios para conquistá-la. E o que designa se o desenvolver é bom ou ruim, são justamente os meios de conquista. Que determinam e sucumbem – muitas vezes – o sentido das palavras mal utilizadas e interpretadas. Sou oportunista porque sou egoísta, não. Sou oportunista porque sou individualista. Porque assumo o que almejo e afirmo meu querer em minha ação.

Se desconstruídas as tantas faces da ignorância, a compreensão tomaria posto. Cada possibilidade traria uma nova luta incessante para o melhor de cada um. O mérito, tão esperado e brilhoso aos olhos, seria a conquista cuidadosa e merecida de seus esforços maiores. Trazendo não só a imensa ruptura com a mesmice, mas construindo possibilidades de enxergar um mundo de oportunidades, sempre renovadas.

segunda-feira, outubro 5

Assumo

Mentiroso
é meu coração.

Ele mente,
enganador.

Meu coração é
um farsante.

Ele mente,
e eu assumo.