sexta-feira, janeiro 25

Sobre o cume, enxerguei o plano.

Sobre vários anos, percorri terrenos inóspitos dos quais jamais vou me esquecer. Segurei as emoções para não padecer, sorri na hora certa e chorei, em momentos dos quais não teve hora alguma.
Descobri no outro, a discórdia, a maldade e o talento de apedrejar corações. Segui, sobre todos os aspectos que não poderia prever, captei mensagens subliminares das quais ecoam sobre meu consciente -antes, inconscientemente - e as paredes do meu pensar são tão distantes uma das outras, que posso ouvir por horas o mesmo pedaço de pensamento. É fácil, olhar e dizer para quem é mesmo importante o fato de se viver assim, sempre insatisfeito.
Subi montanhas das mais altas que jamais pude imaginar, depois de uma forma rápida e dolorosa, desci sob vales e precipícios que deixaram marcas até hoje. As cicatrizes nos mostram, que o que passamos não foi um sonho, para o qual a desfiguração se mostra tão real.
Lá no alto apesar de rarefeito, conheci e contemplei as mais belas flores. Flores das quais, sei que, jamais irei ver novamente. Apesar da distância em que o tempo as deixou, ainda vivem aqui na minha mente, a soprar uma leve brisa de lembrança ao retomar as flores mais belas.
A grama que recobria as ingrimes estradas, a mim eram estranhas. Pois apesar disso, pequenos riachos circundavam sua existência, onde as pedras também se faziam soberanas. E sobre o grande tapete verde, pude deitar-me e descansar enfim.
Procurei por algo que na metade do caminho, descobri que não existia. E só recobrei minha consciência disso, quando desci pelo vale. Vale e precipício, e como foi difícil descer.
Lá em baixo, já à mim, pude ver que subi com um propósito. Cheia de falsas esperanças, sonhos desgastados na caminhada. Quando na verdade tudo estava aqui, o tempo todo. Imperceptível aos meus cegos olhos, veementes ao inexistente.
As mais belas flores que me encobriram dessa certeza, mas apenas um pequeno pedaço da brisa que se lançou sobre mim, momentaneamente. Apesar de sorridente ao recordar, descer foi tão difícil quanto esperar o encontro ao esperado. Difícil o bastante para me esquecer de quem era, de quem fui e quem sabe provavelmente, um resquício que me tornará alguém.
Não importa quanto tempo se passou já faz parte de mim tudo pelo que andei, subi ou desci , meramente só me trouxe o lembrar, das circunstâncias vividas e das quais tais formas de se viver assim, veemente à sorrir.
Apesar dos inóspitos terrenos pelos quais percorri, do cume da montanha enxerguei felicidade e encobri minhas esperanças à ve-la de perto. Descobri os arroubos de paixão sobre o deslumbrar dos olhos e logo depois o decair da esperança, já afastada de mim. Mas de lá, do alto e celebre espaço, enxerguei o que havia em mim que se pronunciava lentamente; medo. E não seria melhor escolha, subir novamente ou descer as beiras e ingrimes estradas do meu conhecer, mas sim, recordar-me de que apenas o medo, cruel sob minhas ações e que me fez crer e descrer ao mesmo tempo nas duas formas de viver, seja lá de cima ou no mundo aqui em baixo.



quinta-feira, janeiro 24

Estabelecer contato.

Pega o telefone
disca algum número
diz alô, e ninguém responde.
Ao falar três vezes,
alguém esbraveja por
lá, perguntando o que quer.
Diz que quer apenas conversar.
Do outro lado, lhe responde
que não há nada a dizer, apenas
desligue o telefone e me deixe
em paz. Conversa é coisa de
quem não tem o que fazer.
E desliga, sem pensar.

Ciconniformes

Esguio sobre as águas, onde caminham juntos.
Sua cor esbanja esplendor e imensa adoração.
Por partes esquivo, indolente aos demais.
É da cor que lhe precede pela junção
de elementos corpóreos e a sua habitação.
Bico preto e olhos brancos, xadrez sobre
tuas eiras e beiras, do sul ao norte a viajar
e se escaldar num mar abrasador com suas
varetas posteriores.
Destreza no andar, pernaltas que esbanjam
realeza e sutil forma de se apresentar.
Flamingos, a nuance rosa do crepúsculo
que de formas simples, assim ao admirar.

quarta-feira, janeiro 23

O sorriso voltou.

Ahhh que saudade.
Que saudade que tinha
de deixar os olhos apertadinhos,
as boxexas arredondadas
e os dentes à vista.
Por vezes, gargalhadas.
Agora sim, orgulhosamente
te digo, estou esperançosa quanto a ti.
Parabéns, o sorriso retornou
e com ele a minha vontade de
te dar a mão, pra te ajudar no que precisar.
Esqueça os lamentos, meu amigo.
Teu sorriso é tudo que precisas,
e o que precisas, é de apenas um belo
e singelo sorriso, de volta.
E agora, quem sabe... pra sempre.

quinta-feira, janeiro 17

Androgeno 0612.

Lá estou, mais uma vez. Ônibus à passar, meus ouvidos com a mesma música de todo o tempo, do tempo todo e a espera incessante de algo que me leve pra casa, o mais rápido possível.
Penso no engarrafamento, pois a festa nesses quatro dias está parando a cidade, literalmente. Como fugir? Pensei. A orla é uma boa rota de fuga, eu diria.
Masco meu chiclete e bato meus pés, sinto um cheiro de cachaça e olho pra trás, são três ao se deliciar com o tal do cravinho. Finjo que nem percebo, e retorno a meu mundinho apesar de ser incomodada por gotículas que vão de encontro à meus pés, susto. Só escuto o sussurrar malicioso dizendo para ter cuidado com a menininha, no caso, a mesma que vos escreve.
Eram três, da pior espécie. Olhei feio e deixei pra lá, vai saber de onde aquelas criaturas surgiram e de qualquer forma, não eram o bastante para me irritar. Derrepente ele chega, para o meu brilhar dos olhos, subo, passo o cartão e penso comigo o quanto queria sentar, imediatamente. Quando lá na frente, vejo um banco vazio e um cabelo enorme que cobre parte de um deles, enorme cabelo. Vou feliz, alegre e serelepe para o descanso prometido, me sento e vejo uma figura estranha ao meu lado, voltado à janela como se estivesse se escondendo, curvo sobre o banco à esquerda, do qual observo. Nem sequer se incomodou quanto sentei, suas mãos ao meio de suas enormes pernas que quase não cabiam no espaço entre o banco e o vidro, suas unhas grandes em tom escarlate - assim como sua bolsa e cinto e faixa na cabeça- me faziam curiosa a cada segundo. Um short minúsculo e belas curvas, mas não há sinal de belos seios mas sim um pequeno "top" que cobre seu peitoral. No braço, uma borboleta sobre a prata grossa que reluzia com a luz do ônibus, um anel de cobra que se entrelaçava bruscamente e não sabendo ao exato onde ela começava ou terminava.
Apesar de não ouvir absolutamente nada que se passava lá fora, de alguma forma senti o meu objeto de estudo susurrar algo que se perdeu, diante dos meus fones. Logo retirei um deles, em vão. Não ouvia sua voz e não enxergava sua face pois só se voltava ao seu refugio - se por assim dizer - a janela pela qual se voltava, sem me dar esperanças de conhecer-te.
De alguma forma, procurei puxar assunto. Logo perguntei o trajeto do ônibus, devido ao engarrafamento - questionando com a cara mais lavada desse mundo- se o bendito, iria parte pela orla parte pela paralela. Me respondeu friamente que sim, que iria passar parte pela paralela mas que "já já" iria entrar na orla. Agora sim, pude ver seu rosto. Seus grandes lábios pintados nas bordas de marrom, assim como suas sobrancelhas - inexistentes - apenas traços de um lápis qualquer num rosto que, apesar de tudo, não queria mesmo ser visto. Uma faixa cobria parte de sua testa e assegurava que seu cabelo retrocedesse ao vento, a chuva, à maremotos e tufões. Seu queixo era bem definido, agudo e cerrado. Meus olhos atentos lhe enxergavam os dentes, com uma fenda ao meio dos mais vistos, e eu que exatamente o estudava, não ouvi palavra alguma que tenha me dito apesar de ter um máximo de curiosidade por isso.
Por segundos fui segregadora, mas logo recordei o motivo pelo qual lhe questionei, então recobrei a conversa com mais uma de minhas infalíveis perguntas;
- Entra na rua da Ucsal, certo?
Pensou, pensou e me respondeu que entrava na rua do Playboy, Kama Sutra, Decameron & Hollywood. Com um sorriso de canto de boca, porém como ao primeiro sussurrar, aos olhos não me dava atenção.
Pensei comigo, se não conhecia a Universidade Católica de Salvador, porém não questionei, apenas ouvi e sorrateiramente respondi um sim contundente ao balançar a cabeça.
Apesar de não fitar meus olhos, tentou falar um pouco comigo. Falou sobre o trânsito, e sua tentativa de fugir pela orla, assim como eu.
Logo percebi que algo nos observara, era o motorista pelo espelho com aquela cara de quem desaprova com o olhar. Para o mesmo espelho olhei, e sorri sem ao menos lhe dizer que sim ou que não. Ao lado, uma menina barriguda e sua filha de mais ou menos quatro, que gritava desde o momento em que subi no bendito. Era um clima estranho, como se todos me observassem, curiosos como eu, sobre a pessoa ao meu lado.
Ao conversar um pouco comigo, logo parou. Acho que se recordou de algo que realmente até o momento não descobri. Fiquei meio confusa, porém aceitei e não invadi seu mundo novamente.
Com os mesmos olhos que cobri teus pés até seus longos cabelos, novamente voltei à suas mãos que nunca se deixavam a pressionar uma à outra, abruptamente. Retornando também, à janela que lhe esvoaçava os longos e crespos cabelos.
Uma figura androgena, homogênea e desorientada à minhas curiosidades minha busca de sei lá o que, assim permanecendo taciturno e eu, temente à minha amiga que tenta saber o porquê de tudo.
Logo se levantou, quase que me cobriu por completo. A cabeça se abaixava para não tocar o teto do automóvel, seu salto era fino e como todo seu adorno, chamava muita atenção. Levantou e rapidamente foi próximo aos degraus, nos quais permaneceu até descer.
Por mais surda que estivera por causa da música em minha mente, pude ouvir o balbuciar dos integrantes do mesmo que eu havia, risadinhas sarcásticas e comentários maliciosos.
Permaneceu nos degraus sem olhar pra trás, uma atitude bem previsível e plausível, eu diria.
Eu, me detive a pensar no momento e nada mais, pelo qual realmente me resguardei. Rápido chegou sua hora de descer, e receber os atrativos dos demais, podres comentaristas.
Assim segui ao pensar, porque algo diferente do normal é tão comentado, mal visto e sempre, sempre expulso, animalzinho escondido entre grades e que de lá, não deve sair. Apavorado, esguio sobre os comentários e calado sobre as respostas, nunca ditas.

