quinta-feira, agosto 4

gosto mais.

gosto mais quando não entendo,
e fico procurando,
buscando em tudo o consolo,
de tudo que é uma resposta,
reclusa em uma verdade,
indisposta de meus olhos,
meu ver nada capta.

gosto mais quando não entendo,
quando penso que compreendo,
e até tento, quando escrevo no breve
na obra viva que é meu pensamento
que me manda calibrar meus dedos,
e recompor tudo aquilo que se perde dentro de mim.

gosto mais quando não entendo,
e fico a beira de saber que nada me sobra,
alem de procurar infinitamente,
algo que me sufoque de tanta certeza,
essa clareza que a vida nos exige,
e que tão ofuscada pelos prazeres do mundo,
me deixou quase sem ar.

gosto mais quando não entendo,
e quando fico. quando fico aqui pensando alto,
destruindo tudo aquilo que penso que existe,
e tudo isso que a forma me diz para ser,
esse corpo aqui não me pertence.

gosto mais quando não entendo,
e fico a beira de perder-me a cada instante,
na duvida que é permanecer vivo,
e viver isso que colabora com a incerteza,
a cada minuto ser quem nunca se foi,
a cada momento ser quem sempre se é.

Eu gosto mais quando não entendo.

Sendo

voltei,
e fui novamente,
no que me tornei,
a parte que mais me ergue
é aquela que me sustenta,
e sou,
quando retornei,
a mim, se é que vejo
nas lápides de quem fora,
nesse sorriso mentiroso,
e nesses olhos esquisitos,
tão grandes de tudo.
vou e fico guardada em tudo,
em tudo isso que me modifica,
em tudo que me torna,
que me ergue,
sou tudo aquilo que me permeia.

nada mais

não estive vivendo nada disso a que penso que existo. não engulo o chão que piso como não abraço a a voz viva do mundo. se me fere e me ofende os olhos, se me persigo a cada instante nas paredes das cidades, se a cada gota de minha essência tudo se esvai por um segundo, como poderia viver tudo isso e nem sequer perceber a minha ida? estou e não consigo mais manter a minha mente viva, tão viva quanto penso que estou. que dilema é esse que contrasta com essa parte minha que dói, essa parte que cheira e que enxerga. como sequer prever o acontecido, e romper com tudo aquilo que acredito, sem acreditar na viva promessa. essas coisas já me dizem muito sobre o que sou, e estou ficando louca a cada segundo que me sinto parte. eu olho o mundo como o mundo me vê, cheio de promessas e dividas não pagas, como meu próprio corpo promete aquilo que esvairá com o tempo. vou perdurar pelos anos em que ainda conseguir extinguir aquilo que me pertence, em verdade todas as minhas maldades cairão sobe este mundo. todas as minhas bondades seguirão intactas, tanto quanto no vazio do que me tornar prossiga o eco de um grande espaço, pedindo um pouco mais. não vou arrumar estas palavras, pois nada aqui é certo ou errado, é tudo que existe nesse momento ao qual escrevo. nada mais.

domingo, julho 24

Sobre pescoços e nucas

Tenho um certo amor por pescoços, em especial a parte de trás. A nuca me vem com tamanha complexidade visual que as vezes me pego a admirar tanto a maneira como o cabelo se recosta sobre ela. Fico imaginando como é possível não se deleitar com tal visão. O cabelo mais delicado é incluso ali, onde a cor se matem cálida de sua maneira e os fios não sofrem tanto com a grossura dos raios de sol. E o cheiro da pele ? Ali o olfato se perde em uma das curvas mais bonitas do corpo humano.
Certa vez me apaixonei por uma nuca, nela minhas manhãs eram de olhos grandes e narizes felizes ao seu encontro. Ao dono dessa nuca escrevi algo que tenho muito prazer em ler:


15 de maio de 2009

Nuca -

O cheiro da tua nuca,
tão nua,
nua nuca.