Negar à mim.

Minto,
Minto a todo tempo.
Quando lhe digo que não.
Minto,
minto até pra mim.
Como assim, pobre coração?
Nego,
Nego o tempo todo.
Quando digo que não, não peço.
Nego,
até a morte sem perdão.
Como assim, desmitificar
minha emoção?
Se minto,
nego e deixo aceso aqui onde
jaz tudo que sinto para contigo
acabo de negar à mim, e então
prossigo, placebo de negar a ti também.
Quando nego,
me escondo para que não
saibas o quanto gosto, de ti
e de mim quando tornamos
do ti e do mim um nós, nós
veemente às tardes crepusculárias.
Se minto,
busco rodear meu rosto com
dúvidas, será de mim aqui agora?
Jaz em mim pensamento.
Nego,
até onde conseguir e se
agora nego o amor que sinto,
posso negar até à mim.

terça-feira, janeiro 15

Vincent Willem Van Gogh

Não tinha sorte na vida
seja no trabalho, na casa ou no amor.
Simplesmente tentava a vida de
um mero temente à Deus, como
todos os outros e com louvor.

Viajava incessantemente, por
todos os cantos da Europa.
Por sua breve vida, apenas
sustentado pela família.
Seu irmão Théo lhe escrevida demasiado
preocupado, aflito expectador.
Pediu uma linda senhorita em
casamento e ela lhe furtou a
felicidade quando lhe disse;
"Jamais! adeus, meu senhor".

Era um louco, louco estudioso
das cores. Holandês de barba
ruiva, pairou sobre Cezanne
e Monet, destemido pintor.
Viajou, à dentro, Paris,
Holanda, esplendor.
Pontilhou sua escrita sobre
as telas, magnífico céu azul
e trigo vermelho esbanjador.
Corta a orelha e retrata seu
auge. Auge de cafés parisienses,
girassóis embalsamados galhos
que se retorcem e lindas noites
estreladas. Assim, criador.
Devoradores de batatas ao
seguir comendo, exatamente
como são. Aquilo que não lhe
pertence, ele não retrata à mão.
Temente, realista com ardor.
Caveira que assusta, demasiado
fumante criador, causa causa tanto
de que me causa aflição, mas não dor.
Ruivo amigo temente a Deus,
descreve tua aflição sobre teus dedos,
atua sobreo eterno das cores e exalta o
campo realmente à fim de realidade expor.
Botas que exprimem quem são,
retratos de médicos da loucura e
quartos que sentem tua falta,
cachimbos aos céus, louvor.

A morte lhe cegou, suicídio
eminente. Morte daquele que
em várias telas e vidas, ainda sim,
se exibe presente. Presente vida,
retratada por um autor, autor de poemas,
poesias e prosas, vice e versa,
versa e vice olhos brilhantes, assim
como um total e presente adorador.

Get Out.

Sair daqui, é só o que quero.
Apesar de preso dentro da
sala, apodrecendo e
definhando sobre os demais
que sempre tentam dar
rasteiras uns nos outros.
Preso por sonhos infindáveis,
dívidas à debitar, palavras
que não quero escutar.
Só quero sair, ir embora.
Sentir o sol me tocar
a luz em meus olhos
e o vento que me inspira
os bons dias a vir.
Não quero mais escutar,
bom dia, boa tarde, boa noite
só quero o silêncio, shhh!
Quero sair daqui,
aproveitar o quanto posso
o quanto devo, quanto
poderia aproveitar, só pra mim.
Agora vou embora, dar o fora aqui.
E não me diga adeus, eu só quero ir.

Dúvida

Circunda meus dias
meus pensamentos
minha mente, meu corpo
minha alma e meu coração.
Peço licença e não me dá,
finjo não perceber, mas lá está.
De onde vem assim a todo tempo
a me fazer questionar?
Me deixe em paz, vá pra lá.

domingo, janeiro 13

Dor.

Finjo não ver, mas se esconde por todos os lados.
Já não sei se, através dos sorrisos estonteantes, das famílias maravilhosas as amizades perfeitas consigo enxergar de que é feito o ser humano, na sua essência.
Se escondem através do tempo, dos prazeres, das certezas não tão certas. Do objeto que se tem, da verdade que se diz, não se sabe o quão infelizes são.
Se pudesse descrever em palavras, cada pedacinho da dor poderia enfim reclamar por jamais ser infeliz o bastante quanto os alfinetes que teimam em permanecer nos corações alheios.
Alfinetes inúmeros, de vários tamanhos e dimensões inexatas. Se mesclam, perfuram a carne e dilaceram vidas, futuros e caminhos.
O passado reclama no futuro tudo aquilo que se mal resolveu, toma tua vida como num vendaval e não lhe deixa segurar bem forte num poste para tentar se salvar.
Vento forte o bastante para levar de ti toda a felicidade, essa tão mal acolhida, mal reconhecida e mal internalizada.
É tudo tão difícil, tão monstruoso e infinitamente assustador. Não se compreende a si mesmo e mesmo assim se apontam os erros dos demais sem saber a fonte do teu ser, da tua obra como ser humano, que por sinal, é por várias vezes traumatizada.
Traumas condizentes com tua personalidade, que se formou na inquietude no indevido e desesperadamente no infame. Infame ao atar laços de arrasar teu peito.
Aqueles que lhe percebem, só enxergam sua capa. Sua grande capa da individualidade, que por muitas, várias e incontáveis vezes, se enxerga o esplendor.
O esplendor que cega, e não deixa ver o pântano que borbulha de rancor, de tristeza e faz com o que a cada dia possa surgir da lama, os galhos que se retorcem de dor.
Detestáveis, por muitas vezes és julgado, sentenciado e morto de várias e infinitas formas.
Morto, quando já era jaz sua mente no vale da morte. Perseguido pelo espectro da dor, que fincam suas foices no sentimento que já em ti eras fraco, esperança.
Por mais desmedidas que sejam as palavras dos teus chegados, o tormento é eterno. Eterno dentro de ti, ao lembrar a cada milésimo de segundo do martírio de viver e pairar sobre a dor.
Espectro que rasga, espectro que retalha, espectro que consome.

Erros antigos.

Te digo assim, de coração
Eu não quero estragar a vida
daqueles que me rodeiam.
Eu não quero que você fale
a não ser consigo, sobre o que te digo.
Não me culpe, por favor.
Não me julgue, estou fraco.
Fraco e frágil o bastante, para
reconhecer os erros antigos.

Te digo assim, de coração, eu não sei
se te amo, ou se é tudo confusão.
Eu passei por poucas e boas,
e isso não foi em vão, hoje carrego
comigo o fardo de viver sem falar,
sem ao menos me libertar dessa dor.
Te digo assim, de coração.
Fraternal é o amor, que agora me julga
me depende de respostas das quais
nem ela queria ouvir, o estalo no peito
da nova informação foi estopim para uma
nova briga, vida em vão.
Tentei ao menos lhe contar, lhe dizer
mesmo por não querer falar.
Porque o que eu sinto aqui, não é o bastante
para falar, daquilo que eu nem sei se é o bastante.
Te digo assim, de coração.
Me sinto preso com isso tudo, e não mais penso
sobre tudo aquilo, aquilo tudo que hoje me prende.
Os erros antigos, me fizeram quem sou
quem acho que sou, e se te amo e te odeio
é por pura chance de me permitir a errar
novamente.

Te digo assim, de coração e com os olhos vermelhos.
Do choro, do álcool, aquilo que guardo aqui
que te conto sem saber, pois você a tempos
de mim distante estava, e quanto... quanto senti tua falta.
Você sempre da mesma forma, me diz
que tudo vai dar certo, e eu nem sei o que é certo.
Já perdi meus sentidos, só abraço forte o travesseiro
e cruzo minhas pernas que se atrofiam à cada segundo.
Meu coração gela, só de estar diante de ti assim.
Desligue a luz, meus olhos estão frágeis
e por favor, peça que eles saiam, não quero que ouçam.
Perdi mais uma vez a linha,
eu não sei mais por onde meu caminho vai.
Só a certeza de errar, e assim sossego.
Te juro, te rogo a cada dia. Incessantemente
pra amenizar, a dor, aqui dentro.
Te digo assim, de coração.
Desde que tudo aconteceu, não contei,
não remediei, por vezes falhei ao me calar
me abster, por ser criança, por ser pequena
de alma, de corpo e de vontade.
Fui fraca, consequentemente medrosa
e hoje, já se vê, o quanto eu obrigo a todos
à se afastar.

Te digo assim, de coração e me olhas
assim com essa cara, de que tenho
de ser forte. Se nem a força conheço.
A força que não brota em meu peito,
a força que não brota em meu pensamento.
A força para seguir, depois dos erros antigos.
A força que vem de ti agora, ao me falar sem
medo o quão devo seguir em paz, remediando
tudo aquilo que se foi e me tornando assim,
quem sabe alguém que busque, na verdade
na vida, e simplesmente nos erros, a conduta
a ser feita, a forma de seguir, seguir em frente.

Te digo assim, de coração e
desmedidamente em fúria ao encontrar
com o meu passado e através dele, fortalecer
aquele reflexo que enxergo, todos os dias
quando passo pelo espelho.
Reflexo que mente, estar contente.
Reflexo que não enxergo ao certo.
Reflexo inútil, que me persegue.
Reflexo que não quero para mim,
sem saber de quem se trata.

sexta-feira, janeiro 11

Os demais ao ventrículo.

Pego tua mão e digo, deixe eu te guiar.
Não tenhas medo.
É só assim, que vais ser feliz.
Não importa mais nada,
só me ouça, me sinta
e deixe sentir.

Não te escondas, pois
aonde quer que vá, lhe
encontro, lhe cego e lhe
arranco sorrisos.
Os temores estão longe de nós,
deite-se e deleite-se, sobre tua vida
teu momento.

Aconhego eu tenho de sobra.
Mil abraços apertados sobre
os quais você mais precisa, que eu sei.
Venha comigo, esqueça as normas.
Só vamos findar nossa inquietude.

Não tente me dizer que não sente
pois eu sei que sim.
Vejo nos teus olhos quando a vê
Vejo na tua pele que reluz.
Vejo no teu humor que se modifica
E até mesmo nas palavras que diz.

Agora desmedidamente, me de a mão
vamos saltar juntos, você e eu.
Feche os olhos e me siga, não tenha medo!
Estou aqui, e aqui pra sempre estarei
e quando quiser me recordar
sobre os demais ao ventrículo, eu estarei.

Os demais aos neurônios.

Já lhe disse
Não me tomes.
Me deixe ir, pois
não vou deixar você
me tomar.
Da mesma forma que
digo que não estou,
digo a você, não está.
Não deixo, não me permito
não me flagro pensando
incessantemente.

Não me digas, não quero ouvir.
Depois você, simplesmente esquece.
Ou sei, como sei, que te entristece.
Fique como está, lhe garanto que
nada vai te acontecer.
Converso contigo, te digo a verdade
não te coloco na névoa, na relva alta,
na maré dentre a tormenta.
Só lhe protejo, acredite.

Não me tomes assim,
solte minha mão.
Não insista em me enlouquecer.
Digo que não, mas só
pra você não saber.
Que já está tomado,
de mãos atadas.

Não insista em me falar,
eu não quero ouvir.
Que aos demais ao ventrículo
tentam todo o tempo em
me flagrar.
Não digo que estou,
mas sabes.
Os demais ao ventrículo,
a minha alma até, tomam.

Não insista em falar,
até assim por mesmo, querer ouvir.
Eu não aguento seu demasiado
frenesi depois de um tempo, só tormento.
Então me deixe aqui, prefiro.
Quieta e sossegada, sem beira
sem rumo.
Que assim me conformo.
E peço que, os demais ao
ventrículo, por favor.
Me ouçam.

quinta-feira, janeiro 10

Minha missão

Através dos dias, assim apenas vivendo dessa rotina, maldita rotina que me consome a cada segundo e me detém a pensar apenas no óbvio, mero engano.
A cidade sempre se move da mesma forma, pessoas por todos os lados, preocupadas, ansiosas e seguindo o destino do seu próprio nariz. Por vezes eu me perco a observa-las, não por pura curiosidade cotidiana - que por sinal me estiga também - mas sim pelo movimento humano, pela destreza com a qual se falam, se comportam, se tratam (ou não) e não menos importante, pela vontade incessante de conhece-las, estuda-las e perceber que todas em suas particulares formas, detém uma imensa vontade de falar sobre si.
Por vezes, as encontro nos pontos de onibus, nas filas do banco ou simplesmente ao caminhar pela rua, elas te fitam, te prendem e te descartam quando se vão, tão rápido como passaram por ti. Um mero bom dia, as faz contar sobre o que aconteceu há anos atrás, quando estava enamorado de uma moça que morava em frente a sua casa. Dez anos mais nova,a garota sempre lhe enchia o coração de alegria, e ao observa-la um dia da sacada, e ao ver-te acenar, percebeu que algo estava estranho. Ela pedia socorro, dizia. Remexia os dedos e levava as sobrancelhas. Correu ate lá, se deparou com três homens, ao assalta-la. Ele dizendo-me com olhos radiantes, adentrou a casa e gritou aos covardes que ela tinha um amigo para lhe ajudar, "metendo a mão neles", dito assim com suas palavras de homem velho, vivido e muito corajoso. Dizendo que o pouco do karate e da capoeira foram-lhe bons companheiros, apesar dos dentes e as cicatrizes que agora, depois de alguns anos lhe fazem companhia.
Da mesma forma com a qual apareci na sua vida, sumi derrepente. Meu onibus chegara, e ele, ali sentado ao ver-me ir e ao mesmo tempo assim meio que sem querer, ou querendo, feliz do meu simples bom dia e da minha simples conversa, desmedida. Vários nos observavam, pensavam,discriminavam e de certa e verdadeira forma, invejavam. Ele era uma criatura especial, velha e sozinha, querendo apenas alguém que lhe conforte, pois os anos fizeram questão de lhe tomar o apreço dos demais.
Penso, que apesar de toda vontade de viver e de minha insensata forma, inconformada de ser, sigo assim com essa rotina infame e apesar disso percebo por muitas vezes que algo sempre tenta recobrar minha razão, sempre tenta me amenizar, me amolecer o coração.

quarta-feira, janeiro 9

Céu

Longe ele vai, por toda parte
o azul, o amarelo
e meus pensamentos.
O céu é meu amigo
companheiro, e ouvinte.
Só ele sabe, o quanto
de todas as dúvias, sobre tudo.
Como as nuvens que se desprendem
sou eu, ao ve-lo, esqueço e me
desprendo do mundo, da vida
me jogo ao léu, ao pensar,
misturar o azul o amarelo
como no céu, me misturo
sobre pensamentos, dúvidas
e respostas, quem sabe.

Gabriel.

Admito, ter pensando em você durante esses dias.
Daqueles pensamentos que vão e vem à todo instante.
Te ouvi por alguns minutos e já me deixou saudosa.
Tento, no mesmo horário ouvir aquela mesma canção que me
traz você, mas infelizmente, falhei.
Well Gabriel, és tão curioso.
Perguntas sem fim, e apenas oito sobre tua vida.
Tão lindo, ao imaginar-te ao falar, de mansinho.
Penso como ei de ser feliz,com um Gabriel na minha futura vida.
Ao me perguntar incessantemente,o porque dos porquês.
Quero ninar-te em meu colo, cobrir-tede afagos e ver-te sair
correndode medo do escuro até meus braços.
Seguir teus primeiros passos,vibrar sobre as primeiras palavras
e e ouvir você Gabriel, ao perguntar assim, tão delicado.
O porque dos porquês, meu garoto.
Imagino teus dedinhos, ao encontro
de tua boca, incessante.
E teus pés que se juntam quanto estás
tímido, tão fofo.
Seu olhar sereno e despreocupado, lindo
ver-te assim, meu pequenino.
Well, well, well Gabriel.
Agora entenda, que estou aqui novamente ao imaginar
ouvir-te perguntar,o porque dos porquês,
admirada e de certa maneira, coruja.
Como mãe de primeiro bordo, que ainda não sou.
E sem ao menos ser nada sua e qualquer forma, sendo também
tornando desperta, a Toller que reside em mim.
Ao ver-te assim, com apenas oito, meu garoto,
ao perguntaro porque dos porquês, assim delicado
que me deixou nas nuvens, e o que seriam as nuvens de fato?