Nunca,
nunca me fora verdade,
nem sequer proximidade,
desse cheiro teu.

Teu cheiro..
tão único.
Já me traz saudade.


Circulando

Fazemos amor porque ainda nos resta a vontade, única maneira de dizer que um dia tivemos um ao outro, e nunca fomos nós. Nunca a não ser em nossas palavras, fomos um do outro. E não obstante de esquecer-te como sempre esqueci, como sempre lembrei e esqueci novamente, você surge para me dizer as verdades que meus dias sempre andam a brincar com suas conversas rápidas. Me dizem aos ouvidos, tão próximos que quase não compreendo a proximidade do falar; sussurrando algum jeito de explicar-me que estou sempre circulando sob tudo que me alimenta.

velho modo

era o de sempre,
aquele velho desejo de entender.
mas o que observar para temer?
e assim enfrentar, compreender.

terça-feira, julho 19

Calixto

dizer que talvez você permita,
que permita que o amor diga sua hora.
e não temer a suposta, que o suposto é distante.
mantenha-se no que existe em suas mãos,
feche-as com o mesmo amor que sentes,
e não irá mais ter medo.

domingo, julho 17

Carta à irma - rascunho

''... Escrevo essa carta, para que seus olhos se cubram de mim e que no pensamento perdure o amor que sinto por você, pois no coração a minha sementinha já plantei.
Esse livro que estou te dando nada mais diz do que coisas sobre a vida, e queria compartilha-lo com você'. A parte que mais gostei; "Trabalho é tornar o amor visível" espero que encontre a sua parte também''

segunda-feira, julho 11

A curva

parando ali naquela curva,
onde as minhas mãos segredos seguram
e me vejo desajeitada a olhar para a bifurcação,
sentindo-me quase nada, sentindo tudo.

quarta-feira, junho 29

Matte Kudasai

queria contar como foi tudo por aqui,
dizer que passei por alguns bocados de momentos.
tantos que nem consigo dize-los com meu corpo,
meus olhos ou minhas palavras.
está tudo perdido nesse adeus, do passo que se foi,
esse acumulo de coisas que ficaram distantes das vistas.
que só passam rápido quando reconheço,
quando me reconheço no que quer que faça.



quarta-feira, junho 15

Recosto

Há um momento em que me recosto na saudade do amor. E fico em sua fronte macia a fingir-me presente, onde sinto aquele intangível. E a olhar-te com tamanha admiração, com os mesmos olhos com os quais sorria. No pouco que enxergo, posso recordar, a cada vez que meus sentidos foram a prova, sinto muito por perder esse desafio. Amando cada palpitar em meu silencioso vício, de amar-te com os olhos sem que sequer percebesse.

terça-feira, junho 14

J.

senti uma saudade maciça
de quem, no inesperado
dos meus dias, aparecesse.

como se permitisse o perdão,
apesar de fingir não notar,
mas os olhos me dizem,
meu rosto enruga ao pensar.

no meu pedido inútil,
disse-lhe que me perdoasse,
como se pudesse perdoa-lo
de si mesmo.

penso que estou vivendo
e sentindo algumas coisas
que a mim são tão estranhas.
como antes, estou aprendendo.

mas seus olhos pesados não,
eles não me perseguem mais.
e na livre maneira de mover-me,
sinto apenas a falta de perceber,
que você poderia me ver novamente.