terça-feira, janeiro 8

Sorrir dormindo

Chega em casa e olha o relógio, são oito horas da noite.Cansado o bastante, todavia não esquece de acariciar o cachorro,beijar esposa e mimar os filhos.Come qualquer coisa e vai para o computador, são dez horase nada ainda foi feito. A gravata ainda aperta sua garganta mesmoque não esteja com ela envolta do pescoço.Os números oscilam demasiadamente para todos os lados, gráficosvão e vem num frenesi de informações. Através de seus olhos se enxergasua exaustiva luta contra o sono e o cansaço... é mesmo capaz de aguentar isso?Brutos deita em seu pé e lhe arranca um sorriso de canto de boca, eramacio o seu pelo, tão macio quanto foi da quando o encontrou no canil, tão pequenino,uma bolinha de pelos brincando com um chinelo velho jogado em um canto. Mordiatudo que encontrasse pelo chão, nada escapava de seus dentinhos afiados. Ao amanhecereram seus grunidos para subir na cama que o acordavam, era também hora de levantare ir para o trabalho. Quem sabe ele já não sabia disso?Por um instante esqueceu de tudo ao lembrar de Brutos, ele era realmente um bomcão.Volta aos gráficos, percebe que há algo errado. Não há uma equivalência entrea relação investimento/ganho, isso lhe assusta estremece e amedronta.Como poderia resolver tal problema de forma tão rápida? Uma simplesondulação em uma reta lhe faria perder anos de estudos.Sem perceber alguém lhe faz um carinho, era Suzana lhe dizendoque já estava muito tarde. Ela era sua esposa a cinco anos, dedicada,companheira e realmente linda. A conheceu na faculdade, num elevadorcom certos problemas técnicos, por sorte.Nada lhe fez mais feliz (além do nascimento dos filhos) do que sua época de faculdade.Suzana era sua colega de sala, colega de olhares inusitados de dúvidas e de poucas palavrasdentre as aulas. Não eram grandes amigos, nem colegas de trabalhos. Porém, emseus olhos apesar de fita-los com receio, conseguia ver toda uma vida pela frente, uma famíliaum grande amor e um exemplo de mãe.Talvez, por obra de um destino maravilhoso estava no lugar certona hora certa. Um elevador, um botão quebrado e um "Oi" conseguiram selarum futuro radiante. Nela se enxergava o sorriso pelo olhar, a felicidade pelomovimento leve do corpo e a curiosidade por suas mãos, sempre inquietas.Já nele, o cabelo desarrumado lhe dava charme a música sempre nos ouvidoslhe fazia viajar num mundo só seu e seus pensamentos sempre otimistas o levavamà acreditar num futuro feliz.A rendição foi imediata; ele e ela, ela e ele agora juntos. Sorrisos e frases longastomaram seus dias na sala de aula, e pouco a pouco um lugarzinho guardadoem suas mentes e corações.Depois de realmente juntos, decidiram mudar-se para uma cidade onde pudessemcrescer de mãos dadas. Formados e com mais experiência, foram a luta no centroda profissão em seu país. Eram tempos de luta, de procura de emprego e de umpouco de sossego quem sabe.O casamento foi breve,a cerimonia mais linda de suas vidas. A brisa na praia levava os cabelos de Suzana contra seu rosto, e o sol fazia seu vestido branco se iluminar cada vez mais.Os pés estavam descalços e conseguia sentir a areia os massagear bem devagar.Não conseguia pensar em outra coisa, a não ser naquele sublime momento.Hoje pensa o quanto a ama, por tudo que passaram juntos. As dificuldades os fizeramcrescer, os filhos trouxeram a alegria de viver. Júlia era a caçula, com dois anose Lívia a filha mais velha, de seis.Mesmo sem ouvir o que Suzana dizia, sabia que já era muito tardepara conseguir trabalhar. Apesar de não prestar atenção nos númerose nem no que ela dizia, ele sentia uma pontinha de felicidade ao recordar daquelesmomentos.Ela vai dormir, dá um beijo de boa noite e anda devagar em direção ao quartopara não acordar as meninas.Ao terminar sua sina se levanta da cadeira, Brutos faz o mesmo. Toma um banho,come algo novamente e vai dormir.Sonha com Júlia,Lívia e Suzana. E sorri dormindo.No dia seguinte acorda e percebe que tudo aquilo não passoude uma simples demonstração de tudo aquilo que ele vive diariamente.Apesar de todo cansaço, de toda luta e de todos aqueles númerosque cansam em não entrarem em uma equivalência.

Alongamento.

Deite-se, simplesmente relaxe.
Solte seu corpo sobre a cama, eleve
seu espírito e respire, bem fundo.
Seu pescoço agora será um pêndulo
e o fio que o sustenta será sua coluna.
Os dois são um só, mas sua mente irá
muito, mas muito mais além.
Respire e inspire, como se o ar adentrasse
todo teu corpo e cobrisse todo teu ser.
Feche os olhos e deite-se de bruços, eleve
uma de tuas pernas até o braço contrário e
atravesse teu tronco de forma suave, assim
também não deixando teu ombro sair do
chão. Faça o mesmo continuamente com a outra perna.
Feche os olhos, sinta os fluidos do corpo ao
passear, não só ele como o sangue a vibrar sobre tuas veias.
Agora eles são um só, assim como você.
Esqueça de tudo, só sinta seu coração palpitar,
seus dedos ao se mexer sem tua vontade e tua cabeça
que vai além de todo aquele pequeno espaço
sobre tua casa.
Olhe pra cima agora, sinta a pressão sobre tua garganta
e os teus olhos que teimam em fechar, frágeis.
Seus braços que se vão ao encontro das costas, atrás
da cabeça e o outro braço que puxa teu cotovelo, agora
sua face está em perfeita simetria com tua omoplata.
Repita o mesmo, como dito antes com o lado oposto.
Lembre-se do pêndulo, ele jamais deixa de girar em torno
de seu centro gravitacional, e seu pescoço, agora rotaciona
leve acima de teus ombros.
Não esqueça dos quadris, deite-se e levante os joelhos
e logo após, suspenda teu quadril aos céus contando
exatos dez segundos, em exatas três vezes.
E respire, devagar e inspire soltando toda e qualquer
maleficência de teus pensamentos, só cubra teu ser
de tudo aquilo que lhe faz bem, teu astral só depende de ti.
Alongue teu corpo e tua alma, faça deles instrumentos do
teu humor, instrumentos dos bons dias, das boas notícias
e de toda e qualquer forma de alegria.
Alongue teus pensamentos, até longe dali. Onde ninguém o
possa tocar, a não ser você mesmo.
Energia se dissipando dentro de ti, e apesar disso
se desdobrando em mais energia, se deslocando
ao infinito que é exatamente onde queres chegar.
E lá, perceberás o quanto és forte, se souber
desdobrar teus músculos dos medos e relaxar
sobre tua vida, assim quem sabe por um mero
e simplesmente; respirar e inspirar, alongamento.

domingo, janeiro 6

No final das contas.

Tão difícil e apesar de tudo
tão apreciado.
Fechar portas e janelas, para
que ninguém entre.
Digo não e me abstenho de
viver, algo que simplesmente
não era de meu sublime intuito.
Digo não e recobro meu senso
de liberdade, minha prosa sobre
o liberto ser, meu àpice e por
meras obras do destino, apogeu também.
Digo não, por não prever
destino que condecore meu sorriso,
acalme meu peito e desmedidamente
flane sobre o não-individual.
Digo não, assim sem querer
e por mais e um pouco menos
dizer sim, no final das contas.

sexta-feira, janeiro 4

Wake up alone

É, mais uma vez acordou sozinha. Mas dessa vez, havia algo estranho.
Havia um sorriso no rosto, meio escondido no cantinho dos doces lábios. Sorriso diferente dos habituais. Acordou com a cara amassada, o pijama rosa de borboletas que pairavam sobre seu tronco. Sentou na cama e alongou os braços, pescoço e ombros. Olhou para cima e sentiu a coluna vibrar assim como teus olhos naquele dia de sol. Levanta da cama rapidamente e sem mais nem menos sai saltitando, era um dia como outro qualquer do lado de fora.
Por dentro, ela acordava para si. Descobria a cada segundo que nada ia tirar sua felicidade, nada mesmo. Sorriu para as flores, acariciou o cachorro e tomou um belo suco de laranja, estupidamente gelado. Depois do café, um banho bem gelado para acordar de verdade.
Após pronta, olhou pela janela o solzão de sábado. Abriu as janelas da casa para que aquela imensidão cobrisse todo seu lar. Agora com um só pensamento, ela segue enfim, cordialmente merecedora de tudo que lhe é de direito, agora a felicidade em seus planos. Ligou um som, um Soul de matar qualquer um. Daqueles de dançar no meio da sala sem se importar se alguém está vendo, tocando seus instrumentos imaginários, guitarras, baixos e baterias de acelerar o batimento cardíaco.
Ahhh doce momento, um dos quais levará consigo pela eternidade.
Solenemente findando seu bem estar, agora vivo em seu pensamento. "Sim!" respondeu, era seu dia de sorte, dia em que percebeu toda sua imensa solidão e se sentiu também feliz por demais por ter a si mesma agora de forma apreciada, comemorativa e "muito do caralho" como ela mesma diz.
Rápida no gatilho, já acerta o findar do dia. Que vai terminar em boemia, até quem sabe um dia, não acordar tão sozinha. E se fosse pra ter algum conselho, agora quem sabe, iria ouvir a sua melhor e menos comedida amiga. A Amy simplesmente lhe diria, "I'm not drinking my friend... and i have to say something to you... GO AHEAD GIRL!".
E é exatamente assim. Vivendo agora, pelo único motivo
plausível, para exaltar sua vontade e quem sabe infinita felicidade.

quinta-feira, janeiro 3

Quando você se for

Agora aqui, venho oferecer-lhe meu bem maior, minha dádiva alcançada e meu mais desmedido apreço. Por meio desta, busco a ti todos os dias sem ao menos recordar que longe estas de mim,
dos meus afagos. Já esqueço que as manhãs não tenho o doce tocar dos teus lábios sob minha testa e um breve sussurro a dizer-me bom dia. Já nem me lembro mais a quanto tempo
busco a ti sem sucesso. Todos os dias passo sobre tua morada, antiga morada dos meus sorrisos amarelos e mais simplesmente, assim sinceros.
Os dias agora são longo se o entardecer ainda sente tua falta, assim como eu. Ele ainda entusiasma a todos nos que por aqui ficamos, mas ainda busca o brilho dos teus olhos por todos os cantos e o balbuciar de elogios assim por puro querer. A areia da praia ainda queria poder tocar teus pés, esfoliar o redor deles e cobri-los de caricias. O mar, este sim chora tua ausência, por muitas vezes o vi espalhar tua tristeza sobre as pedras, e as gotas do seu pranto que se recolhem, para que ninguém veja. Entendo sua dor, meu amigo. As estrelas, essas sim estão felizes. Pois lhe acompanham aonde quer que você vá. Brilham intensamente para que recordes
que aonde quer que esteja, elas vão estar sempre ali pertinho do teu olhar para conversar
quando precisar. O sol e a lua, apesar de tudo, contentes. Viram teu sorriso de canto de boca apesar dos olhos saudosos, antes mesmo de partir.Sabem que ira reluzir, agora em outros cantos do mundo e agradecem veementemente a sua presença e sua delicadeza quando lhes conta segredos em baixo tom, que só os dois sabem ouvir. Os coqueiros não mais apontam para o norte, eles seguem o teu rastro, ao sul e avante, sabe-sela a que destino, incerto amigo por anos. Não mais vou me entristecer ao pensar o quão longe estas,só penso no teu sorriso brilhante ao ver seus mais queridos, aos abraços loucos e olhares domadores de sentimentos frenéticos. Todos merecem um pouco de ti para recobrar que existe uma essência flamejante temente a brilhar cada vez mais.
Agora assim com essa cara de noite bem dormida, por sonhar com tudo isso que lhe escrevo, simplesmente me despeço,pensando em ti apesar de toda essa distancia, ambígua distancia,
que nos uniu de forma inesperada e nem mesmo por isso, menos valorosa.