segunda-feira, junho 13

A dificuldade de dizer

Certas dificuldades de se dizer, falar é tão difícil . Entender é tão complicado, cheio de outros dizeres que precisam ser compreendidos. E então, me pego pensando em tantas coisas que nada que saia da minha boca poderia sequer manter um contorno do que imagino. Me pego nos dias pensando em meu rosto pálido sobre coisas que amo, ou, que não gosto o suficiente. Por outras eu visto a capa lúcida do silencio, e balbucio coisas que as pessoas não podem ouvir. Por vezes eu as digo alguns elogios, por outras somente as quero longe de mim. Falar, falar e falar. Falar é tão difícil, que me ocupo de pensar. Penso infinitamente em todas as possibilidades do meu dia, se piso no chão e sinto a sola do meu sapato corroer, talvez o sapato converse com o chão num chatear desgastado, a fala do chão é dura e áspera para eles. Ou, nas poças d`agua sinto amolecer também parte de meu pé, numa conversa molhada e inquieta. Subo uma rampa e falo em reclame, do ar que me falta, falta de fala do meu pulmão. Olho as ruas como se todos os dias falasse com meu corpo, ando desprendidamente sobre as calçadas procurando maneiras estranhas de falar com elas. Engulo algumas tristezas falando com meus pensamentos, com meus pensamentos posso tudo. Até embriagar-me de falas doces, onde conto-me poesias esquisitas, fala do meu pedaço mais íntimo. Ultimamente o frio tem falado mais alto por aqui, meu corpo não compreende porque a temperatura tem de mudar tanto em tantas vezes. Mas apesar de sentir-me tão fria, algo aquece meus dias sem sequer compreender de onde vem tamanha faísca. É algo que cultivo num modo muito silencioso, que de vez em quando se desprende e sobre a superfície constrói algum gracejo. São pedrinhas brilhantes que as vezes me lembram que ainda estou aqui, e que de longe elas estão olhando por mim. Algo tão curioso e escondido, que me diz para medir meus dias com mais cautela, perceber o mundo mais vagaroso, conter-me da falta de mim. Isso que fala comigo constantemente, mesmo que dizendo na quietude dos meus sentimentos os mais doces dias azuis. Nessas palavras onde posso tudo, na fala em que meus dias me permitem ser sincera. Nessa não vejo dificuldade.

domingo, junho 12

Red

talvez quisesse que me consumisse,
no pouco espaço de tempo que
no verso de meus olhos o percebi..

que nas mãos rígidas me sobrassem
apenas a pressão de notar-te,
e ver-me como vítima de tua existência.


segunda-feira, junho 6

Poeira - II

Sou isso que me aflige,
que me corrói os dedos,
e me açoita, nos olhos.
onde na boca tremo,
e nos braços finjo,
na fortaleza do mim,
onde sou presa,
e dos outros sou imune,
dos outros sou como deveria,
sou tão fraca como só eu sei,
como só eu sei.

Poeira

a este dia,
que a mim passeia,
e me retoma,
de quem fui,

estou vivendo
como gostaria,
e estou sendo
como jamais fui.

nas minhas palavras
sou o melhor de mim
ou o pior
se a mim chegam.

pois estou aqui
vendo a vida correr,
e me passar,
me recitar,
que estou longe.


Sobre este dia

venho aqui escrever, como se procurasse um alento nas palavras que deixam de me possuir.
e as retiro dos olhos, como da boca gostaria. sem mais sentido, algumas vezes me deixo reclamar a agonia, ou a tristeza de viver de coisas que desconheço. tudo parte em tamanha rapidez que não sei mais onde começou. minhas mãos não conseguem mais tocar o mais puro existir, talvez porque esteja passeando em tantos pensamentos, talvez porque esteja ficando louca. acordo na madrugada pensando e falando em foz alta, onde presumo que a vida se resume a algumas palavras pelas quais não me recordo pela manha, e forço a memória para todas aquelas respostas. passeio pelos dias olhando a vida, seu movimento as vezes me causa estranheza. como poderei seguir em frente, e redigir uma carta sincera sobre minhas mais claras certezas, meus mais sinceros sentimentos, minhas preces mais verdadeiras, se a mim residem todas as incertezas.