segunda-feira, dezembro 31

Bangkok

Sonhei que meus pés tocavam Bangkok.
Era uma terra de barro escuro e
àgua por todos os lados, rios e riachos
palácios dourados sobre as florestas altas,
macacos e elefantes por toda parte.
As pessoas com suas roupas coloridas,
muitos adornos sobre a cabeça, mãos
pés e dedos e unhas.
Reluzia tanto quanto seus palácios.
Colorida, cheia de vida e muita
muita intensidade.
Brahma Shiva e Vishnu se fundiam
para lançar aos meus olhos a impotente
forma de um deus.
Que cria, destroi e traz equilíbrio.
Um deus de calma em tua face,
olhos acolhedores e pele brilhante.
A lótus sobre tuas mãos, brilhava
como uma jóia e ofuscava de meu
pensamento as dores.
Seus pés se cruzavam e tuas mãos
se encontravam, para findar a flor da vida.
Bangkok desperta o melhor de mim.
E em meus sonhos pude toca-la
abraça-la, provar de tua essência
digerir seu brilho e acorrentar
meu espírito a reluzir como seus
chakras.
Que Bangkok ainda possa tocar
meus pés, envolver meus pensamentos
e ofuscar meus olhos dos temores.
Se por assim dizer, em meus sonhos
mais que despertos.

33

Trinta e três dias,
30 e três noites,
para sonhar novamente.
Só faltam 3 horas para
acordar, mas só o trinta
e três a tomar minha lembrança.
Trinta dias para toda uma
vida, e a cada segundo que
se foi, três meses de espera.
Três da manha e desperta
com o trinta e três, número de
três décadas vividas mais três.
Número do simbolismo do
amor próximo, divindade
que obseva.
Trinta e três graus,
par alcançar a plenitude
da pedra lapidada.
Trinta passos pela casa
e só três para chegar
perto de ti.
Trinta e três graus,
calor imenso.
Trezentos e trinta e três
mil quilômetros e lá está
você, longe de mim.
Trinta anos se passaram
e você nada fez,
arrepende-te ?
Três de trinta e trinta para três
soa ridículo, não há lucidez.
Há só, e somente 33.

Sonambulismo

Acordo no meio da noite e não me sinto nada bem. É meio estranho, estou dormindo e desperto ao mesmo tempo. A casa faz barulhos estranhos e meus sonhos, breves, ainda tocam minha mente em um retorno incessante. Porém, não vejo mais rostos, não existem mais. Só um borrão
que me persegue onde vou, me contaminando de medo e incertezas, dúvidas que não tem mais fim, e ao ver-me acordada e brevemente adormecida sobre a casa a imensidão me cobre, mas o silêncio não existe. A imensidão sobre meus ouvidos, latejando ruidos estranhos, sons da madrugada corrompendo meus timpanos como o borrão que açoita meus sonhos e não me deixa dormir. Me deixas dormir?
Está tudo certo e é hora de descansar, no ultimo nos trezentos e sessenta e cinco eu ei de dormir pois amanha tenho que recobrar forças para o passar de mais um ano. Se me deixas dormir, serei só novamente. E enfrentarei o medo de acordar e haver o mesmo borrão ao me angustiar com suas incertezas. Me deixas dormir?
Agora vá, eu sei que você precisava de mim e de meus cuidados mas eu não tenho mais forças para te levantar se não me ajudar também. Ajuda a tua alma a despertar sobre teus medos, eles são irrelevantes sobre tua luz, ela deveria cegar todas as palavras que descrevem o que te aflige e assim quem sabe possas recobrar a paz. Me deixas dormir?
Parte de você sou eu, tenha absoluta certeza disso. E não tenhas medo, eu estou aqui. Cobrindo você de tranquilidade se puder,mas deixe que a dúvida se vá, não lhe cubra sobre o véu do desespero ele irá lhe cegar abruptamente. Me deixas dormir?
Saia desse casulo, é hora de respirar fundo e novamente ir em frente se tudo der certo é porque mereces e fez por onde, corra meu bem é tempo de dormir e apesar de acordada dormes sobre tua vida, esqueces quem realmente és. Me deixas dormir?
Volte ao seu leito, já afaguei teus cabelos. Agora durma criança, durma em paz e vejas que não há nada a temer, estou aqui e jamais lhe deixarei.
Durma, sonhe novamente e tudo vai retornar a ser como antes.

domingo, dezembro 30

Eva

Antes era amante, amor pleno
paixão desvairada daquelas que
lhe deixam flutuando por ai.
Feita da costela de um homem,
que a amava se por assim dizer,
que a idolatrava por ser sua companheira
e única presente na sua vida.
Apesar de sua temente falha e expulsão
do paraíso Eva sabia, que seu amor
jamais seria unicamente vivido por lá.
Hoje, Eva está presente em todas
as mulheres. Elas são tão sensuais
quanto a nua Eva, que destilava
suas nuances pelo mundo, enfeitiçando
seu progenitor, amante e amor.
Eva hoje, se tornou Maria, Joana,
Suzana, Carina, Tereza e Luiza.
Se tornou mulher, sensual, amada
independente, carinhosa, mãe dedicada
filha amada, avós, tidas, primas, amigas.
Eva hoje é amada, tem filhos e corre contra
o tempo para continuar linda. Querida por muitos
e odiada pelo resto, ela segue, em frente para
atingir sua plenitude agora quem sabe, seu paraíso
na terra.
A fruta, o pecado e a expulsão não lhe cabem
mais aos olhos muito menos ao coração.
Hoje Eva, tenta se abster dos temores, não lhe
cabem desejos infundáveis, dúvidas cruéis
só a força, a perseverança de uma mulher
que acredita no futuro, crê em si e nos outros.
Se de uma costela tornou-se mulher, divina,
imagine só o que serias se fosse feita do coração
de um homem que já lhe aguardava, que lhe
amava sem ao menos lhe conhecer. De um homem
que olhava para o céu e sabia, de alguma forma
que algo palpitava em seu peito, e eras tú Eva.

sexta-feira, dezembro 28

Processo

Processo criativo, louco e necessário
por muitas vezes desnecessário, eu diria.
Apago e escrevo, descrevo e anseio
já não sei mais de onde vem e pra onde vão
e ao terminar só penso, leio, releio aquilo tudo
num louco turbilhão de palavras e sentimentos
indescritíveis por um segundo e apalpados sobre
minha mente e tranplantadas sobre meus dedos.
Palavras boas o bastante?
Processo criativo, que invade
transmite um sei lá o que de frenesi
que não reluta em explodir de uma vez
sob meus dedos, minha mente e quem sabe meu coração.
Processo criativo, feito individualmente cada pedaço
cada letra e de idividuais conjuntos se tornam um
brainstorm sem fim da vida, das conversas que se estigam mais
e mais não cessam, não abrem mão no infinito.
Um pensar conjunto, que age, interage transpõe
junções de mundos esquecidos, amargos, feitos
de lenço de papel que molham e se despedaçam.
Processo criativo, te procuro mas não te acho
te escondes de mim e me lança um cheiro que
jamais sentira, cheiro do inesperado que me abraça
sem eu saber e me toma a cada dia onde lanço
meus pequenos versos assim sem querer
mas se eu quiser realmente achar você vou descobrir,
processo criativo, é realmente ser você.

terça-feira, dezembro 25

Órbita incandescente

Giro numa órbita sem fim, meus olhos agora
se perdem aos poucos como o esvair do dia.
Esqueço o assunto, somente vibro sobre minha
plenitude visual. Esqueço até de mim, não me sinto.
Perco noção de tempo espaço, dialeto, companhia
e humanidade. Só vislumbro o infinito.
Nele vejo o girar de meus dias, o futuro promissor
a mais-valia de cada dia e o fruto do intenso ardor.
Acima os pequenos pontos de luz, cósmicos. Ao seus
pés, o mar a banhar sonhos incandescentes, e o
vermelho deixou seu lugar de fora sobre o afago do sol
e as nuvens cinzas se desprendem formando um tapete de
areia sobrevoando meu campo visual tão perdido.
Perdido num mar de contemplações, sob uma ótica
maleável, sobre futuro, passado e presente que se unem
para se abster de segregação, se unem para findar meus
olhos na vida, vida de muitos anos prosseguidos, aguardados
e vividos.

Lua

Mais uma noite de lua.
Pensamento voa na tua.
Mas só vejo por todo lado lua.
Regressar meu beijo na tua.
E pensar no meio da lua.
A saudade no peito da tua.
Recobrar o teus olhos na lua.
E pensar realmente, sou tua.

segunda-feira, dezembro 24

Declaração de amor

Hoje não é um dia como outro qualquer.
Agora tento escrever a declaração de
amor por ti.
À tempos lhe digo o quanto a amo, o quanto
meu coração se sente amaciado ao ouvir
tuas palavras de carinho, teu abraço apertado
que me faz perder o ar.
Hoje, foi o dia em que descobri meu maior
amor por ti, aquele que irá durar por toda
uma vida.
Amor esse que deixou de ser um simples
curso da vida para se tornar um complemento
para segui-la.
Te amo, de pés, mãos, cabelos, unhas, braços
abraços, choros, conversas, risadas, momentos
fáceis, difíceis, imprudentes, prudentes até demais
e demasiadamente loucos, se por assim dizer.
És o chão que piso, minha base, meu sustento
meu cálice da perseverança, minha imunidade em
cápsulas, meu único e imenso sentimento fraternal
que passa aqui nesse instante a transcender toda
e qualque forma de amizade.
Se te amar, é apenas uma palavra , sou inconsequente
por não perceber que dela finco limites e não quero
delinear espaços sobre o carinho, respeito e admiração
que me causas, só por simplesmente ser parte de
meu ser, meu crescimento minhas falhas e graças à
nós, acertos.
Declaro aqui, perante à mim, ao que sinto ao que
posso lhe dizer, com palavras, com abraços e
simplesmente com minha cara de choro a mais
verdadeira forma, essa declaração por ti, de amor
por nós,pelo que somos individualmente e pelo
que nos é de fato existente, laço de amizade.

domingo, dezembro 23

De onde vem a calma?

De onde vem a calma,
depois de me dizer o que
queres, sem ao menos me
explicar o porquê.
De onde vem a inquietude
depois de travar um dialogo
não muito receptivo, não
muito atraente.
De onde vem você
com essas palavras sem nexo
sem eira nem beira, para
me falar assim?
De onde vem essa sua certeza
de que estou certa ou errada.
Me dizendo assim, sei lá
sem ao menos perguntar pra mim.
De onde vem essa vontade
de não falar nada, depois de
dizer tantas coisas. Quando
deveria na verdade, permanecer calada.
De onde vem esse bico,
e o teu tambem. Que depois
de algumas horas se desfaz
da mesma forma que surgiu.
Permaneço quieta agora,
e as palavras não tem mais
força. Só o pensamento para
perceber, de onde vem a calma?

quarta-feira, dezembro 19

Querido Neruda

Se soubesse o quanto gosto de suas palavras,
teus poemas e de tua forma de descrever a vida, tua vida
e a brevidade de todas as outras junto a ti.
Se soubesse como elas acalmam meu ser,
me dão imensa paz e frenesi em certos momentos.
Se soubesse que delas faço meu dia-a-dia
seguindo também com minha capa preta imaginária
onde construo meu envoltório de pensamentos a todo instante.
Se soubesse que descreves a alma humana, o recorte
da natureza e a destreza do amor com palavras tão
magnificas, saberia exatamente que delas fizeste teu auge.
Se soubesse que infinito é a minha idolatria por ti, por sua
devoção aos queridos por teus passeios pelo mundo e
suas aventuras dentre o crepúsculo.
Mas que como a ti, busco incessantemente as respostas.
Se soubesse da emoção que pregas em teus textos e o
arrepio que denotas nos devaneios, seria eternamente
feliz por tal aclamação.
Se soubesses meu querido, voltaria ao Chile e travaria
novamente tuas palavras sobre papéis, teus poemas sobre
as tardes e teu amor, pelo amor existente em teu peito.

segunda-feira, dezembro 17

Dias e dias.

Se com os dedos posso contar
Que os dias se vão com avidez.
Que assim chegue em meus planos.
Como pensei, da outra vez.
Que do polegar, dedo médio,
mindinho e indicador se façam
terças,quartas e quintas. Pois
a segunda já se foi, e dela é o
começo de tudo, começo tudo.

Tukro

Deixe que de lá vejam.
Pelo nome só enxergará
Alguém que não existe.
Pelas paixões, Humor e etnia
Um pouco de si, jogado ao léu.
De lá todos o observam
E vos observa todos de lá.
Estranho ver fotos, conhece-los
Sem ao menos os tocar. Imagine
tal coisa, ou ao menos tentar.
Depor sobre tua vida
Teu amor e teu lar
Deixa teu vestígio sobre
Primaveras que se foram
E aquelas à começar.
De cara visitantes inesperados
Dos mais estranhos possíveis.
Aquele amigo do vizinho que
te viu a dois anos e que jamais
adentrara tua vida, teus planos.
São fãs, amigos, fotos e músicas.
Que fazem o teu ser no imaginário.
E o que é comum a todos lhe diz
exatamente o que queres.
E é o que queres, exatamente?
A sorte lhe beija a cada dia
Lhe diz vá em frente pois
Vencedor serás, passará
Por intempestivos dias por um
fio e mesmo disso ressurgirá.
Pense nas figuras mais belas?
Por lá todos são assim. Além
de ricos, inteligentes e astutos.
Fato social profissional e pessoal.
Regrados pra você e pra mim.
Rede de amigos contemporânea
Que não sai dos olhos e afins.
Toma todo um tempo e espaço
Que jamais tem fim. Agora deixe
que o vejam, só vale assim.

domingo, dezembro 16

Detalhe

Minhas costas vão ao chão próximo a piscina,
meus braços recostam-se sobre minha nuca
e os olhos se fecham por alguns segundos.
O chão é gelado, duro, mas deixa que dele faça meu berço,
berço de pensamentos loucos.
Agora que a fumaça já se foi, só resta o céu para admirar e
assim como meu pensamento o vento sopra por ai, sobre as folhas.
Na bananeira pequena e esguia o movimento é brusco
e que faz como que as enormes folhas se retalhem
e formem pedaços dos mais diferenciados.
Separadas elas não conseguem manter o equilíbrio
e nem por assim dizer, o meu também.
Detalhe, não há pedaços dela no chão.
A mangueira robusta e majestosa só balança
juntamente suas pequenas folhas, que
aclamam a mente daqueles que se sentem
inseguros e com medo.
Detalhe, suas folhas se desgarram
e ressoam no chão toda sua magnitude.
Seja bucolismo ou uma vontade imensa
de encontrar a paz, seja por meio dos ventos
que sopram harmonia ou o céu que me traz esperança
seja lá a fumaça inimiga dos meus olhos, ou pela conversa
incessante até não haver mais motivo, que se possa esquecer
só por um minuto o incessante medo de te perder.

sábado, dezembro 15

Longe, muito longe.

Mesmo longe guardo comigo tua lembrança meu bom velho, tua face ,tuas mãos calejadas e teus conselhos sobre a vida.
Seu olho verde-azul ainda me traz a lembrança do Trovão e dos tempos que corria feliz pelos campos, colhendo as frutas sobre às sombras, pescando sobre os riozinhos e carregado pelos ombros, passeava pelo mundo à dentro. Seja lá qual for o raiar da sua iris, que ela prossiga a olhar-me e sentir aquele mesmo afeto, de sempre.
Que saudade que sinto de tua voz rouca, teu abraço carinhoso e seus olhos apertadinhos de sorrir ao ver seus mais queridos.
Lembro-me das moedas que jogava entre meus dedos e como eu as procurava pela casa. Nos sofás encontrava muitas delas e me sentia a criança mais sortuda do mundo.
Apesar do seu jeito meio distante, notava em ti todo o carinho que um ente poderia ter. Não sabes como sinto falta até mesmo de suas reclamações, sobre a altura da televisão ou por nós corrermos pela casa como loucos, gritando.
Rezo por ti, todos os dias meu bom velho. Em minhas preces, rogo pela sua saúde e que o senhor possa prolongar sua vida o mais que puder, digo também que é meu único desejo e que nada mais importa.
Sinto tua falta e falta de todos nós juntos.
Temo pelo futuro meu velho, pois sei que um dia irá se esvair nossa felicidade, dentre os dedos.
Quando ouço falar de ti, fico cabisbaixo. Imponente sobre os acontecimentos, sigo apenas clemente ao meu pensamento em ti , sempre acolhedor.
Pior é a tua cria, meu velho. Ela se estremece à cada notícia, teme pela nossa desmedida preocupação e teme por ti, calada. Sinto medo de ouvir o que os meus ouvidos não querem, sentir o que o meu coração não quer a não ser lembrar com doçura e amor por ti.
Pois é assim que sempre vou levar tua face em minha mente, mesmo aflito tento recobrar-me e pensar que tudo dará certo.E tudo, por assim dizer, tem de dar certo meu bom velho.
Tudo há de seguir o caminho da eternidade, onde só vai existir o laço que nos une.

Ponto de ônibus.