domingo, maio 29

Ontem mesmo

ontem mesmo,

Na hora de minha ida, quando subi as mãos ao acenar-te e assim que os olhos de ti tiraste, nada de mim sobrara enfim. Contando os passos miseráveis na curva de ruas distintas, em que me perdi. Nada sobrara aquele mundo. No lamento de minha ida, a toda e qualquer ferida que trago de teus, dos meus dias.... trago em minhas mãos.




sábado, maio 21

first poem

so many things to do with you,
so many ways, to love you.
....and i still need to feel in love with you.

sexta-feira, maio 20

Perdi II

perdi o passo,
quando nos teus olhos,
aquelas pedrinhas negras,
a mim circundavam.
me usurparam de movimentar-me,
quando ao passo que chegara,
adeus eficiência motora.

segunda-feira, maio 9

Em seu pseudônimo predileto

Ele a olha com olhos de decadência, como se perdesse todas as suas forças. E em desespero segura seu braço e respira em seu rosto. Entreabre as pálpebras para ve-la melhor, pois não acredita em tamanha beleza. Retrocede, pensa mais um pouco. Se contorce no retorno de chamar sua atenção, que plano fez para dizer que a queria? Só aqueles em que nos ouvidos distantes dela, jamais seriam revelados.

fazendo

uma vez pensei que era tudo falta de amor,
de outra, talvez que fosse falta de carater,
e mais uma, reluziu que fosse maldade mesmo,
tudo porque; não sabia o que estava fazendo.

Sem querer

ela entrou de mansinho
com os pés reprimidos,
seguiu pela sala, e saiu pela porta.

mas esqueceu a bolsa,
e voltara,
por descuido não pôde mais sair.

quinta-feira, abril 14

Todas, todas elas.

dentre todas minhas dúvidas,
custosas e caras aos olhos,
caras demais para minhas respostas.

dentre elas, elas todas
sempre me dizendo o que não fazer,
o que não dizer, não ser.

dentre muitas,
dessas que perdi nos dias,
e recupero nos sonhos,
minhas dúvidas.

Seriam-me duras,
ríspidas....
dentre todas elas,
certamente me seria inválido
não duvidar.

quinta-feira, março 31

Pactos internos


pactos internos.
onde pulsamos,
pensamos ser reconhecidos,
amados, esperados e assuntos superados.
esses,
que nos dizem tanto
do tanto que inexiste.

quarta-feira, março 9

Fotos

participo do particípio de nossas horas,
em que nas fotos recordo de tanto,
do tanto que a vida me deu.

não sei se uma foto poderia,
e se é que desperto pode sim,
dizer que ainda insiste aqui.

aqui insistem todos os dias,
persistem todas as vezes que mereci,
e se desmereci, me arqueio também.

reproduzi nesses dias tanto de mim,
que me acho nas imagens fragmentadas..
um todo que talvez tenha esquecido.

segunda-feira, fevereiro 28

Ser tia

saber que parte de você é vida,
que a vida se move e se transforma,
saber que um pedaço de vida se forma,
se contorna e se desenvolve.

ser tia é estranho, e cuidadosamente cultivado.

Alguém me perguntou

Quem foi que disse que sei amar?

nem eu me disse que poderia.

o que é amor senão dizer que sua vida pretendida não lhe pertence.
que é, do suposto das horas o desprender dos íntimos.
que nas falhas regozijam puro perdão.
que amor sei amar se não aquele que desconheço,
que as mãos me desrespeitam,
que amor presumo que sinto?


Sobre escrever

já não escrevo com a mesma vontade,
a vontade de escrever já não descreve.
se pego as palavras da boca, da mente,
é porque estou tão triste que nem falo.

já não sinto muito por muita coisa,
e se disser que algo poderia,
o que seria muito por sentir^?


o que seria dizer sem sentir...
o que seria sentir sem dizer...


acho que é morrer.