-Mãe, deixa eu ir ali na vendinha! Só quero comprar um salgadinho.
-Não! Veja bem Neto, são cinco pra meio dia daqui a pouco você já vai almoçar.
-Se comer um salgadinho, seu apetite vai embora, entende?
-Mas mãe, é um daqueles pequenininhos. O apetite não vai embora, eu o chamo pra cá!
-Neto, me escute. Se você comer, não vai almoçar porque sua barriga vai estar cheia desse isopor.
-Mas mãe! isopor não pesa na barriga, pense bem!
-Neto! deixa de ser teimoso.. já disse que não!
-Mas eu to pedindo, por favor. É rapidinho, eu vou lá e volto você não vai nem ver!!!
-Eu já disse que não, pare de insistir. E outra coisa, meu dinheiro está em casa.
-Mas mãe, eu tenho dinheiro aqui.
- José Ricardo Mendes Neto, de onde você tirou esse dinheiro?
- Eu ganhei mãe! Na escola..
- Ganhou como garoto? Me fala isso direito agora!
- Com os cartões mãe!!! Com os cartões...
- Que cartões?
- Os cartões de bichos esquisitos.
- Bichos esquisitos? De onde você tirou isso menino? E por que ganhou dinheiro?
- Bem mãe, eu ganhei o dinheiro jogando!
- Jogando?!!? Você vai pra escola pra estudar menino!!! Não pra jogar!
- Calma mãe, quem sabe um dia eu não fique rico?! Já pensou?
- Neto! Va já devolver esse dinheiro, AGORA!
- Só se você comprar o salgadinho.

quinta-feira, dezembro 13

Cego

Mal se pode ver mas os dias se foram
E agora só resta uma, apenas uma.
Você é cego por mal ver
E eu cega, por não perceber.
Oras!
És cego por me dizer
Que mal vistes antes, como me vê.
E agora só resta uma, apenas uma.
Se por ventura me ver assim
Que cego não sejas meu bem
Pois de não perceber, vi quem eras realmente
E agora só resta uma, apenas uma.
Cego é nosso destino incerto e aguardado.
Que seja cego, surdo e mudo
Apenas sinta, meu caro amigo.
E agora só resta uma, apenas uma.
Se por ver demais enxerguei até quem sou
Deixe que sejas cego
E por ti enxergo teu amor.
Pois apenas resta uma, só uma.

quarta-feira, dezembro 12

Estação

Saio de casa às onze e quarenta, tento pegar o quarenta e sete para quem sabe assim chegar com um pouco de sorte na Estação, cedo de preferência ao rumo do sessenta e um, meu único e viavel destino.
Ao chegar por lá, a cidade inteira passa e de passagem os observo.
Pessoas por todos os lados, um mar de gente que me engole todos os dias quando por lá apareço. Chegam do trabalho cansadas, há também aqueles que vão curtir a noitada, os estudantes, vendedores de doces,salgados e a boa e velha pipoca. Do estudante de direito apressado à moça de sorriso bonito que trabalha de faxineira no Flamengo.
Quando me vejo dentro da estação percebo mundos diferentes, vidas que se contrapõem se trançam,se fitam e meramente por obra do destino, se cruzam.
Há duas entradas centrais e os envoltórios fazem com o que os onibus possam
transitar para a onde fazem seus horários, onde os motoristas e cobradores descansam.
Engraçado é perceber todas elas andando, conversando e principalmente pedindo informações à todo o tempo. Uns curiosos na fila, prestam atenção na conversa das meninas que falam alto demais para não se prestar a ouvi-las. Conversam sobre a vida de uma tal de Débora, que se apaixonou pelo namorado da vizinha do seu condomínio, Débora essa que crucificada está.
Bem perto dali um policial seguia para sua divisão, altivo como todos eles deveriam ser. Seguia para uma pequena casinha onde funciona à quadragésima quinta dp, que mantém a paz e a ordem na Estação.
Antes de chegar à seu destino dá pra se notar um companheiro malhadinho e serelepe que o persegue. Abana sua cauda e coça a orelha esquerda, sua coceira era por muitas vezes o motivo de não conseguir acompanha-lo, mas toda vez que avistava o policial um pouquinho distante simplesmente dava um pinote e corria para alcança-lo. Engraçado, pareciam amigos e sem que se quer tenha percebido, adentram a pequena casinha.
Após perde-los de vista e ganhar um pequeno sorriso, olho para os carros que passam fora da Estação, eles passam paralelamente sobre duas pistas. As vezes, os observo das passarelas e a vertigem me toma o cérebro.
De forma inesperada se aproxima um carro à margem da entrada, ele para e uma garota se despede rapidamente. E mais abruptamente é a saída do carro pelo mundo à fora, sabe lá Deus pra onde.
Se despede com o balançar dos dedos, se é que o detentor do carro pudesse ver. Uma garota de mais ou menos vinte, cabelos longos e short minúsculo e quem sabe se por assim dizer, um pano que lhe cobre os seios.
No nariz e na barriga, uma estrela brilhante que ofusca os olhos dos residentes das filas naquele dia tão ensolarado. Era meio dia, finalmente.
Ela passa e não dá bola nem pra si mesma, só faz questão de guardar seu papel amassado no bolso e assim quem sabe, seguir em frente.
Sem querer, me esbarro com um homem que o tempo fez questão de mostrar quem é. Um homem de muletas que arrastava um dos pés, inchado. Calçava uma sandália amarela em um deles e no outro um tenis azul marinho. Seus cabelos eram grandes e grisalhos sua pele queimada de sol e seus olhos azuis cintilantes, pedindo ajuda à todos nós.
Lhe peço desculpas e lhe digo que infelizmente não tenho trocado mas penso no pequeno pacote de biscoito que guardo na mochila e não exito em dar-lhe. Ele sorri, agradece e sem mais nem menos volta a arrastar-se por ai. Como ele, volto a seguir meu rumo à espera do meu onibus.
O Neruda consola minhas mãos, tristes por terem de sair pra trabalhar num dia tão bonito.
Voltando à mim, olho para meus pés inquietos e sem mais nem menos curvo meu olhar para o nada, aliás, há algo de interessante por lá. Uma roda gigante. Sim, o parque estava na cidade, e ao longo da estação dava pra se enxergar um pedaço da "Giant Wheel", brilhante às noites como todo o resto do parque. Engraçado, mas apaixonar-se por algo assim é inevitável. Perceber que a cidade toda nessa época do ano se enfeita - é Natal afinal - torna mais bonito de se ver.
E sem querer me despeço, o sessenta e um chega a meu terminal, rápido e indolor aos meus observados. Sem ao menos me pedir licença. Me deixando sem saber do desfecho de minha própria história, essa quem sabe, contada por outro observador.

terça-feira, dezembro 11

Resquícios

Que saudade de ti
Todos os dias, olhava-te sem cessar
Era de uma força tão grande
Jamais vista.

Tinha uma imponência deslumbrante
E de perto uma delicadeza imensuravel.
As fotos eram mais bonitas perto de ti
E o meu olhar mais saudavel também.

Agora que não existes mais
Onde fincarei meu olhar?
Se parte de ti ficou aqui
É dessa pequena parte que viverei.

Apenas a lembrança do que era
Me traz a paz de ser quem sou
Seus frutos eram pequenos e singelos
Mas me faziam contemplar sua beleza pelos dias.

Se de ti apenas sobraram resquicios
Deles tomarei minha força
E quando cresceres novamente
Seremos tu e eu, somente.

Agora que fostes, sem mesmo saber
Descubro a falta que faz no meu olhar
Descobria nele estrelas
Ao ver-te simples, admirar.

segunda-feira, dezembro 10

Cinco centímetros

Chegou mais cedo do trabalho, acendeu um cigarro e foi para a varanda. Viu o céu estrelado lhe chamando repetitivamente e a fumaça cobrir seu rosto, por um segundo fecha os olhos para quem sabe perceber melhor o que lhe aflige.
Seus dedos rigidos, tentam se mover sem sucesso, a cabeça roda e os joelhos enfraquecem. Seu mundo finca raízes no inesperado.
Através da fumçada, vê ao longe a cidade se mover tão ferozmente. Sente-se acoado com tanto frenesi e ligeiramente imponente. Encosta as costas na parede e escorrega até sentar-se, já que seus joelhos não lhe suportam mais assim como sua máquina de mazelas, que não cansa de consumir seus sonhos.
Pensar é inevitável à todo o tempo pensa, remete, considera, desconsidera, busca teme e sente medo, muito medo. O que lhe salvaria nesse momento, se pergunta. Um pouco de esperança
que possa surgir de qualquer lugar, por favor. Um pedido de socorro através das olheiras, recados de noites mal dormidas.
Descrente, observa um pequeno ramo que ecoa da parede. Mas como será possivel?
Um ramo de cinco centimetros, contraposto a uma parede velha com rachaduras e demasiadamente descascada.
O observa antônimo, pensa que é tão louco sobreviver assim quanto uma pequena planta nessa parede de aparência inospita. Não há ninguém para regar-te, pequena planta. Só a chuva lhe acolhe para que possa rastejar sobre dias sem secar. Seus dias lhe levam como a pequena plantinha que sobrevive do pouco que tem, um pouco de luz aos dias e a bendita chuva que lhe envolve. O cigarro já não lhe parece tão sedutor, quanto observar a miniatura da sua vida
transposta em outro ser.
Lamentável, já se sentir uma brevidade. Não exergar sua essêcia, pois perdeu teu poder de classificar tua dor, tua felicidade teu estado de isolamento. És pior do que uma planta em meio ao branco desgastado, pois ela todos os dias revela seu verde exuberante e se destaca. E tu, de onde tiras sua diferença?
Ao lembrar das estrelas, onde estaria a tua ? Dentro de ti ainda resisteaquele mesmo rapaz feliz de sorriso amarelo que busca sua tranquilidade ou irás deixar que o céu cinzento cubra teu poder de ser planta?
Reside no pensante a dúvida de perguntas e o tormento das respostas breves, que dilaceraram à escolha. Recosta-se sobre tua vida, toma ela em teus braços e deixa que a fumaça apenas possa passear sobre teus devaneios, incertos mas capazes de revelar o ser questionador que és. Tornando-se planta, inesperadamente.
Sem pedir ajuda nem socorro e tira a força de si mesmo para recobrar-te a ti.

Meu bem

Meu bem,
Hoje acordastes tão radiante
Lhe vejo pela janela, suspiro.
Jamais lhe vi assim.

O que aconteceu de tão bom, conte-me.
Será que resolveu finalmente mostrar toda tua beleza?
E eu aqui, ao admirar-te.
Sem medo de dizer o quanto és maravilhoso.

Meu bem, ainda bem que estás curado.
Pois ontem estavas murcho.
Porque se escondeu de mim?
Eu jamais vou deixar de sacramenta-lo.

Não gosto de ve-lo assim.
Se escondendo dentre as nuvens.
Quando o mais belo é ver-te radiar sua luz.
Luz que me cega de tanto êxtase.

Ontem, quis aproveitar de toda sua beleza
Senti-lo em minha pele
E ve-lo reluzir.
Lindo, como sempre.

Oh meu bem, diga-me
Porque gosto tanto de ti?
As vezes sinto que o amo
Como jamais poderia amar.

Tudo que você toca vira festa.
Tudo que cobres, energia.
Sinto-me animada em ver-te aos dias
E triste as noites quando tens de partir.

Mas sei que amanha estarás de volta
De volta em meus olhares.
De volta à meus suspiros.
De volta pra mim, meu bem.

sábado, dezembro 8

Rua Augusto da Silva

Senhor Augusto da Silva. Seja lá quem for, até nome de rua virou.
Rua de sonhos, de paredes mal pintatas crianças
jogando bola na rua e velhas tricotando nos passeios, de todas as formas possíveis eu diria. Cachorros por todos os lados,correndo pelos cantos brincando ingenuamente, roubando pedaços de comida dos sacos de lixo amontoados na calçada. Na esquina um bar, adultos aproveitam o sábado com muita cerveja, música e olhares maliciosos. As mulheres, sinuosas com saias curtas, blusas apertadas, cabelos soltos e saltos finíssimos. Elas dançam, os embriagam com tanta sensualidade além da própria cerveja, nesse momento companheira fiel. Próximo ao bar, uma casinha azul que se tornou uma igreja. Dava pra se ouvir uma música acoada, falando sobre o que se deve fazer para alcançar a salvação. Às sete, as pessoas se juntam para ouvir o louvor do pastor, ele lhes diz como devem ser os bons modos, a boa conduta e a contruibuição perfeita.
Incasáveis são as brigas na Augustinho, nome carinhoso dado pelos moradores. Os mais temidos 'barracos' ecoam de lá por muitas vezes, peças de roupas voam livremente pelas janelas
e alcançam as poças no chão da ruazinha. Os vizinhos, brigam por tudo. Pela menina que coloca o som alto, pelo fio do varal que é amarrado num prego na parede ao lado e principalmente por aquele marido prestativo que visita sua vizinha nos fins de semana.
Nas paredes, as funcionalidades de um membro da casa, seja sapateiro, costureira ou até mesmo curandeiro. Disso não há do que se falar, na Augustinho todos são trabalhadores esforçados, de sol a sol buscam melhorar um pouquinho suas casinhas pequeninas com grades pintadas de preto.
O dia mais uma vez se vai, e na Augusto da Silva a calmaria se torna rei,
jamais pensei que fosse saber, mas nela também existem exemplos de vidas sofridas, sonhos perdidos e almas cansadas. Não percebi que as idosas tricotavam para sustentar a família, que as crianças por muitas vezes brincavam pra esquecer a fome que no fim de semana as pessoas iam se distrair no bar para quem sabe assim não lembrar das dívidas, do maldito cartão de crédito e não menos importante; o salário mínimo no fim do mês. A igreja por sua vez, recolhia o que podia dos fieis, mas fazia trabalhos com os mais necessitados, os drogados e os deficientes. Os vizinhos brigavam, porém em momentos de angustia eram solidários, companheiros e irmãos. Quando um detinha um pouquinho mais de dinheiro fazia a cesta básica do mês e dividia com a cumadi do doze, amiga de lamentos e frustrações.
Assim é a Augustinho, nome carinhoso dado pelos moradores que sempre tem algo a dizer, quando se exerga a vida de forma unilateral.

sexta-feira, dezembro 7

Fizeram-se Três.

Perceba que de um
fizeram-se dois.
De dois, quem sabe três?
E sem querer
nos tornamos um,
mero devaneio.
Lhe digo boa noite,
e boa noite me diz.
Vá antes que lhe diga
que volte, volte..
mas volte sem ter fim.

Ilusão

Está escuro
aqui fora
e quem sabe,
aqui dentro também?

Já não se enxerga
quando se olha dentre
os dedos.
Só a silhueta lhe sobra, mera ilusão.

A pupila dilata, infame
para o nada e adentro
à escuridão e ao medo.
Companheiro incessante.

Passos lentos cheios de receio
tomam o chão da casa
que estava em silêncio
antes de balbuciar palavras pelos cantos.

Tentar enxergar não lhe é
mais necessário, quando
a escuridão que lhe assola
se perpetua no exterior.

Vá, corra.
É hora de fugir de seus temores
enxergar a luz que caminha ao
teu lado, e você tolo, não enxerga.

Vá, e espante teus temores
suas dúvidas e siga
para onde você nunca foi
não tenha medo.

Já que tiveste a escuridão
e dela vieste, não sinta
medo do claro mas
acredite que dele será renovado.

Pois se escuro é apenas
a ausência da luz, preste
anteção e veja que ausente
és tu sem luz.

E se escuro és, por dentro
e por fora deixe que a luz
possa exclamar sua imensidão
e radiar sua magestral presença.

Deixe a luz agir, e a escuridão
retornar a sua tola e
insignificante forma.
Reduzida a mera insuficiencia de outro elemento.

Deixe a luz, ser você.
Vá, corra e veja que ausente
já não és mais.
Se souberes ser luz e de luz, sobreviver.

quinta-feira, dezembro 6

Um, cem e mil.

Era necessário?
Rodeada de papéis
Que nem sei do
que se tratam.

Rodeada de vidas,
que simplesmente são
apenas uma dentre cem, dentre mil.

Rodeada de sonhos,
as vezes perdidos
por muitas vezes sem sentido.
Mas que a cada dia, dão um empurrãozinho
na vida.

Rodeada de tecnologia,
boa e entusiasmante
e ao mesmo tempo
nos tornando escravas de suas
pretensões.

Rodeada de tempo,
que não para e muito
menos pede licença
me toma os dias
me traz cansaço
e até mesmo um pouco de alegria.

Rodeada de luz, essa sim
intesamente reconhecida
aplaudida e adorada por meus
olhos.

Rodeada de intensos pensamentos
em ti, em nós em tudo mais.
Um, cem e mil, a cada instante
a cada passo.
Pensamentos esses, necessários
óbvios e indiscutivelmente, sinceros.

Nina

Acordo com um pouco
de dor de cabeça, de uma
noite mal dormida.
Coberta de pensamentos incessantes
e um show do Radiohead na tv.

Mesmo assim, acordo feliz
radiante e esperançosa.
Nina logo se aproxima
ela sabe o quanto gosto
quando vem me dar bom dia.

Recosta-se sobre meu braço e pede carinho.
É tão simples agrada-la
e muito dificil entendel-a, as vezes.
Por instantes não quero levantar
nem falar, muito menos me mover.

É um momento de profunda
preguiça mas se intensa reflexão.
A cabeça não para, produz os mais
indefiniveis pensamentos à todo o
tempo.

Me cobre de dúvidas e me tira o folego.
Logo recobro a consciêcia,
ela retorna e traz um pouco
de ar aos meus pulmões fracos
e oprimidos diariamente.

Sento sobre a cama, e a observo.
Nada lhe preocupa, a não ser quando não estamos aqui.
Sente-se feliz, radiante e observa atentamente
cada pedacinho da casa e cada ser que nela entra.
Como eu, naquele exato momento.

Seus passinhos são leves, seu pelo
brilante revelanto assim
um anjo de candura, como diz
a mamãe, posto pra nós a cada dia
e a cada instante.

Gosta de tomar sol nas manhas e
do vento que toca seu focinho pequenino
assim o levantando e fechando seus olhos
de amêndoas brilhantes, sentindo
a brisa lhe abraçar.

Engraçado e inebriante, observa-la
diariamente numa luta incessante
contra a própria doçura.
Carinho é seu nome, dengo sua profissão.
Profissão essa a cada dia mais especializada.

Logo esqueço do mundo
dos temores e da falta de ar.
Só me vem a mente a simplicidade
de Nina, e como ela é feliz por
estarmos felizes.

Dizem que eles entram em
nossas vidas como anjos,
e ficam permanentemente.
Cuidam de nós, oram e rogam pela nossa
felicidade, paz e desmedida segurança.

Eles que por muitas vezes nos olham
sem motivo algum, mas exergam
além de nossa face, do nosso sorriso forçado.
Vêem nossas dúvidas, temores
e inconstâncias.

Vivendo a vida em ritmos estranhos
vidas estranhas, vididas
diariamente como se fosse
uma guerra contra o tempo
tempo ocioso e vencedor.

E por mais infundáveis
que sejam nossos temores
eles, simplesmente
recostam-se sobre nossos braços
ombros, pés alma.. e coração.

segunda-feira, dezembro 3

Altruísmo, meus amigos.

Altruísmo!
Essa é a palavra, o sentimento
a relevância da vida.
Nada se faz sem ele, e sem o qual
nada se faz.
Acredite, busque e sempre eleve
seu pensamento ao céu
buscando respostas para
suas dúvidas e trazendo soluções
para os questionamentos.
Altruísmo, sempre.
Na medida do possível, construa
sentimentos bons, sorrisos, caricias
abraços longos e apertados, beijos
profundos daqueles que não
se pede licença. Faça amigos,
busque amores, morra de amores por alguém.
Confie, ame e solidifique seus
Pensamentos bons, confie neles e busque-os.
Nada se faz quando não se acredita,
não se tenta e nem se deixa levar.
A vida se torna tão pequena e tão pequena
é, para aqueles que acham que já viveram
de tudo.
Altruísmo meus amigos, sempre!
Eleve seu ser e sua alma, trave uma linha
tênue entre a felicidade e a loucura.
Pois os certos traçam caminhos lineares
e não enxergam a beleza do acaso.
Dance sobre ela, abuse e transcenda
os limites, questione-os e seja sempre
e para todo sempre um ser do qual
possa se orgulhar de seu caminho
seu propósito, enfim, sua vida.