Já que digo tanto que conheço de muito. Vamos começar a dizer o que desconheço;

não sei se esses rostos são-me conhecidos, a face e a silhueta, as sombras dos olhos, os ombros, as cores e as bocas. quem são todas essas pessoas que me falam nas horas, que me modificam sem saber? todas essas vidas, tantas, que na minha fragilidade, no meu desgosto, no meu carinho, tocam e destocam sem sequer a força do conhecimento me responder...

domingo, fevereiro 13

sublimando

eu apareci, nos teus braços
e fui como sempre fora,
cheguei como quem nada,
e fui como quem nem sabia.



os meus olhos sempre ternos,
dos meus desejos ávidos,
eu fui a mão sincera do teu corpo,
eu sou a falta que alastra meus dias.


se me perdi e se é que perdida,
solta nas clavas dos dias,
nada mais é interessante,
que ir embora de você.

quarta-feira, janeiro 19

Percebendo

percebi tua falta,
quando...
tua mão deslizante,
em meus cabelos,
a move-los dos olhos,
ou da boca próxima,
me faltara.


teu cheiro,
que só de ti exala,
que na pele não causara...
mais cheiro algum.


e sorrir pra nem saber,
se doem as bochechas,
ou se lembrar das piadas,
e não te-las,
é o que me fez sofrer.

O corredor

se meu passo contrario
ao teu guiasse,
ahh se meus pés me traíssem...
da pele, o suor, o corpo erguido
munido do teus olhares, se inflama.
as voltas que impactamos,
trombamos, fitamos, e desviamos..
ao andar alheio.

Se há

Se há algo a nascer,
é ver, nos deslizes
na porção dos insultos,
no não, e no amargo
a saída esperada,
a paciência requerida
e a calma buscada.

Pelos olhos teus

quando vi por teus olhos
que pareciam verdes a mim
quando por teus olhos,
mirei minha face
não me vi, nem de longe
a sombra de quem,
sequer existência.

quarta-feira, dezembro 29

Notas de um dia solitario IV

Vivo do silêncio
onde digo-me injurias
e conto piadas infames.


Choro minhas dores
e fortaleço meu coração.


Vivo do silêncio,
pois o preencho de mim,
a quem tão necessito.

Notas de um dia solitario III

Poderia eu fazer parte de qualquer que seja?
Velar-me o sono, beijar-me a face adormecida...

Como em um brinquedo, montar suas peças
cada finalidade de encaixar um final conexo.

Poderia eu fazer parte?
Sendo que falta-me um pedaço,
onde desencaixo o arranjo.....

Notas de um dia solitario II

foi-se sem glória, sem contar da minha hora
não lestes meu recado, tola forma de adorar-te.


presumo que fostes, por invencíveis modos
sem amor ou piedade, caístes em tua palavra.


não há sabor mais ácido, talvez em toda sua amargura
sentir o gosto permanente da desilusão.

Notas de um dia solitario

no perpétuo de meu amor,
quem fui, se não fosses,
e de que me eras,
dura realidade.



no desapego de teus dias,
fui a perdida falta,
resposta e indulgente,
mas não és religioso...


para coibir meus dias,
contei-me mentiras,
e fui ao cercado alheio
pisei na grama vizinha.. pedi-me.



do mais que me espera,
estar sozinha é necessário
e para mim precioso,
onde reinvento meu amor.

terça-feira, dezembro 14

Mais uma vez.

Nada mais que absurdo,
espero o que virá.
Não me poupo de dizeres,
mas me poupo de falar.

segunda-feira, novembro 22

Ao que se nunca imagina.

de longe a espreita,
cada parte tua,
esmagada.

a luta invencida,
daqueles que perderam.

circulam pestes,
afrontam vidas,
e partem todas elas.

Quase nada, pra tanto.

Quando pensei que fosse o bastante, jamais seria. Todo dia recuo nessa vida tentando me dizer a maneira correta, e deslizo nas coisas que a vida traz. Me desespero com toda essa hostil maneira de viver, não há nada que se hesite de toda essa exatidão. Ser humano, difícil e insensato. Por vezes pedi que me dissessem as respostas, clamei pela altitude das palavras, e briguei com todas aquelas que me apedrejavam. Qual a certeza que tenho disso, se existe alguma certeza para se dizer na vida, morrer é breve demais para acertar. Já tentei entender porque caminho nessa maldade toda, porque dos outros as tristezas me partem em pedaços, porque dizer adeus a tudo em que se acredita, se reinventar é um trabalho para poucos.
Já temi falecer de minhas duvidas, tenho medo de perguntar de menos, tenho medo desse amor que acho que sinto, amor pra mim não tem sido muita coisa. Não vejo amor nas pessoas, nem sequer a sombra do que isso significa. Só sinto a doença se espalhar, a mentira conduzir e o mistério do futuro produzir repudio e veneração.
Eu não sei mais dizer se sou infeliz, feliz ou sou humana. Sou uma espécie de pessoa que no lapso dos dias esquece a vida e tudo que ela diz respeito. Já não canto as canções de antes, não falo as belezas de amanhã, não digo a mim tanta delicadeza, quando digo sou tão incapaz que minto. Prefiro me recostar no imaginável, e quando penso que estou longe me sinto mais segura. Não ouço que estão morrendo aqueles, aqueles que necessito. Necessito de todos, cada pedaço que reproduz essa figura descrente que dilacera aos poucos.

Toda vez

Onde foi que esqueci, quando me perdi nesses planos, dissonando.
Toda vez, a minha bondade. A minha maldade cresce, deturpa e ignora.
Toda vez, a minha maldade. A minha bondade verde, indecisa, latente.


Onde foi que esqueci, se perdi, falhei.
Deixei minhas palavras, guardei meus sentimentos,
menti com a boca, desviei o olhar.

quarta-feira, novembro 3

Reclamações

Eu paro na minha vida perfeita,
as quatorze, murcho o passo.
Reclamo um pouco da vida,
só para não perder o gosto,
de reclamar.

quinta-feira, outubro 7

Velha mania

eu disse a velha mania,
que abastada era,
a mais miserável
de todas as cruzes.


pois carrego arredia,
e sincera demais.
E toma todas as formas,
todas as vidas possíveis,
no impossível dos amores.


ela resiste...

-

Você jamais vai entender. Porque minto com a cara de quem nem sabe de nada. Eu minto porque despejo tudo que sei mentir, talvez eu minta quando digo que pareci.
Minta quando digo que perdi, ou sei achei, menti por te encontrar. Menti nas vezes em que pelo mundo a fora me domestiquei, me criei inútil e ignorada pelo resto do mundo. Eu menti a cada segundo que chorei pelas dores de outros dias, jamais sobrevivi a tanto. Menti no ato de meus prazeres, do sorriso que empreguei em toda solidão alheia. Menti de norte a sul por contar os segundos, no místico que é esperança. Mentira maior da vida.

Coisas que esqueci de dizer

Já tenho escrito tanto que continuar parecia irreal. Eu só escrevo pra me alimentar, para não surtar de tanta falta de mim ali fora. Sabe-se lá Deus quando a vida dirá seu curso, e eu não sei de que planos falo quando estou dizendo que preciso deles.

terça-feira, setembro 28

Para ser - II

Há em tudo que me rodeia,
um pouco do que já sou,
e se tudo que existe me permeia,
sou o que deveria ser,
estou onde deveria estar.

Para ser

Eu pensaria a cada vez que fosse dizer,
e diria a cada vez que fosse fazer,
faria cada vez que fosse falar,
para pensar..... para dizer..
para ser.

quinta-feira, setembro 23

Recuar



Eu falo com medo de dizer o mais,

se digo com a cantiga é quando me dói mais,
porque escondido aqui dentro tudo fica desperto,
e eu espero um dia recuar.